terça-feira

Não há mesmo palavras.

Há coisas que nem sei como se escrevem.
São tão absurdas, tão difíceis de conceber, tão inacreditáveis que as palavras não são realmente suficientes. Não se inventaram ainda palavras para justificar a morte. Seja a morte de uma criança, que para mim é das coisas mais atrozes que posso imaginar, seja a morte de um casal. Um casal divertido, novo, com dois filhos finalmente criados. Ainda que saiba muito pouco, fui acompanhando através da minha tia o percurso de um casal modesto que se esforçou imenso para conseguir criar dois filhos, dar-lhes uma boa educação, dar-lhes bases para uma vida boa. Agora que os filhos estavam prestes a começar a trabalhar, os pais iam poder finalmente gozar um pouco mais a vida, aproveitar os anos dourados.
Morreram ontem num acidente de carro em Espanha. E a filha, que ia com eles e que começaria a trabalhar num emprego de sonho em outubro está internada em estado grave.
Eram os melhores amigos dos meus tios, família.
Ele era meu compadre.

E estou para aqui com o coração do tamanho de uma ervilha, com uma vela acesa para a filha ficar bem e o filho aguentar o choque de ter ficado sem pai e mãe num piscar de olhos.
É absurdo.

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quinta-feira

O País Envelhece

I would give anything to have a picture like this for my child......I miss you Mimi & Helen.....





Tirando uma ou outra notícia quando não há desgraças mais interessantes a relatar, ninguém fala com seriedade do facto de o nosso país ter cada vez menos jovens, cada vez menos bebés.
Ainda há quem tenha filhos, quem queira queira uma família, mas os dados não mentem. Sem ter grandes números presentes, a verdade é que estamos a envelhecer enquanto país, a renovação das gerações não se faz como antigamente, quando havia menos dinheiro, menos distrações, menos tudo, mas mais necessidade de braços para trabalhar.
Pela parte que me compete, também sou responsável por esta falta de renovação; não tenho filhos, não vou ter. Nunca achei que devia deixar descendência porque "é o que as pessoas costumam fazer", porque é essa "a ordem natural das coisas". É uma opção consciente, que não me retira o direito de ter uma velhice acompanhada e digna.
Mas se hoje trabalho para que a minha contribuição sirva para pagar (justamente) a quem já trabalhou ou a quem mais precisa, também é verdade que a segurança social já não funciona em estilo mealheiro - em que uma pessoa paga o que tem a pagar mas sabe que quando chegar a hora de se reformar terá apoio, uma compensação pelo tanto que trabalhou.
Sem gente nova para continuar a trabalhar, para manter este país vivo e ativo, quando chegar a minha hora de receber uma fração daquilo que paguei a vida toda, não vou ter um tostão.

O país não vai ter suficiente sangue novo, ideias novas.
Ficamos com quê?

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segunda-feira

O Caminho é Longo




Então lá chegou o dia dos 40 anos.
Apesar de tudo o que correu bem - e foi a maior parte - não foi um dia perfeito, não recebi apenas mensagens e telefonemas perfeitos, mas começo a chegar à conclusão de que a perfeição, além de sobrevalorizada, é extremamente entediante. Estive fisicamente rodeada de poucas pessoas, mas senti-me maravilhosamente acompanhada.
Passei um fim de semana fantástico num dos locais de que mais gosto; pude descansar um pouco o corpo, mas também pensei muito em coisas que gostaria de mudar em mim.
Se as datas servem para alguma coisa será para isto mesmo, para marcar pontos de viragem. Queria melhorar em tantos aspetos. Queria ser mais corajosa, mais dedicada, menos dispersa. Saber melhor qual é o caminho. Separar o essencial do acessório.

Não mudei em nada desde a semana passada para esta, não me sinto diferente, mas quero fazer diferente.

Tenho uma lista de itens na cabeça.
Está na hora. 

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quarta-feira

#vaicorrerbem

Há dias em que não há volta a dar-lhes, começam com apertos no peito, com uma névoa que tolda tudo.
Hoje tenho pelo menos três motivos para acender velas, para pensar positivo e para desejar com todas as minhas forças que tudo corra bem nos três.
Curiosamente, são todos diferentes mas todos implicam uma forma de vida, presente ou futura. E embora diferentes, fiquei com (pelo menos) três nós cegos na barriga.
A ti, menina das bochechas lindas, só digo: a História nem sempre se repete.


A vida às vezes é tão cheia.

#vaicorrerbem

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segunda-feira

A meio?

Sim, sim, é esta a ideia!



Daqui a uns dias faço 40 anos.
Não estou muito (nada) preocupada com o número, porque há mais de dez anos que digo que a idade se sente no espírito e no coração, não nos algarismos. Claro que isto é conversa de quem está a envelhecer, de quem sente que os números importam para os outros mesmo que não importem para nós, de quem ficava eternamente nos 28 se pudesse, porque é um número bonitinho e redondinho.
O que me preocupa nos 40 anos é pensar que já devo ter chegado ao meio e embora não ache necessariamente que daqui para a frente é sempre a descer, a verdade é que se este for o meu meio, começa agora uma estranha contagem decrescente.
É verdade que me sinto bem, que sou muito melhor agora do que há 20 anos, isso é absolutamente indiscutível, e não gostava de voltar a ter 15 anos, ou 18 - fiz tanta parvoíce, tanta burrice, era tão totó, tão fraquinha que confesso que não guardo grande amor pela adolescente que fui. Toda a gente tem adolescências (mais ou menos) estranhas e a minha não foi exceção. Acho que só comecei a viver verdadeiramente, a tornar-me na pessoa que sou hoje depois de ter saído de casa. Vir estudar para uma terra desconhecida, ter de recomeçar tudo de raiz, fazer amigos, estabelecer rotinas, aprender a gerir dinheiro (ainda que muito mal!!), ter a responsabilidade de me alimentar, de me manter em segurança e de saber como e quando me podia divertir, foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu não seria eu se tivesse ficado na minha terra. Podia ser outra, se calhar melhor ainda do que sou hoje, mas não era esta eu, de quem aprendi a gostar tanto.
Não fiz este percurso sozinha. Tive amigos ao longo do caminho, e tive o Nuno quase desde que cheguei a Braga. Metade do que sou hoje é obra dele, mas isso fica para outras crónicas!

A poucos dias de fazer 40 anos tenho tantos objetivos, tantos sonhos, tantas coisas que ainda quero fazer, lugares que quero visitar, que às vezes acho que mais 40 anos não chegam.
E tenho muito para aprender. Quando era miúda, achava que se chegava à idade adulta a saber tudo o que havia para saber. Que mal se fazia, sei lá, 30 anos, não havia mais surpresas, mais novidades, que era uma questão de gerir o tempo e a sabedoria. Achava eu que se com 16 ou 17 anos já sabia tanta coisa, certamente não havia muito mais a aprender.

Eu bem digo que era uma adolescente parvinha!

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sexta-feira

Suspend Your Disbelief

"Spiderman, Spiderman, does whatever a spider can!"...

Não, não venho falar do aranhiço, embora me tenha sentido como um e pouco me tivesse faltado para ver se me saíam cenas dos pulsos!!

Ontem fui experimentar uma modalidade nova no ginásio, onde se fazem coisas deste tipo:


AG Web Monkey




E deste:

p2



Chama-se Anti-gravity e se já consegui fazer a posição da primeira fotografia sem dificuldade, confesso que esta invertida (que tantos problemas me causou no yoga, porque ao ser feita no chão me deu cabo do pescoço e dos ombros) me assusta um bocadinho. E se me desequilibro e bato com a pinha no chão? Ui... 
Um dos princípios básicos do AG é a confiança. Ora aí está uma coisa boa de se trabalhar!
Adoro experimentar coisas novas, quanto mais desafiantes melhor e já me inscrevi num curso de três meses! 
A aula experimental foi fantástica, adorei a sensação de leveza, adorei os movimentos, embora hoje não esteja a adorar lá muito as dores de adutores, fáscias, bíceps e braquiais. Mas acho que é bom sinal, não é?!

Esta parte, a do relaxamento é absolutamente deliciosa. Acho que pela primeira vez e depois de tantos anos a tentar "ausentar-me", fiquei ali embrulhadinha, a sentir a seda, o movimento e a pensar em mais nada! Não pensei no trabalho que tinha para fazer, nas contas que tinha para pagar, no que ia fazer para o jantar ou na roupa que devia estar lavada e não está! Não pensei em nada! Senti, só. Existi. Saí da minha cabeça, suspendi os pensamentos! E isso para mim não tem preço. 

AntiGravity Fundamentals Principles




Tirado do site da AG:

Benefits:

Decompress tight joints
Core strengthening and lengethening
Increased muscular strength & flexibility
Relieving pressure while aligning the vertebrae
Increased kinesthetic awareness
Fine-tuning balance & increased proprioception
Low impact cardio-vascular conditioning
Perform advanced yoga & postural inversions without neck or back compression
Hold challenging yoga postures longer and in correct alignment
Stretch further with less strain
Muscular tension release through self-massage techniques
Adds an entirely new dimension to your Yoga/Fitness practice
Create better body awareness while increasing overall agility
Self-esteem enhancement through conquering fears
Refreshes the lymphatic, digestive & circulatory systems
Releases “happy hormones” i.e. serotonin, endorphins, oxytocin, dopamine
Increases the Neuroplasticity of the brain (one’s ability to learn)



Um dos lemas é "Suspend your disbelief".
É o que vou fazer!

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quinta-feira

Finalmente!

Me and my Janome! ... and my Necci!   .... and my Feather light!




Ora bem, já sei que seria muito mais fashion desejar uns Louboutin, uma mala toda xpto da Chanel, ou um daqueles casacos lindos da Burberry's que custam os olhos da cara e o olho do... Isso, estão a ver a ideia!
Mas não, nada disso, não sou uma rapariga fashion e embora goste de coisas bonitas, custa-me a gastar os €€! (Quer dizer, não me custa a gastar, custa é a ganhar!!)

Há anos - ANOS - que quero uma máquina de costura!
Sempre que me perguntam - Então, Ana, o que queres para o Natal / para os anos? - a minha resposta é sempre a mesma.
- Quero uma máquina de costura.

Nunca ninguém me levou a sério. Todos se riam de mim, todos mesmo, até a minha mãe que sempre costurou, que nos fazia as roupas quando éramos miúdos, que, caraças, fez o meu vestido de casamento! - até ela se ria de mim: - Para que é que queres uma máquina de costura, cachopa?!!
Homessa! Para costurar!

Pois este ano, quando estava mais do que determinada a comprar uma máquina para me oferecer no aniversário, eis que o Nuno decidiu finalmente levar-me a sério! As nossas intenções coincidiram e sou agora a feliz proprietária de uma máquina que faz 15 pontos! E casas de botões! Bolas!!

O primeiro projeto foi, com grande justiça, uma bolsinha para o Nuno guardar a GoPro! Isto cá em casa é assim, uma mão lava a outra! Uma pessoa dá e recebe. É por isso que vai funcionando tão bem!

Fervilho de ideias, só ainda não tenho é tecidos! E as linhas são caras com'um raio!

:)

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Difícil, mas necessária*

#Quote: "Forget the past. Remember the lesson."  So true!  Lessons learned ... Lost time ... A few regrets along the way, but it has def made us stronger. I would have never guessed this is how it would have all worked out, but so thankful!





Mais do que conviver bem com as opiniões alheias, aprender a aceitar o que os outros pensam de nós e ter ou manter uma imagem social, o mais importante, a mais elementar das chaves do nosso bem-estar é aprendermos a aceitar o que pensamos de nós próprios, aprendermos a aceitar a nossa verdadeira natureza, o que se passa cá dentro, aquilo que verdadeiramente somos. Sem artifícios, sem manhas.
Até podemos fazer, dizer, demonstrar aquilo que se espera de nós, mas o que sentimos, o que pensamos é unica e exclusivamente nosso.
Não há nada tão nosso como os pensamentos. Não há ninguém tão verdadeiro e honesto como a nossa cabeça e o nosso coração. E seja para o bem ou para o mal, sabemos sempre, sempre se estamos no caminho certo ou não. Mesmo que aos olhos dos outros não pareça, ou que o queiramos ignorar. Mesmo até que nos tentemos convencer do contrário.
Sabemos sempre quando fazemos o que está certo ou fazemos o que está errado.
Sabemos sempre que pontes lançamos e que pontes queimamos.

E esta sim, é *a verdadeira aprendizagem.

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terça-feira

Não é só a televisão que engorda, olhem o que vos digo!

Sunny skies, flat calm waters, and a wild orca, frolicking not because he was trained to, but because he wanted to, instinctively, in the wild as it should be.
Volumosa, porém ágil!!



Ora bem, sejamos honestas e chamemos os bois pelos nomes!
Eu não sou gorda, o meu peso está mesmo no meio das quadrículas do "Peso Normal" nas tabelinhas de avaliação de peso, não tenho nada evidentemente desproporcional no corpo e, regra geral, tirando a barriguinha e um bocado de celulite no rabo, sou do mais "normal" que pode haver.
Dito isto... CHIÇA PENICO!! Fico sempre em choque quando vejo as fotografias das férias!
Os bikinis são meus inimigos figadais! Ao espelho parece menos mal, mas em foto... senhores!!

Não sendo uma baleia, sou uma pequena orca, com a diferença de que não como plâncton. No meu caso, tudo o que vem à rede é peixe!!
Ahh, tão bem metida!


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segunda-feira

Live the dream, one mistake at a time








Acho que devem existir poucas séries de televisão mais realistas e verdadeiras do que Girls, da brilhante Lena Dunham.
Enquanto anseio pela nova temporada, revi alguns episódios e fico sempre com uma sensação de gratidão pela honestidade com que a série foi feita. Não é uma série bonitinha, cor de rosa, politicamente correta nem subjugada a moldes ridículos e castradores. Os atores não são todos lindos de morrer, não se vestem com as últimas tendências da moda nem vivem em casas deslumbrantes ou têm empregos glamourosos. Não é disso que fala a série. Fala de pessoas imperfeitas, amizades imperfeitas, relações imperfeitas, corpos imperfeitos, que na sua imperfeição são absolutamente reais e credíveis.

E é engraçado como estando a anos-luz da perfeição rosadinha que enche a televisão e nos chafurda com a cabeça, esta série me faz sentir muito mais normal.

Temporada 4, vem depressa!

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terça-feira

Igualdade



Não é só no Ano Novo que se podem tomar resoluções, principalmente porque raramente funcionam. Uma pessoa está cheia de açúcares vários dos doces de Natal, e o champanhe faz crer que tudo é mais simples e mais exequível do que na realidade é, por isso, rara é a intenção de Ano Novo que chega até março, e isto a ser otimista!
Assim sendo, e porque de hoje a um mês faço 40 anos e uma pessoa chega-se a esta altura e começa a pensar na vida, aqui vai uma resolução para o próximo ano (próxima década): Dar na mesma proporção em que recebo. Em todos os aspetos. Em carinho, preocupação, consideração, respeito, atenção e por aí fora.
Muito ou pouco, depende das situações e das pessoas.
Mas é isso, Dar na mesma proporção em que recebo. E por esta ordem. Não dar e ficar à espera de receber, mas dar consoante recebi. É um pouco/muito egoísta, pouco altruísta, mas eu também não me chamo Madre Teresa.

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quinta-feira

Há silêncios que falam

“Listen to advice and accept instruction, that you may gain wisdom in the future.” Proverbs 19:20







Eu sou despassarada em muita coisa.
Sou sempre a última a saber quem anda com quem, quem lixou quem e como, mas há situações em que sem saber bem de onde ou porquê, me chega uma sensação de que algo se passa.
Não é bom nem é mau, e de certeza que continua muita coisa a passar-me ao lado, mas pelo menos faz-me olhar com mais atenção para quem me rodeia e que pode precisar nem que seja de uma palavra meiga.
As palavras, por muito meigas que sejam, não resolvem grande coisa, mas dizem: Estou aqui para ti, pensei em ti; quis saber de ti.

Vivemos tão concentrados em ecrãs, que às vezes se torna difícil ver a vida e as pessoas.

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segunda-feira

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...

As convenções sociais servem para catalogarmos quase tudo na vida, as coisas, as pessoas, os sentimentos. Não que sejam a única maneira de nos adequarmos à vida moderna, dita civilizada, mas é um bom indicador do que "podemos" e "não podemos" fazer.
Convencionou-se que é feio interromper quem está a falar e provavelmente só o fazemos com maior descontração quando estamos entre amigos.
Convencionou-se que é mais elegante referirmo-nos a alguém como sendo "de raça negra", em vez de lhe chamarmos "preto"; que não devemos dizer mal de alguém nas suas costas; que nos restaurantes os guardanapos de pano devem ir para o colo e que não se diz a uma nova mãe que o seu bebé recém-nascido é feio (a este respeito há uma convenção muito engraçada que diz que todos os bebés são bonitos e lindos e fofinhos... Hmm, não acho verdade).
Mas além de todas estas "normas" politicamente corretas, existem também aquelas que estruturámos dentro de nós.
Por exemplo, para mim, um amigo de verdade não precisa de me ligar todos os dias, de mandar mensagens por tudo e por nada, mas tem de estar disponível quando preciso dele. Sendo que o inverso também acontece. Não falo diariamente com todos os meus amigos, mas se algum deles me ligar e perguntar (como às vezes acontece!) - Tens 5 minutos para me ouvir? - a minha resposta é inequivocamente sim, não importa o que esteja a fazer.

Quando uma amiga de faculdade, alguém que conheci há 20 anos me liga e me diz que temos de nos encontrar para beber um café, para lanchar, porque assim não pode ser, qualquer dia nem nos lembramos dos nomes uma da outra, fico com o coração cheio. Porque é verdade. Porque a conversa flui de um modo tão natural, tão despojado de salamaleques que parece que ainda na semana passada almoçámos juntas!

Depois não consigo deixar de sentir a diferença entre este tipo de amigos, que são de há milénios mas que a vida foi afastando, e outros mais recentes que se "esquecem" de perguntar sequer como estou.
Não são uns melhores do que os outros, as pessoas são diferentes e agem todas de formas distintas, mas cá dentro convencionei que uns são mais próximos e depois esta proximidade nem sempre se verifica.

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sexta-feira

Sugar, oh, honey honey!

Sugar skull cookies, $36 for a dozen, from SweetTweetsOnline.
E depois vou ao Pinterest procurar por "Sugar" e apetece-me comer tudo o que aparece nos resultados da pesquisa!!  É uma desgraça!





Leio regularmente algumas revistas e artigos sobre saúde, nutrição e exercício físico.
Retiro muitas dicas boas, fáceis de aplicar, que têm como objetivo final melhorar a alimentação, o bem-estar e a saúde.
Em todas, todas, encontro a demonização dos doces, do açúcar, das coisas mais saborosas desta vida! E pergunto-me, Por que raios tenho eu de ser tão gulosa?! Se pudesse comia doces todos os dias, de manhã, à tarde e à noite. Mas faz mal a tudo, a absolutamente tudo! Chega a um ponto em que já nem é bom para a pinha, porque mesmo que ao comer saiba bem, há sempre aquele grilinho falante que diz - Ai que isto está a alojar-se nas tuas veias, Ai que isso faz tão mal à pele, Ai que estás a dar cabo do fígado, dos rins, do coração, do cérebro!
Aiiii!

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quarta-feira

E se formos suficientes?




Não sei se foi sempre assim, mas parece que vivemos numa era em que todos queremos ser perfeitos. Principalmente as mulheres.
Instigadas talvez pela publicidade, que nos pressiona para que sejamos todas iguais, com medidas e pesos "aceitáveis", pele lisa e lustrosa e com corpos photoshopados em tempo real, andamos todas numa perseguição absurda para caber na imagem que insistem em enfiar-nos pelos olhos adentro.
Instigadas pelas exigências da igualdade entre os sexos no que diz respeito ao mundo do trabalho, andamos todas a tentar fazer mais para termos o mesmo reconhecimento. Ou nem isso.
E para quem tem filhos as coisas são ainda mais complicadas. Presume-se que uma mulher consegue fazer tudo, ser bem sucedida em tudo, ter tempo, disponibilidade e vontade para tudo.
Caramba!
E se aquilo que conseguimos ir fazendo for de facto o melhor que podemos fazer? E se não chegar para tudo for realmente o nosso melhor?
E se o corpo que temos, os quilos que temos a mais ou a menos, as rugas e borbulhas e estrias que o marcam forem como realmente somos? Como vamos ser? Mesmo com todos os cuidados - que sou uma forte apologista de cuidados com a alimentação, com o exercício físico e com a beleza, não só pela beleza, mas principalmente pelo nosso bem-estar, pela saúde - e se mesmo com todos esses cuidados sensatos, a nossa pele não for tão lustrosa como a pele das meninas dos anúncios, a nossa barriga não for tão lisa e as coxas não forem tão esguias e tonificadas? Somos menos por isso?

E agora personalizando a coisa: Mesmo com todo o esforço que faço para produzir não sei quantas mil palavras por dia, quando chego ao fim do dia e só consegui fazer metade, isso faz de mim um fracasso? Faz de mim uma profissional menos boa?
Ou será este o meu melhor, apesar de não ser o que tinha idealizado? Apesar de não ser o que queria, mas sendo o que posso fazer sem me matar?

Quando vamos perceber que se calhar já chegámos lá?
Que o nosso melhor é real, adaptado a cada uma de nós, à nossa força, à nossa vida e não é uma noção generalista incentivada pelos padrões pré definidos que surgem em revistas ideologicamente formatadas e digitalmente tratadas?

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sábado

Porque é mesmo assim, simples...

Quando começo um trabalho, faço contas aos números de páginas, às horas, aos dias, às folgas e embora me saiam sempre furadas (sou de letras, tenho sempre desculpa para contas que ao fim de uma semana já não batem certo!), inicialmente acredito sempre que vou cumprir o objetivo todos os dias.
Faço cronogramas elaboradíssimos, em Excel atentai!, com quadradinhos e colunas e espaço para registar os minutos que demoro a fazer uma página.
O pior é quando os quadradinhos ficam por preencher, ou os números que os enchem não são os que queria, os que precisava.
É por isso, que há pouco mais de cinco minutos, decidi reformar a tabelinha deste trabalho que parece não avançar. A ideia é ela ajudar-me a ver o progresso que vou fazendo, mas quando os espaços em branco me deixam mais angustiada do que aqueles preenchidos (ainda por cima com números horríveis) está na altura de adotar o mantra do costume e abandonar estratégias para meninos, que na verdade nunca funcionam.

Por isso, se uma página me levar 25 minutos, paciência.
É o que é.
Uma página é apenas um conjunto de frases. Assim sendo, voltamos ao de sempre - à unica coisa que funciona, porque não há mais simples do que isto, não há mais realista do que isto.

Uma frase de cada vez.
Vou fazer uma frase de cada vez.

O trabalho não pode ficar por fazer.


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segunda-feira

Incapacidade do dia

Bad spellers of the world UNTIE!






Estou absolutamente disléxica!
Não consigo escrever "mesmo", "dente", "peso" e mais uma carrada de palavras à primeira!
Escrevo coisas como "esmom", "mosme", "dnete", "detne" e "sepo". Coisas bonitas, portanto. (Portanto também foi difícil, já agora!)

Oh, god!! (ou oh dog!, esta já é clássica!)


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