segunda-feira, 24 de abril de 2017

Todos iguais


"A book is a device to ignite the imagination." Alan Bennett:


Ontem foi o dia mundial do Livro, que é um dia que me aquece sempre um bocadinho o coração, já que grande parte dele está cheio de livros!
Desde muito nova que leio compulsivamente. Leio tudo o que me aparece à frente, de todos os géneros, todos os segmentos, todos os autores (menos dois ou três cujos primeiros livros que li me causaram frenicoques de tão maus). Leio em três línguas diferentes com a mesma facilidade e além de me dar um prazer enorme ajuda-me muito no meu trabalho, que é: traduzir literatura!
Ontem vi muitas manifestações de amor aos livros e fiquei muito contente. Parece que a leitura está outra vez na moda, que as pessoas se interessam mais, que cada vez gostam mais de ler. 
Mas há uma «onda» de leitores snobes que me enerva: os que apregoam que lêem exclusivamente em papel; os que se dão ao trabalho de publicar quadrinhos e imagens a desdenhar dos e-readers; os que enaltecem o «cheiro do papel» como a mais autêntica característica da literatura; os que acham que ler em suporte digital é menos cool do que ler em papel. 
Eu, que sou tradutora literária leio quase sempre em suporte digital. Compro alguns livros em papel, mas apenas quando não há em e-book.
E o motivo é muito simles:
Gosto de histórias. Gosto DAS histórias. 
Do momento de leitura. Das asas que os livros me dão, do tanto que me ensinam.
Para mim, os livros são um bocadinho como as pessoas: é o conteúdo que interessa, não a forma.
E o cheiro do papel só me provoca espirros. Os livros de 700 páginas ou mais que gosto tanto de ler, dão-me cabo dos braços (braços esses que são essenciais para trabalhar, como acontece com toda a gente!). 
Ah, e tal, estás a ajudar a acabar com a indústria que te alimenta. Não estou. O meu trabalho não se esgota em papel, os livros que forem editados em suporte digital também precisam de tradução! 
Não sei porque é que uns têm de ser melhores do que os outros, se por dentro são todos iguais. 
Os livros que nos ficam no coração são eternos dentro de nós; não importa o formato.

Ler, para mim, é mergulhar em aventuras, em realidades que não são a minha, em sonhos que não são os meus. Ler é apaixonar-me por personagens que existem só na imaginação de quem escreveu e de quem lê. Ler é viver vidas que se estendem para lá da nossa.
E isso vale para vidas em papel ou em digital. 

A biblioteca da vizinha não é melhor do que a minha. Pode ser só diferente.

Importa é ler!

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Being kind is how we benefit the world.



Sat Nam is true identity. Sat meaning truth and Nam, identity. Sat Nam is in the sacred language of Gurmukhi: ਸਤਿ ਨਾਮੁ.:
True identity




Porque (à exceção da moda dos batidos e super heróis nutricionais) a minha noção de yoga, de vida, está aqui escarrapachada e porque quero guardar isto para memória futura:

"Every individual has the right to feel at the best of their abilities—to feel beautiful, loved, and important. With this right, though, comes the need to respect that same right in others.

When in full realization of ourselves, we honor our role in our communities, families, and society at large. We recognize how the life of another person is just as important as our own. Rather than being in competition against another, we develop ourselves alongside them.
Lately, our society is all about self-development. Growth is good, but when unsupervised, or with the wrong intention, it can lead to a self-centered attitude and lost of connection from community. With too much emphasis on the “self,” we find purpose only in ourselves.
When I hear about self-development programs—like meditations, juice cleanses and so on—I naturally want to join in. Who doesn’t want to feel good? When I see the trend it’s taking though, I’m wary of the dark side of this personal work. I’ve seen too many narcissists and egoists running wild in the self-help world, and can’t help but wonder if they started out that way.
I personally get bothered by the yoga student who, on top of holding a perfect posture, also feels the need to check others that are less proficient in that pose. That’s not what yoga is about for me. I am not in yoga to perform, nor to compare myself with others, and I would hope other yogis would feel the same.
If yoga and meditation lead people to feeling more important than the rest of the world, something isn’t right. Sure, there might be a point in our practice when we feel that we have reached a more profound, elaborate form of ourselves. We may notice ourselves performing faster or stronger than the people around us. Let’s not take pride in it. We’re not in practice for the pride. We’re not in yoga for our ego. Not everyone moves the same way or at the same pace. As yogis, we have to respect that.
It is good to feel confident about ourselves—that we have found ourselves, our goals, our purpose. Can we decide, then, to share our good energy? We want others to feel as good as we do, right? Let’s show our community how to be a whole, how to be mindful, how to love ourselves and others. If we can do it through yoga or a simple daily practice, we can inspire those around us to be better people in the world. 
When we feel truly flexible and good within ourselves, “corpe sancto y espiritu santo” (right body, right mind) I believe our ultimate purpose is to help others feel that way too.Yoga and meditation are about improving our health and overall wellbeing to realign our bodies and minds with the world. They teach personal harmony and awareness of ourselves and our communities. When done well, we feel more connected, not just with ourselves but with others on both a personal and global level.
We can develop our egos to limitless capacities, but this is not the mindful life. This is not what yoga, meditation, and self-development are truly about. Instead, it is about love. It is about listening to what our bodies and the world need most. Listening, and being kind, is how we benefit the world.
We are all part of a whole. Your role as a yogi is to love and make the world a better place. If you think you’ve reached a point of achievement, then take your practice outside of the studio and share the goodness around.
Like the wise adage says, “My liberty ends where yours begins.” Dear yogi, remind yourself every day that you are not the only human in the studio or the world. When you feel your skill getting to your head, breathe in this awareness and exhale your ego. Open your arms and let yourself be guided with love. Be kind and compassionate to others, and be grateful for the lives of those who share your studio. This this the path of a true yogi, and to a joyful life. "


Retirado do fantástico Elephant Journal. 



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terça-feira, 18 de abril de 2017

Eu amo-me, eu adoro-me, não posso viver sem mim - ou uma ode ao amor prórpio!


Yesssss! Don't have this problem anymore since NASA has a gym onsite but back when I workout at 24 hr fitness... good grief! -.-:


Quase todas as salas do ginásio onde treino têm paredes de espelhos, como aliás acho que são capazes de ter todos os ginásios, uma vez que é útil olhar para o espelho e observar/retificar a postura enquanto se faz exercício. Muitas lesões surgem precisamente devido a posturas incorretas e parece-me lindamente que a malta avalie a curvatura da lombar e se os joelhos estão ou não a 90 graus!
Nas aulas de Body Balance, o espelho é útil por estes motivos também, além de que ajuda ao equilíbrio, essa parte fundamental quando se tem dois dedos e pouco mais assentes no chão!
Numa das aulas de Balance que fiz na semana passada não pude deixar de observar uma miúda que estava ao meu lado, porque passou a aula toda a admirar-se, a virar a cabeça para ver o perfil, a consertar o cabelo, a puxar a alça do top mais para cima ou mais para baixo, a virar a anca para olhar para o rabo, a espreitar para todos os ângulos e cantos e a borrifar-se para a curvatura dos ombros, para o ângulo das pernas ou se estava ou não com o pescoço em tensão!
(Eu própria quase fiquei com um torcicolo só de olhar para ela!)
Qual alinhamento de postura, qual carapuça, importa é saber que lado a favorece ou se na próxima selfie que tirar com um sorriso - absolutamente genuíno - nos lábios o melhor será virar o rosto para o outro lado. E fazer beicinho.
Ou empinar o rabo. 
Ou levantar os braços para as mamas parecerem maiores e mais juntinhas. 
Ou todas as anteriores!

Há quem lhe chame narcisismo, eu cá chamo-lhe amor próprio, daquele que vem anunciado tantas vezes nas frases inspiradoras.
Ame-se, mime-se, adore-se.

Ou então vaidade, também pode ser só vaidade.


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Humm...

Resultado de imagem para a amiga genial

Tenho amigas estupidamente cultas em termos gerais mas mais cultas ainda em termos literários.
A literatura traz muitas coisas boas à vida das pessoas, sendo que uma dessas coisas é aproximar aqueles que gostam de partilhar histórias e de falar delas. Somos os tais ratinhos de biblioteca, que devoram livros como se fossem ar, ou chocolate!

Por isso, quando comecei a ouvir estas minhas enciclopédias ambulantes a falar do livro A Amiga Genial da Elena Ferrante, tomei nota do título mentalmente para lhe deitar a mão assim que fosse possível.
Foi possível na sexta-feira passada, mas li 40 páginas e não voltei a pegar nele...
Sei que ainda é muito pouco, mas não gostei das personagens (que são mais do que as mães) e nestas poucas páginas apeteceu-me ir às ventas à tal da Lila uma meia dúzia de vezes.

Aconteceu-me o mesmo com o Liberdade do Jonathan Franzen. Detestei aquela gente toda e custou-me a ultrapassar este facto e a concentrar-me na escrita, que é maravilhosa.
Depois cheguei ao fim e gostei bastante do livro como um todo.
Gosto de gente imperfeita, tanto nos livros como na vida real e no Liberdade esta imperfeição está perfeitamente retratada.

Neste da Elena Ferrante ainda não sei. Mas é muito estranho em mim ler 40 páginas de um livro e depois nem me lembrar mais dele. Esquecer-me efetivamente que o comprei.

Mas os meus ratinhos de biblioteca não se costumam enganar. 
Vamos ver!

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terça-feira, 11 de abril de 2017

Idiotas e sarcásticos.


Funny Ecard: I just rolled my eyes so hard I think I saw my brain.:


Há uma cena que acho que preciso de fazer, mas como leva tempo e exige muita dedicação, tenho primeiro de pensar bastante sobre o assunto, sobre a metodologia e sobre a execução.
Embora na maior parte das vezes não exteriorize nem me manifeste, as pessoas irritam-me.
Assim, na generalidade. As pessoas enquanto substantivo coletivo, sendo que consigo isolar algumas individualmente, passe a redundância.

Irritam-me as pessoas que tratam toda a gente por tu nas publicações inspiradoras que partilham nas redes sociais: Vai, porque tu consegues! Quando sentes que a vida está a ir com os porcos, levanta os braços e vai à luta! Tu consegues! Levanta o rabo do sofá e faz-te à vida! Tu consegues!!

Irritam-me as pessoas que estão sempre a fazer choradinhos e a colocar a casca de ovo do Calimero na cabeça: Ohh! A minha vida é tão difícil. Ohh! Tenho tantas dores de coração. Ohh! Ainda estou  tão longe do meu objetivo. Ohh, não consegui correr um quilómetro em 30 segundos! Ohh! Ninguém está para me aturar. Ah, pois não!

No seguimento desta irritação, irritam-me as ovelhas estão para as aturar, que vêm passar a mão pelo pelo e que respondem cegamente ao choradinho: Ohh, mas tu és uma guerreira, lutas pela vida! Ohh, quem me dera ter a tua força e dedicação! Ohh, quem me dera poder treinar/comer/beber como tu! Ohh, mas vais ver que o teu príncipe vai chegar e o coração vai melhorar! Ohh, mas já estás uma brasa; estás tão magra; estás linda; quem me dera a mim! És uma guerreira! Ohh, estou cá eu para te ouvir sempre que precisares! Ohh, és uma guerreira! (Esta irrita-me particularmente, não sei se dá para ver.)

Irritam-me as pessoas que insistem em partilhar os dados - números, estatísticas, tempos - dos treinos, como se isso interessasse a mais alguém que não aos próprios. Ouçam, ninguém quer saber! Ninguém está a olhar para quantas calorias queimaram, nem quantos minutos levaram a fazer um quilómetro! 

Irritam-me as pessoas que continuam a partilhar fotografias de copos de skyr, como se encontrar a porra do iogurte fosse por si só um ato de valentia. É iogurte, não é nenhum troféu e garanto-vos que ninguém vai ficar subitamente magro e fit por comer iogurte! É iogurte!!
Neste campo da comida, nem vou entrar no que me irritam os pequenos almoços fit, só com claras de ovos e pós milagrosos, porque tenho um livro para acabar e o tempo escasseia!

Além disto, irrita-me a sobrevalorização da sexta feira e a desvalorização da segunda. Coitadinha da segunda, que é um dia tão fixe e útil como os outros anda sempre com uma nuvem cinzenta atrás. 

Enfim, estas são apenas algumas das (muitas) coisas que me fazem comichão nas meninges. Também sei que todas as minhas irritações são absurdas, coisa que por si só me irrita! Por isso, urge fazer alguma coisa, porque ando farta de revirar os olhos e parecendo que não, isso mexe com a vista.

Tenho de fazer as pazes com a humanidade. Com as pessoas.
Tenho de ver as coisas pelo que elas são: maioritariamente pedidos de atenção, de mimo, de validação. E pensar no que está por trás. Pensar se posso fazer alguma coisa para ajudar em vez de julgar.

Tenho de fazer o que quero que façam comigo, que é deixarem-me em paz na minha vidinha e que se borrifem para mim quando partilhar, disser ou fizer alguma coisa que possa irritar os outros. 

Tipo escrever textos idiotas.


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segunda-feira, 27 de março de 2017

É só um texto...


Funny Pictures Of The Day – 36 Pics:


Às vezes a vida é sacana, as coisas não são como gostaríamos, como achamos que merecemos, como seriam se fôssemos só nós a mandar na chafarica.
Passo por várias fases quando as coisas não me correm de feição. Irritação, incredulidade, esperança de que tudo se resolva, absoluta fé de que sou capaz. E novamente irritação, incredulidade e mais irritação quando afinal percebo que não, as coisas não vão mudar, por muito que esperneie ou tente encontrar uma forma de contornar os problemas. 
Esta fase de aceitação custa-me muito. É uma espécie de derrota. Meter a viola no saco e vergar-me à situação magoa-me as meninges. 
Mas depois também penso que faz parte da vida aceitar o fracasso, porque apura a resiliência, faz-nos crescer enquanto pessoas e constrói o carater. 
Faz parte, enfim.
E então lá vou, fazendo o que posso, o melhor que posso, com aquilo que tenho disponível.
Na maior parte das vezes acabo por me safar bastante bem.
Outras fico com a pulga atrás da orelha até a coisa chegar ao fim - ou até me passar, o que nem sempre é a mesma coisa.
Mas acabo sempre por conseguir lidar com os caprichos da vida.
E acabo a sentir-me mais forte, mais resistente, com um carater fortíssimo!

É o que espero que me aconteça desta vez também.

Porque por muitas voltas que dê ao sacana do ficheiro, não lhe consigo tirar a marca de água nem que a vaca tussa! Já me passou a irritação, já me passou a confiança e a fé, já esgotei todas as possibilidades de o manipular e tirar a porra das letras de cima do texto, por isso que remédio tenho eu senão trabalhar com ele assim!
:)

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segunda-feira, 13 de março de 2017

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Shop & subscribe to organic and all natural products now at...:


Isto de se ser pessoa é um trabalho que nunca está acabado.
Ainda há pouco o disse e é o que sinto: todos os dias me esforço por ser um pouco melhor; por ser mais atenciosa, mais bondosa, mais solidária, mais compreensiva com os outros, mantendo sempre a minha originalidade e coerência.
Acho que estou a fazer um bom trabalho. Faço um bom esforço por melhorar e orgulho-me disso.
Gosto de fazer com que as pessoas que se cruzam comigo se sintam bem, gosto que se sintam apreciadas, ouvidas, elogiadas, compreendidas.
Agora só me falta pôr isto tudo em prática comigo também.
Não é uma ideia nova, não é revolucionária nem muda nada além da minha própria vida, da perceção e apreço que tenho (ou que preciso de ter) por mim.

Tenho a teoria toda, dedico muitas horas a pensar nestas coisas (normalmente quando devia estar a dormir...), sei que tenho de ser tão boa para mim como tento ser para os outros.

Com o tempo chego lá.

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terça-feira, 7 de março de 2017

Bom dia!


Have a wonderful day | @ohkittylo:

Tenho estado a trabalhar a um ritmo mais modesto, porque continuo com umas inflamações tramadas nos cotovelos (mas a melhorar a olhos vistos, graças às fantásticas sessões de fisioterapia com a Andreia!), e porque se aproxima uma temporada de páginas e mais páginas e mais páginas! Mesmo como eu gosto!

Como tenho estado mais por casa, começo a sentir-me outra vez tipo bichinho do mato: quanto menos gente vejo, menos gente me apetece ver. Livros, séries, gatinhos e o Nuno chegam-me perfeitamente, obrigadinha!
Mas hoje quando vinha para o Factory disse bom dia a quatro ou cinco pessoas diferentes, sempre com um sorriso, sempre espontaneamente, algumas vezes tomei a iniciativa, outras respondi ao cumprimento. (Descobri que as pessoas só precisam que olhemos para elas com um ar simpático para se sentirem à vontade para nos cumprimentarem!)

E cheguei aqui a pensar que estar uns dias em casa é muito bom, mas começar o dia a dizer bom dia às pessoas também é! 

Aninhas, a fazer amigos na freguesia desde 1900 e carqueja!

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Experiências!


#complaintfree, #nocomplaining, no complaining, complaint free, optimism, positivity, positivism, positive thinking, august goals, mid year check in, mid year resolutions, august challenge, 21 day challenge, monthly challenge, 30 day challenge, no complaining challenge, change your attitude, grateful, gratitude, complaint free world bracelets, will bowen, no complaints challenge, jyo, pumpernickel pixie:


Ainda ontem falei disto a uma amiga, mas vou fazer uma experiência que dizem ser revolucionária e operar milagres na forma como passamos a olhar para a vida.

Então: ultimamente ando a reparar que de manhã, ao acordar, a primeira coisa que faço é um inventário de dores.
Dói-me a cabeça? Doem-me as costas? Os braços? As pernas? Os olhos? A garganta?
A seguir lamento-me por ter de sair da cama quentinha, por não poder dormir mais 15 horas, por não saber o que vou vestir, por estar com olheiras, por a maquilhagem não tapar o que devia e porque o cabelo acordou todo espetado.
O café queimou-me a língua e o que me apetecia mesmo era uma torradinha de pão de trigo e um croissant.
A meio da manhã, queixo-me que tenho sono, que já estou com fome outra vez, que há muito barulho, que está muito frio, que o toque de telemóvel do vizinho do lado me irrita e que o dia nunca mais chega ao fim.
Queixo-me que o trabalho está difícil, que não dou com aquela frase nem por nada, que raios partam se o autor não despachava isto em menos 100 páginas (ou o contrário, quem me dera que tivesse escrito mais 100 páginas!).
A meio da tarde já me dói o braço, e as costas, e os olhos. 
Ai a minha vida, pobre de mim!
Entretanto, barafusto porque o lanche foi engolido à pressa, já não vou a tempo da aula que queria fazer no ginásio, caraças, mais um dia em que não faço o que queria.
O jantar até está bom, mas faço o relatório do dia e por entre as mil coisas boas que posso dizer, lá vêm as queixinhas, os lamentos. 
À noite, ora bolas, que não consigo ler mais porque estou com tanto sono! Ou, não consigo dormir, porque estou outra vez com insónia! 
Oh, quem me dera poder ver mais televisão, ler mais uma hora e ainda ter tempo para preparar a roupa para o dia seguinte, para fazer os farnéis, para relaxar, para dormir.

Chiça.
É cansativo!
É muito cansativo andar sempre a reparar no que está menos bem e queixar-me de tudo! 
Todos os dias me dói qualquer coisa, todos os dias escaldo a língua no café, todos os dias me lamento de qualquer coisa!
É mesmo muito cansativo e traz uma nuvem cinzenta que não precisa de cá estar.
Pois acabou-se! 

Vou tentar passar um dia inteiro, INTEIRINHO, sem me queixar de nada nem de ninguém, sem espingardar, sem resmungar que as coisas não são todas como eu quero. 
Vou excluir propositadamente todos os comentários negativos e queixinhas! Não vou dar importância à dor do dia, vou avançar dia fora com a intenção de reparar e comentar APENAS sobre as coisas boas!
Não sei se consigo fazer isto assim logo, logo à primeira, mas caraças, vou tentar!

Hoje está um lindo dia, está sol, a temperatura está amena e deve ser o primeiro dia do ano em que não senti necessidade de usar um cachecol!
Não escaldei a língua com o café e as torradas que comi estavam um espetáculo!
Vou almoçar com o amor da minha vida e se calhar até como um bolinho!
Que tal?
É bom, não é?

:)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Disponibilizemo-nos para as coisas boas!

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Parece que às vezes a vida fica assim uns tempos em suspenso. 
Em piloto automático.
Mesmo que não pare de todo, instalamo-nos nos dias sempre da mesma forma, a fazer as mesmas tarefas, a pensar as mesmas coisas e a arrastarmo-nos por entre as obrigações, os medos, os desejos, sem vermos o que se pode estender mais à frente.
Já sei, já sei, a melhor forma de viver é estar presente no presente (passe o pleonasmo!), não ficar preso no passado nem ansiar pelo futuro, mas é importante olharmos em frente e vermos que há futuro, que há perspetivas. É importante olharmos para trás e percebermos que o que passou, passou; o que aconteceu aconteceu por algum motivo. É importante encontrar a paz em relação ao passado. Não há nada pior do que ficar-se preso no que já foi, sem se conseguir apreciar o presente nem vislumbrar um (bom) futuro.
É preciso garra, iniciativa e coragem para quebrar este círculo, para esquecer o que lá vai, quem lá vai, para acolher coisas novas, pessoas novas, para aceitar desafios novos e principalmente para mudarmos de onda, de forma de pensar.
Acredito muito que tudo na vida é uma questão de perspectiva e disponibilidade emocional. De mudanças. Mesmo quando a vida está boa, uma alteração ou outra pode trazer um novo fôlego, uma vontade renovada de fazer e viver.
Para mim, que gosto de mudanças e que resisto à cristalização, nada me dá tanto gosto nem me alarga tanto os horizontes como ter coisas novas para fazer, sítios novos onde ir, pessoas novas com quem interagir.
Gosto de desafios, de novidades, acolho-os de braços abertos. Também me assusto, também hesito, às vezes até resisto, mas nunca recuo. Nunca me acobardo.
Incluo muitas vezes a coragem, a determinação, a disponibilidade para a novidade nas minhas meditações, nas minhas declarações de intenção.
E tenho colhido os frutos.

Tudo é uma questão de disponibilidade emocional.
Quase tudo é exatamente como o pensamos. Como nos dispomos a pensar.


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Sleepless

.So me  Too true.:

Nas duas últimas noites não dormi um total de oito horas. Se dormi quatro horas por noite foi muito. 
Não me estou a armar em Prof. Marcelo, nem nada que se pareça, mas há dias (ou noites) em que o sono simplesmente não vem. 
Na primeira noite tive dores de cabeça monumentais, andei todo o dia a pisar algodão e não dormi sesta nenhuma, pensando que quando chegasse à cama no domingo à noite ia cair que nem um tordo. 
Não caí.
Como já sei o que a casa gasta (tenho destes fanicos desde os 14 anos, mais coisa menos coisa), para não me passar e ficar acordada até de manhã, pus-me a ler, para ver se a coisa se dava. Acabei por fechar o livro porque a história não me está a puxar como devia e honestamente misturar insónia com leitura por frete ou obrigação é um bocadinho deprimente. 
Saltei para outro livro, mais ligeiro, li dez minutos e passava pouco das quatro e meia quando comecei a bocejar.
Acordei às oito com as marteladas dos senhores que estão a arranjar os patamares do prédio, sendo que só me roubaram meia hora, que o despertador tocava às oito e meia.

Hoje, não só tenho a sensação de que estou a caminhar novamente sobre nuvens de algodão, como sinto que o faço num severo estado de embriaguez. Doem-me os olhos, estão pesados, ardem-me; a cabeça está um pouco zonza, ausente, e estou a franzir continuamente a testa, o que me dá um ar sisudo e distante.
Trabalho à velocidade de uma lesma. 
Não estou cá. Nem sei o que estou a fazer. As letras teimam em fugir-me.
Estou a tentar não pensar muito que esta noite é que vou dormir, que me deito às dez e durmo até os senhores chegarem amanhã, às oito. 
A expetativa dá-me sempre cabo dos planos todos. Por isso, mais vale não pensar muito.




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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Cowork

Image may contain: indoor
Esta é a sala onde trabalho! Não é fantástica? :)

Isto há coisas mesmo engraçadas. 
Andei aqui anos a fio a enlouquecer aos bocadinhos porque trabalhava unicamente em casa e apesar de adorar a minha casa e não me sentir tão confortável em mais lugar nenhum, a verdade é que de vez em quando as paredes pareciam engolir-me. 
Tanto andei, tanto andei que aluguei um espaço para trabalhar no fantástico Cowork do Factory de Braga. Adoro trabalhar lá, sinto-me muito à vontade, trabalho bem e gosto dos meus "vizinhos". Adoro descer as escadas e dar duas de treta com as meninas da receção ou descer mais um lanço e ir à copa fazer um chá. Encontrei um espaço feliz que faz sentido para mim e onde o meu trabalho rende como nunca.

E desde que estou no cowork que deixei de me importar por ficar de vez em quando a trabalhar em casa! 
Até gosto!
Já me sabe bem ficar aqui um dia ou outro, o trabalho também rende bem, consigo concentrar-me e já é a segunda ou terceira vez que se aproxima o fim de um livro e se apodera de mim a vontade de o acabar em casa! 
Depois, regresso toda contente ao mundo cor de laranja!

Parece que agora que já não é a minha única opção, voltei a sentir-me bem aqui com o meu pc pequenino, que de vez em quando dá o berro!

O outro senhor é que tinha razão, Estou bem onde não estou! 
Ou estou bem em todo o lado, que é melhor ainda! 

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Problemas de primeiro mundo!

Resultado de imagem para stop

A onze de janeiro ainda se podem estabelecer intenções de Ano Novo, não podem?!

Então cá vai:

Este ano quero perder a mania de verificar o e-mail de cinco em cinco minutos.
...

(Quem é que quero enganar? Deixem-me reformular.)

Este ano quero perder a mania de verificar o e-mail duas vezes por minuto!

Apre!

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Como um floco de neve


Snowflake by Alexey Kljatov:
Sei que já escrevi sobre isto, mas não me lembro quando e não me apetece procurar. De qualquer maneira, há coisas que devem ser escritas muitas vezes, porque são úteis de recordar.

Para mim, uma das coisas mais assustadoras da vida é achar-se que as pessoas, chegadas a uma certa idade ou estatuto, já não aprendem nada; já não precisam de aprender nada. 
Que já sabem tudo. Acho tristíssimo.
Faço os possíveis para nunca me deixar cair nesta forma de pensar, para nunca achar que já sei tudo. Porque não sei nem da missa um terço.
Quero aprender coisas todos os dias, quero descobrir novos interesses todos os dias, quero poder retirar sempre uma lição, um ensinamento de tudo o que faço e de todas as experiências por que passo. 
Dito assim pode parecer muito lírico, muito simples, mas às vezes há coisas que já sabemos e que, sabe-se lá porquê ou como, vamos esquecendo. Quando as recordamos, quando as trazemos de volta à consciência, podem não ser uma descoberta do momento, mas não deixam de ser menos poderosas por isso.

Sou daquele tipo de pessoas que precisa de falar de tudo e mais alguma coisa. Verbalizo o que penso e sinto com facilidade e muitas vezes é a conversar, a debater que desconstruo as coisas que me incomodam e as entendo melhor. Também gosto de partilhar, de contar coisas às minhas pessoas, mesmo que as coisas não lhes digam respeito. Se estou envolvida nelas, se me dão prazer (ou se me incomodam, se me irritam) sinto necessidade de as partilhar. 
É assim que funciono, é assim que me organizo, que recalibro e para mim não existe a noção de partilha em demasia (isto em relação aos que guardo no coração, evidentemente, que não ando pela rua a comentar os assuntos de ninguém, nem a pôr a minha vida ao sol!).

Por outro lado, sou tão centrada em mim mesma, tenho por vezes tanta certeza de que a minha forma de ser é a mais acertada, a melhor e mais eficiente (e para mim é), que fico sempre muito surpreendida, genuinamente atordoada quando me apercebo (ou me relembram) que nem todos somos iguais. 

As pessoas não são todas iguais - e muito menos todas iguais a mim. Não pensam da mesma forma, não reagem da mesma forma e, sobretudo, não precisam das mesmas coisas que eu preciso para atingir o mesmo nível de satisfação pessoal. 
Por isso, é muito injusto julgar os outros pela bitola com que me rejo, esperar dos outros o mesmo tipo de reação que eu tenho, e é terrivelmente injusto da minha parte, vergonhoso quase, ficar triste, desiludida ou zangada quando acho que os outros não reagem de acordo com os meus padrões ou expetativas. 

Nem todos somos iguais. Não pensamos todos da mesma maneira. Não precisamos das mesmas coisas. Não posso julgar os outros da mesma forma que me julgo a mim. Porque não sou igual a ninguém. Ninguém é igual a mim. Presumir que assim é, é alimentar a injustiça, o egoísmo e uma arrogância que não quero manifestar e que acho que não faz verdadeiramente parte de mim. 

Não sou igual a ninguém. Ninguém é igual a mim. 
A ver se nos próximos tempos não me esqueço disto.
Às vezes tenho dificuldade em aprender algumas coisas e naqueles momento que antecedem a "redescoberta" levo tudo e todos à frente.

Só mais uma vez: Não sou igual a ninguém. Ninguém é igual a mim. 

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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Be kind...

it's important. @thecoveteur:


Há algum tempo que, cá por coisas minhas, acredito que a melhor resposta para tudo é a bondade. Na bondade incluo a simpatia, a solidariedade, a ausência de juízos de valor e até a tolerância, uma palavra e uma noção de que não gosto particularmente por me parecer quase sempre sobranceira. Mas sim, às vezes é preciso ser tolerante.
Procuro aplicar estes princípios em todos os aspetos da minha vida, com toda a gente com quem me cruzo e até comigo. Também temos de ser bondosos connosco.

Já engoli grandes sapos para responder com bondade, já me magoei e já fiz das tripas coração para ser bondosa para outras pessoas. Algumas merecem o esforço, outras nem por isso. 
Mas faço-o porque acredito que é a melhor abordagem para mim.
Tento sempre que esta atitude seja natural, instintiva, mais um reflexo da pessoa que quero ser e não uma coisa imposta, artificial ou forçada. É que a bondade, a gentileza, a solidariedade e a satisfação de fazer coisas boas alimentam-se a si próprias e chamam umas pelas outras; multiplicam-se, enchem-nos a alma até serem parte de nós. 

Hoje fiz uma coisa que me fez sentir uma cabra e mesmo que tenha tentado contrariar a seguir com boas ações, tenho um peso na consciência, uma mancha no meu linho.

A meio da manhã fui comprar um folhado misto porque não tinha tomado pequeno almoço e estava com fome. Na pastelaria estava uma senhora de leste, meio esfarrapada e encardida a comprar um croissant. Reparei nela porque estava à minha frente na fila, mas não fiz qualquer juízo de valor, nem pensei em nada.

Alguns minutos depois, já no cimo da rua, a mesma senhora veio pedir-me esmola, que tinha fome e gostava de comprar «um triguinho». 
Olhei para ela e depois de hesitar durante dois segundos disse-lhe: «Acabei de a ver comprar um croissant. Com esse dinheiro, comprava dez triguinhos.»
Ela olhou para mim também durante dois segundos e voltou a pedir-me dinheiro para o pão.
E eu virei costas e fui à minha vida.

Dei meia dúzia de passos e comecei a sentir-me tão zangada! Não com a senhora, que tem todo o direito a comprar o que lhe apetecer para comer, mas comigo, por lhe ter respondido desta forma, por ter tido a arrogância de lhe dizer que em vez de um croissant devia ter comprado dez pães. 
Não tinha necessidade nenhuma de o fazer. 
Não lhe dava dinheiro e pronto, continuava o meu caminho sem a ter julgado porque lhe apeteceu um croissant.

Eu sou tudo menos santa, não quero atingir nenhum patamar de perfeição e já fiz muita merda mal feita na minha vida, mas a certa altura decidi que o mais importante de tudo é o que EU sei de mim, o que penso quando me vejo ao espelho, o que guardo no coração e no pensamento. 
O mais importante é a tranquilidade com que à noite deito a cabeça na almofada e consigo adormecer de consciência limpa e cristalina. 
Habitualmente consigo.
Mas hoje sinto-me pesada.
Dei uns passos atrás.

E não sei o que vou escrever para o meu Happiness Jar. Até agora não tenho grande coisa.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Se funciona...


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Não é que me tenha virado de repente para as questões místicas ou esotéricas, nada disso, mas como boa menina de educação católica que a certa altura começou a questionar a existência do deus das igrejas, comecei a sentir necessidade de acreditar num ser superior, numa força que me comanda e numa justificação para aquelas cenas da vida que não quero/posso controlar e/ou admitir. 
Acho que faz parte da natureza humana. Somos pequeninos, insignificantes grãos de areia num deserto imenso e dá jeito pensar que há algo maior do que nós, seja um deus, um redentor, santos, vibrações, planetas ou constelações e ciclos solares. 
Ao mesmo tempo, tenho vindo a fazer um caminho interior muito interessante e conheço-me melhor agora do que há uns meros 12 meses. Confio mais em mim, sinto mais segurança e estou a borrifar-me para o que a generalidade do mundo possa pensar!
Preocupo-me mais comigo e já consigo pôr-me muitas vezes em primeiro lugar. Sou mais honesta.
Este ano, esperei pelas alturas certas para arrumar gavetas, para olhar para o espelho e pôr tudo preto no branco, dizer o que não podia dizer a mais ninguém, assumir o que não queria assumir, castigar-me e recompensar-me por isso.
Não virei mística, mas estou atenta às vibrações que me rodeiam, ao instinto, ao momento certo para cada atitude. À maneira de pensar e imaginar o futuro.

Sei o que quero ser, sei o que quero fazer e sei como lá chegar.
Mas também sei que com ajuda chego lá mais depressa!
A questão de mentalização, do pensamento positivo, da manifestação clara do que quero é uma ajuda preciosa para mim, que racionalizo e desconstruo mesmo o que não precisa de ser racionalizado ou desconstruído, mas funciono assim, foi o que fiz durante todo este ano que acaba agora e não me saí mal!
Na verdade, nunca me senti tão bem!

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Esperança

Even after everything that ive been through the only thing that cant afford to lose is hope, hope in a better future. Hope that someday God will give me some sort of happily ever after....:

Não sou muito de alimentar dores desnecessárias, de sofrer quando não posso fazer nada para acabar com o sofrimento, nem me dou a histerias coletivas ou àquelas ondas que periodicamente avassalam as redes sociais. 
Não vejo vídeos de animais a serem maltratados, não vejo vídeos a puxar ao sentimento, seja sobre as mães, sobre as crianças, sobre os velhinhos, sobre o que for. Não partilho imagens desesperadas de catástrofes naturais nem imagens de guerra. De pessoas em sofrimento então, recuso-me terminantemente a partilhar. A maior parte das vezes essas imagens deixam as pessoas cheias de piedade, de pena, mas não resolvem o que é preciso resolver.
Chamem-me avestruz, acusem-me de enterrar a cabeça na areia e digo-vos que sim, sou pois. Recuso-me a sujeitar a minha alma, o meu coração a desgraças contra as quais não posso fazer nada; recuso-me a ficar em sofrimento. Chamem-lhe cobardia, eu chamo-lhe autopreservação.
Mas sou sensível (talvez até em demasia) ao que se passa no mundo. Choca-me ver imagens de guerra, de desgraças, de tristeza. Fico triste para lá do que é razoável. E na maior parte das vezes não posso mesmo fazer nada. 
Hoje partilhei no Facebook e no Instagram uma imagem de Aleppo completamente destruída. Onde antes existiam prédios, casas de pessoas como eu, agora há apenas montes de tijolos, cinzas e pó. Partilhei a imagem de uma cidade destroçada, mas sei que por baixo de tantos destroços devem estar muitas pessoas. E fiquei também eu em frangalhos. 
O que posso fazer? Eu, euzinha, pequena e insignificante?
Assino as petições que me parecem relevantes e já contribuí várias vezes para campanhas de angariação de fundos, sempre na modesta medida das minhas posses. Mas o que posso fazer mais? A assistência e ajuda internacional não chegam à Síria, as pessoas não conseguem receber ajuda. Os governos que podiam ajudar a resolver isto não o fazem, e imagino porquê. Se Aleppo estivesse sobre imensas reservas de petróleo, a ver se a ajuda não chegava. A ver se as grandes nações não se mobilizavam.
Mas ali não há petróleo, só há pessoas.
Quem pode não faz nada e eu, o que posso fazer?
Não sei mesmo.
...

O que não posso fazer é parar a minha vida, deixar de sentir uma gratidão imensa pela paz que temos aqui no nosso pequeno canto. Não posso deixar que esta tristeza continue a instalar-se no coração, que esta dor de alma alastre. 
Não posso deixar de procurar maneiras de ajudar. Mas como?

A única coisa que posso fazer é ter esperança.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ternura

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Podia dizer que sou emotiva, que é uma palavra bonita, mas a verdade é que sou piegas, muito piegas. Sou de lágrima fácil, qualquer coisa me comove. Uma música, uma frase, um poema, um filme, até os anúncios do Skip, valha-me Deus. 
Mas nada, nada neste mundo me comove mais do que a ternura, as demonstrações de ternura. 
Estremeço de emoção quando vejo a bondade e generosidade dos gestos de ternura.
Há poucos sentimentos mais nobres e mais completos do que a ternura.
Às vezes basta um «Anda cá», um «Vai passar» ou um abraço mudo. 

Até a palavra é bonita: ternura.

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