terça-feira

Been there done that... Because apparently I don't learn.



Sou daquelas pessoas idiotas que diz com frequência:
Ah, eu cá trabalho muito bem sob pressão. É até quando trabalho melhor!

Digo e como se isto não fosse prova suficiente da minha idiotice, quando o digo estou mesmo a falar a sério, ou seja, sinto mesmo que trabalho bem sob pressão, com os dias contadinhos, com X páginas para fazer por dia, com seis horinhas de sono, porque afinal quem é que precisa de dormir oito horas por noite (EU!! Eu preciso!).
Acredito que consigo fazer tudo, que consigo trabalhar 12 horas por dia, sem folgas até chegar ao fim dos trabalhos se for necessário.

Parva.

É evidente que o trabalho acaba por ser feito, e na maior parte das vezes dentro dos prazos. Mas o resto, bem o resto fica todo para trás.
E por resto quero dizer a vida. As horas de sono; as horas de ginásio, as horas de não fazer nada.
As horas em que me apetece estar deitada em cima da cama só a pensar. As horas para namorar.
Depois começam as dores de peito e de cabeça, as insónias, o apetite a voar, os quilos a desaparecer. 
As lágrimas a aparecer por tudo e por nada (principalmente por nada). 

E juro sempre que da próxima vai ser melhor, que vou planear melhor. 
O meu problema não é ser preguiçosa, que não sou. Mas nem sempre planeio bem as coisas. Nem sempre digo que não quando devia dizer. Nem sempre tenho consciência dos meus limites.

Penso sempre: Eu cá me arranjo. Vou conseguir, nem que não durma! 
Eu trabalho bem sob pressão...




#Apple iPhone Facepalm Emoji Sticker (Round) - #emoji #emojis #smiley #smilies


Sensibilidade e cansaço

kitty:

Não sei se é do cansaço ou dos tempos instáveis em que vivemos mas parece que ando sempre a engolir as lágrimas. Comovo-me com tudo.
Parece que toda a gente anda aflita com alguma coisa. Com pouco trabalho, com muito trabalho; com alguma doença; com falta de dinheiro; com falta de amor; com falta de segurança. 
Achava que estava a ficar cada vez mais cínica, andei aí uns tempos em que me sentia a endurecer, mas ultimamente tudo me deixa engasgada. As crianças que precisam de medula; os animais abandonados que precisam de dono; as pessoas que morrem nesta guerra merdosa entre povos e religiões que deviam coexistir pacificamente; o Totti que deixou de jogar e chorou como uma criança. Uma música, um abraço, um grito velado por socorro e atenção. Tudo, literalmente tudo me dá vontade de chorar. Até escrever isto.
Ando há semanas (on and off) às voltas com um trabalho que me está a matar aos bocadinhos, que instiga em mim instintos assassinos e - evidentemente - me dá uma vontade imensa de chorar. Estou tão cansada; estou farta; não durmo bem; não tenho apetite nenhum. Sento-me para trabalhar cheia de coragem e ao fim de duas horas pareço um balão furado, sem força nem ar.
O meu lema nestes casos é «Uma frase de cada vez», porque realmente não posso fazer mais do que isso, mas todas as frases parecem arrancadas a ferros. 
Quero tanto despachar-me disto, esquecer-me deste texto, avançar com as coisas maravilhosas que tenho para fazer a seguir, mas o meu progresso é tão lento, tão esforçado, tão emocionalmente cansativo, que chego ao fim do dia com a sensação de que não fiz nada de jeito. Digo muitas vezes que estou a fazer o melhor que posso, mas desta vez o meu melhor não chega.
E depois, claro, vejo uma fotografia de um gatinho com ar desolado e fico toda comovida porque o gato é fofinho e eu preciso mesmo de mais gatos cá para casa, sobretudo de gatos bebés.
Leio as notícias e fico preocupada com os escalões do IRS. Vejo as atualiações do Twitter e temo que um dia destes rebentem por aí bombas nucleares a torto e a direito porque há um Neandertal determinado a dar cabo do mundo. Vejo o Justin Bieber (o Justin Bieber, senhores!) a dizer que o que vai salvar o mundo é o amor e fico para morrer de emoção. Estremeço porque ninguém está preocupado com o que se passa no Sudão do Sul, na Nigéria ou na Somália; é longe, está fora das rotas turísticas e de qualquer maneira eles são muitos. 
Entretanto o Montepio está a dar o berro e continuo a pagar-lhes cotas de associada.

Tudo me dá vontade de chorar.
E agora tenho de voltar ao trabalho, depois de secar os olhos que já nem estou a ver bem.


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segunda-feira

Para a próxima...




This is why when I'm bringing a new topic to a person, I start with "Did I tell you about BLANK already?":


Ontem em conversa com o Nuno disse que acho que sou uma falsa extrovertida. 
Na verdade não acho, tenho a certeza. Às vezes sinto que a minha lata e descontração são uma capa, uma fachada.
Não sou a tímida convencional, mas há ocasiões em que me sinto presa dentro de uma timidez que nem as pessoas que me conhecem me atribuem, porque falo com toda a gente, seja os senhores do restaurante, as meninas das lojas, as pessoas no ginásio, no autocarro, nas finanças, seja quem for. Se é preciso falar, eu falo sem medos. 
Não tenho problemas nenhuns em falar em público, nem a dar-me a conhecer aos outros a nível profissional. 
Se analisar a coisa por níveis, diria que a um nível superficial sou extrovertida, faladora e desenrascada. Não tenho problemas em dar-me com ninguém. Exprimo-me bem, não tenho medo de falar, na maior parte das vezes nem sequer fico nervosa se tiver de falar, sei lá, numa reunião, numa conferência, num grupo que não conheço. Falo e pronto.
Mas depois há situações em que bastava uma palavra e não sou capaz de dizer NADA! Não sei porquê.
Por exemplo, um grupo de pessoas que conheço, participou num evento em que também gostava de ter participado. A ideia pareceu-me muito gira, desafiante e diferente do que estou habituada a fazer. Conheço toda a gente que participou, algumas das pessoas são até minhas amigas e bastava ter dito - Olha, também gostava de ir! - para me inscreverem na equipa. Mas não fui capaz de dizer nada. Estive com elas dois dias antes, estavam a falar do assunto e eu não fui capaz de abrir a boca, embora tenha ficado cheia de pena por não ir! 
Que estupidez, não é? Se for preciso estou meia hora a falar de coisas sem jeito nenhum, e depois não tenho coragem para pedir que me incluam numa atividade de grupo! 
E isto é só o último exemplo, o que me fez pensar na questão, mas já me aconteceu tantas, tantas vazes.
Parece uma coisa de adolescentes, não de pessoas daqui a pouco de meia-idade! 
Não sei bem porque é que isto me acontece, se tenho medo de rejeição, se não quero ser inconveniente, se não me quero impôr às pessoas, mas neste exemplo em concreto, tenho a certeza absoluta de que ninguém me ia dizer que não podia ir, que não havia lugar, que não me queriam lá. Muito pelo contrário.
Isto que sinto não é uma timidez incapacitante é só chata, mas como é que a ultrapasso?
Como é que eu faço isto? 

Quando perguntei ao Nuno ele respondeu com toda a simplicidade - Então, para a próxima dizes que também queres ir!

Pois, é isso.

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terça-feira

Queixar-me de barriga cheia

Going into this post idea (which was just, you know, how to organize your books), I had no idea that I would find an entire online community dedicated to that #shelfie life. What in the eff is a #shelfie, you ask? It’s a photo of a bookshelf that is so aesthetically pleasing that it’s hard to believe it is in someone’s home and not just an interior design magazine. It basically shows *the* way to organize your books and to show them off to the world.:


A minha onda é tradução literária. 
Adoro frases compostas, compridas, intrincadas, descritivas. Porque são lindas! Porque dizem muito e porque sei deixá-las bonitas também em português. (Tenho muito orgulho no meu trabalho e a falta de modéstia também é defeito, além de uma enorme hipocrisia!)
Também gosto de traduzir culinária, mas isso é porque sou gulosa e gosto de comer!
Adoro traduzir livros para crianças! Adoro tudo, os temas, as cores e a linguagem mais simples mas sem ser simplista - os miúdos precisam de ir lendo palavras novas para as aprenderem!

Agora... às vezes cai-me assim um texto mais estéril ao colo e fico sem saber bem o que lhe fazer! 
Se fosse tradução técnica, havia uma metodologia a aplicar.
Mas não é. 
É «literatura»... Só ao pé disto, o Deserto do Atacama é um belo jardim florido!
O único consolo que tenho é que já não falta tudo... três dias, vamos apontar para três dias de sofrimento e seca. 

Acabei de entregar um dos livros mais bonitos que alguma vez me passou pelas mãos e agora isto!

O que vale é que depois vou mergulhar num maravilhoso mar de metáforas, antíteses e perífrases!
Ah, o que eu adoro perífrases!

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quarta-feira

Tempus fugit

"Time flys when you're pinning." JRH Umbra-tile-tempusfugit. Paul Bommer faux Delft Tile. Tempus Fugit. copyright © Paul Bommer:

Sei que a generalidade das pessoas passa a vida à espera que chegue a sexta-feira, como se a sexta-feira fosse aquele dia mágico em que todos os problemas da vida e do mundo em geral desaparecem ou se resolvem milagrosamente. Compreendo, quase ninguém gosta de trabalhar, trabalhamos porque é o que as pessoas fazem e é preciso pagar o empréstimo da casa e do carro e enfim, tem de ser, é assim a vida. 
Eu quando tinha uma vida normal, quando só estudava, também gostava da sexta-feira, também sentia a «magia de sexta-feira à noite».
Mas depois passou-me.
Quem trabalha com prazos como eu, não tem noção de dias de semana, de fim de semana, de feriados e as pontes ou tolerâncias de ponto são para aqueles sortudos que recebem certinho ao fim do mês. Eu recebo o que produzo, por isso se produzir muito recebo mais, se produzir pouco, recebo menos.
Se não produzir, não recebo.
Um trabalhador independente como eu dá por si à quarta-feira quase em choque por JÁ ser quarta-feira. QUARTA-FEIRA?! Como assim já é quarta-feira, se ainda ontem era sábado!
Para onde é que foram os meus dias? 
Sexta é daqui a dois dias?!! Como assim? SÓ faltam dois dias para a semana chegar ao fim?! COMO ASSIM?!! Não pode ser.
A pouca noção que tenho dos dias de semana existe porque também me regulo pelos prazos e ritmos das pessoas com quem trabalho, mas para mim, tanto posso folgar a uma quarta-feira e trabalhar ao domingo - é igual. Gosto de todos os dias da semana. Sobretudo se puder folgar!

Gosto das segundas-feiras precisamente porque são o início da semana e me dão a ideia de que tenho muito tempo, muitos dias, se bem que até isso é uma ilusão. É um dia como os outros, igualzinho à sexta-feira, só que mal amado, injustiçado. Coitadinhas das segundas.

Por isso, não, já não me lembro da «magia da sexta-feira à noite», já não sei o que é ter fins de semana certinhos, não sei o que é ter um horário, uma rotina de trabalho, nem sei o que é receber ao fim do mês.

Só sei que hoje já é quarta-feira e por mim podia ser segunda - da semana passada!

O tempo foge-me, é o que vos digo. Pisco os olhos e ele foge!

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terça-feira

Mais um dia triste




É sempre triste ouvir notícias de guerras, revoltas políticas, catástrofes naturais, atos terroristas em terras longínquas, milícias armadas algures nas florestas tropicais. É preocupante, fico sempre com um aperto no peito, penso sempre na dor das pessoas, no que sentem os familiares, os amigos. Mas normalmente são (eram) acontecimentos distantes.
Esta guerra instalada contra cidades europeias onde a vida decorre pacificamente, com toda a normalidade que estou habituada a ver na cidade onde vivo é absolutamente aterrorizante. Porque é imprevisível. Não vivemos num cenário de guerra ou instabilidade social em que os atos de terror são expectáveis - por muito lamentáveis que sejam. Vivemos em paz, as nossas sociedades são organizadas, bem ou mal, com maior ou menor desigualdade não é isso que que está em causa.
Sentimo-nos seguros para ir a um estádio de futebol, para correr pela rua, para estar na praia de olhos fechados, para ir ao jardim zoológico ou a um concerto.
Esta guerra de terror quer tirar-nos a paz, a placidez com que encaramos o dia a dia e por muitos discursos a instigar a união e a resistência, o sentido de comunidade e a solidariedade, a verdade é que sinto medo.

Porque já ninguém sabe quando ou onde é o próximo, como vai ser e quem será o alvo.
Já não é só em terras distantes que a barbárie acontece. Está aqui, no nosso quintal, debaixo dos nossos narizes.
E o medo vai ganhando terreno.

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quinta-feira

Bored


YES! -sc                                                                                                                                                                                 More:


A minha fome quase nunca é física.
Quero dizer, se estiver demasiado tempo sem comer, se fizer um esforço físico puxado ou se fizer uma refeição mais leve, claro que fico com fome, mas é raro chegar àquele ponto em que já tenho um ratito na barriga. Procuro comer bem, de forma saudável e equilibrada mas sem fundamentalismos e permitindo-me as coisas que mais prazer me dão. 
O que me assalta muito frequentemente é a fome emocional. Sei que a minha relação com a comida é maioritariamente emocional. E só tenho duas formas de agir.
Quando estou nervosa, triste, stressada ou a braços com um trabalho chato, exigente ou apenas mau, das duas uma: perco por completo o apetite e até me esqueço de comer ou como desenfreadamente tudo o que me aparece à frente, faço as combinações mais estranhas (nozes com triângulos de queijo?!) e ainda assim continuo com fome.
Porque na verdade não é fome. É muita coisa, mas não é fome.
Neste momento estou a acabar um trabalho em que as frases pura e simplesmente não fluem. Quero acabá-lo para me ver livre disto e quanto mais o quero acabar, mais lenta me sinto. Vou fazendo, mas queria fechar os olhos, contar até dez e quando os abrisse Pufft! - o trabalho estava feito! 
Já experimentei e não funcionou.
Tenho de continuar a traduzir da forma tradicional.

E isto está a dar-me uma fome dos diabos.

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Metaforicamente falando

You gotta stop watering dead plants!    "An Engeldark valentine" says wonderful artist Mary Engelbreit:


A respeito da questão de não guardar ressentimentos e de esquecer efetivamente as sacanices dos outros, há várias conclusões a retirar e outras estratégias que para mim acompanham ou complementam o tratamento indiferente.

Esquecer ou decidir arrumar fora do coração as mesquinhices dos outros não é um sinal de que se é brando de caráter, que se é parolo, que deixamos que nos comam as papas na cabeça. Escolher não pagar as merdas na mesma moeda é tão somente um atestado da nossa bondade emocional, da nossa maturidade e da nossa elevação moral. 
É aquela cena de andar a chafurdar na lama com os porcos - perdemos sempre, porque eles já estão habituados.
(Pode parecer arrogância, e se calhar até é, mas gosto de pensar que conhecer o nosso valor também é importante.)
Quando decidimos que não vale a pena ser mesquinho, que não é da nossa natureza, estamos a certificar-nos de que podemos dormir melhor de noite. Libertando esse tipo de sentimentos menores, garantimos que aquilo que deixamos entrar e ganhar lugar dentro de nós são só as coisas boas. As menos boas, as más, existem e fazem-se notar, claro que sim, mas não precisamos de as deixar tomar assento.
Ser bonzinho não é ser palerma, é ser bom. É ser melhor.

Depois disto chega a parte em que por sermos «obrigados» a conviver com as pessoas é preciso encontrar estratégias.
Já disse aqui que a minha é recorrer à indiferença, com educação mas sem calor. Há de haver outras certamente. Mas a minha, que quero ser boa e depois melhor, passa por deixar de regar a planta. 

A certa altura é preciso deixar de regar uma planta que já está morta. 

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quarta-feira

Cordial e indiferente


Less... Relevant... I still have to pray for your continued success though... T:


Não me considero uma pessoa mesquinha, não sou de grandes melindres, não me ofendo por dá cá aquela palha e por instinto de autopreservação ou por estupidez natural tenho tendência para me esquecer das coisas chatas que me acontecem.
Mas...
Tenho muito pouca paciência para a cobardia e a falta de integridade em geral.
Para quem diz que faz e não faz;
Para quem só consegue olhar para os outros e não vê o espelho que está à sua frente;
Para quem só «vê» os outros quando lhe convém;
Para quem é mesquinho e embirrante só porque sim;
e
Para quem é azedo e não faz um esforço por mudar.


Considero-me uma pessoa simpática, afável, boa onda. Dou segundas, terceiras e às vezes quartas oportunidades porque acredito que toda a gente tem um fundo bom e porque no fundo (passe o pleonasmo!) é o que faço comigo - dou-me infindáveis oportunidades para ser melhor.
Mas, uma vez borrada a pintura, não há volta a dar-lhe. 
Podem aparecer-me pintados de ouro que não sou capaz de voltar ao que era antes; parece que crio uma espécie estranha de intolerância, uma alergia e passo a encarar as pessoas apenas por aquilo que mostram, em vez de estar disponível para ver o que pode existir por baixo. 
Sei que toda a gente tem muitas camadas, boas e menos boas, mas se alguém escolhe mostrar umas e não outras, o esforço de procurar pelas boas já não me compete a mim. 

Como me considero uma pessoa calorosa até para as pessoas que não conheço, para mim o tratamento cordial e indiferente é na verdade a forma mais distante que encontro para funcionar em sociedade. 
Esta é de resto uma palavra pavorosa: cordial. 
Nem é carne nem é peixe. Não aquece nem arrefece. Está ali. Existe. Não é nada nem deixa de ser.

É cordial, quase transparente não fosse considerar-me também uma pessoa educada.

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Demandas impossíveis




Fazendo um exercício puramente individualista e partindo do princípio de que o que desejo de bom para mim é o mesmo que desejo às pessoas que amo, se me perguntarem qual é o objetivo primordial da minha vida respondo que é ser feliz.
Acho que terei isto em comum com a esmagadora maioria das pessoas, porque não acredito que alguém seja infeliz porque quer.
A minha noção de felicidade engloba todos os tipos de saúde (a saúde física, a afetiva e até a social e a financeira). As pessoas mais velhas costumam dizer que havendo saúde o resto arranja-se e é verdade.
A minha noção de felicidade também implica ter um trabalho que me realize, que me ensine muitas coisas e que me permita ter tempo (e dinheiro) para viver. Ou seja, o trabalho não pode servir só para ganharmos dinheiro para pagar contas e impostos, para comprar batatas e cenouras e pouco mais. 

Excluindo todos os fatores externos, acho que a felicidade vem de dentro; dos nossos sentimentos e expectativas em relação às coisas e às pessoas que nos rodeiam, dos pensamentos que escolhemos albergar e da forma como olhamos para nós e para o mundo. E é esta parte que exige mais trabalho.
Sempre disse que nada é tão verdadeiramente nosso como os nossos pensamentos. Ninguém manda nos pensamentos de uma pessoa saudável. São nossos, podem ser o que quisermos, podem apresentar-se como quisermos porque não precisamos de os transmitir a ninguém. São nossos. Mas podem ser influenciados ou condicionados.

Ultimamente parece que a Humanidade se embrenhou nesta demanda da felicidade - eu incluída. Toda a gente tem dicas e conselhos para os outros serem felizes, toda a gente escreve frases inspiradoras a «ensinar» a felicidade. Parece que só nos sentimos completos, pessoas válidas se formos sempre muito felizes e estivermos sempre de bem com a vida.
Acho que durante muito tempo caí nesta ratoeira. Na de me comparar com outras pessoas (cujas vidas completas - e pensamentos - desconheço inteiramente), na de querer que o meu mundo seja sempre cor de rosa e habitado por coelhos de angorá e unicórnios; na de desejar que tudo fosse perfeito e imaculado. Eu não sou, ninguém é. 
Por isso, a realização de que nada é perfeito e imaculado foi uma coisa que me custou a engolir. 
Conseguir processar e aceitar que ninguém é feliz todo o dia, todos os dias, é das conquistas mais libertadoras que posso fazer. 
Deixar escorregar dos ombros a pressão de que preciso de andar a sorrir e a saltitar feliz e contente todos os segundos do dia é maravilhoso. Porque não preciso. Não consigo. Não quero.
De vez em quando os momentos tristes, os pensamentos tristes metem-se no nosso caminho, caem-nos em cima de repente, assaltam-nos o pensamento. É mesmo assim. É aceitar, processar e passar à frente. Amanhã é outro dia.

Acho que devo perseguir os momentos felizes, sim, tentar reunir tantos quantos consiga, mas não posso atribuir-lhes a responsabilidade da felicidade absoluta.

Porque a felicidade absoluta é tão real como os unicórnios.

Some days are just like that, especially the rainy ones. Relating to Sadness from Disney Pixars #InsideOut Disney UK on Twitter:
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segunda-feira

Tão simples e tão difícil

Instead of re-inventing, let us just resolve to Be Better. It's me,  on @Mamalode  #resolutions:

Antes de qualquer outro trabalho interior, há uma coisa que tenho de fazer, em que tenho vindo a pensar mas que precisa de muitas horas ainda de discussão silenciosa: As pessoas não são todas iguais a mim.

Tão simples quanto isto.

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Todos iguais


"A book is a device to ignite the imagination." Alan Bennett:


Ontem foi o dia mundial do Livro, que é um dia que me aquece sempre um bocadinho o coração, já que grande parte dele está cheio de livros!
Desde muito nova que leio compulsivamente. Leio tudo o que me aparece à frente, de todos os géneros, todos os segmentos, todos os autores (menos dois ou três cujos primeiros livros que li me causaram frenicoques de tão maus). Leio em três línguas diferentes com a mesma facilidade e além de me dar um prazer enorme ajuda-me muito no meu trabalho, que é: traduzir literatura!
Ontem vi muitas manifestações de amor aos livros e fiquei muito contente. Parece que a leitura está outra vez na moda, que as pessoas se interessam mais, que cada vez gostam mais de ler. 
Mas há uma «onda» de leitores snobes que me enerva: os que apregoam que lêem exclusivamente em papel; os que se dão ao trabalho de publicar quadrinhos e imagens a desdenhar dos e-readers; os que enaltecem o «cheiro do papel» como a mais autêntica característica da literatura; os que acham que ler em suporte digital é menos cool do que ler em papel. 
Eu, que sou tradutora literária leio quase sempre em suporte digital. Compro alguns livros em papel, mas apenas quando não há em e-book.
E o motivo é muito simles:
Gosto de histórias. Gosto DAS histórias. 
Do momento de leitura. Das asas que os livros me dão, do tanto que me ensinam.
Para mim, os livros são um bocadinho como as pessoas: é o conteúdo que interessa, não a forma.
E o cheiro do papel só me provoca espirros. Os livros de 700 páginas ou mais que gosto tanto de ler, dão-me cabo dos braços (braços esses que são essenciais para trabalhar, como acontece com toda a gente!). 
Ah, e tal, estás a ajudar a acabar com a indústria que te alimenta. Não estou. O meu trabalho não se esgota em papel, os livros que forem editados em suporte digital também precisam de tradução! 
Não sei porque é que uns têm de ser melhores do que os outros, se por dentro são todos iguais. 
Os livros que nos ficam no coração são eternos dentro de nós; não importa o formato.

Ler, para mim, é mergulhar em aventuras, em realidades que não são a minha, em sonhos que não são os meus. Ler é apaixonar-me por personagens que existem só na imaginação de quem escreveu e de quem lê. Ler é viver vidas que se estendem para lá da nossa.
E isso vale para vidas em papel ou em digital. 

A biblioteca da vizinha não é melhor do que a minha. Pode ser só diferente.

Importa é ler!

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quarta-feira

Being kind is how we benefit the world.



Sat Nam is true identity. Sat meaning truth and Nam, identity. Sat Nam is in the sacred language of Gurmukhi: ਸਤਿ ਨਾਮੁ.:
True identity




Porque (à exceção da moda dos batidos e super heróis nutricionais) a minha noção de yoga, de vida, está aqui escarrapachada e porque quero guardar isto para memória futura:

"Every individual has the right to feel at the best of their abilities—to feel beautiful, loved, and important. With this right, though, comes the need to respect that same right in others.

When in full realization of ourselves, we honor our role in our communities, families, and society at large. We recognize how the life of another person is just as important as our own. Rather than being in competition against another, we develop ourselves alongside them.
Lately, our society is all about self-development. Growth is good, but when unsupervised, or with the wrong intention, it can lead to a self-centered attitude and lost of connection from community. With too much emphasis on the “self,” we find purpose only in ourselves.
When I hear about self-development programs—like meditations, juice cleanses and so on—I naturally want to join in. Who doesn’t want to feel good? When I see the trend it’s taking though, I’m wary of the dark side of this personal work. I’ve seen too many narcissists and egoists running wild in the self-help world, and can’t help but wonder if they started out that way.
I personally get bothered by the yoga student who, on top of holding a perfect posture, also feels the need to check others that are less proficient in that pose. That’s not what yoga is about for me. I am not in yoga to perform, nor to compare myself with others, and I would hope other yogis would feel the same.
If yoga and meditation lead people to feeling more important than the rest of the world, something isn’t right. Sure, there might be a point in our practice when we feel that we have reached a more profound, elaborate form of ourselves. We may notice ourselves performing faster or stronger than the people around us. Let’s not take pride in it. We’re not in practice for the pride. We’re not in yoga for our ego. Not everyone moves the same way or at the same pace. As yogis, we have to respect that.
It is good to feel confident about ourselves—that we have found ourselves, our goals, our purpose. Can we decide, then, to share our good energy? We want others to feel as good as we do, right? Let’s show our community how to be a whole, how to be mindful, how to love ourselves and others. If we can do it through yoga or a simple daily practice, we can inspire those around us to be better people in the world. 
When we feel truly flexible and good within ourselves, “corpe sancto y espiritu santo” (right body, right mind) I believe our ultimate purpose is to help others feel that way too.Yoga and meditation are about improving our health and overall wellbeing to realign our bodies and minds with the world. They teach personal harmony and awareness of ourselves and our communities. When done well, we feel more connected, not just with ourselves but with others on both a personal and global level.
We can develop our egos to limitless capacities, but this is not the mindful life. This is not what yoga, meditation, and self-development are truly about. Instead, it is about love. It is about listening to what our bodies and the world need most. Listening, and being kind, is how we benefit the world.
We are all part of a whole. Your role as a yogi is to love and make the world a better place. If you think you’ve reached a point of achievement, then take your practice outside of the studio and share the goodness around.
Like the wise adage says, “My liberty ends where yours begins.” Dear yogi, remind yourself every day that you are not the only human in the studio or the world. When you feel your skill getting to your head, breathe in this awareness and exhale your ego. Open your arms and let yourself be guided with love. Be kind and compassionate to others, and be grateful for the lives of those who share your studio. This this the path of a true yogi, and to a joyful life. "


Retirado do fantástico Elephant Journal. 



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terça-feira

Eu amo-me, eu adoro-me, não posso viver sem mim - ou uma ode ao amor prórpio!


Yesssss! Don't have this problem anymore since NASA has a gym onsite but back when I workout at 24 hr fitness... good grief! -.-:


Quase todas as salas do ginásio onde treino têm paredes de espelhos, como aliás acho que são capazes de ter todos os ginásios, uma vez que é útil olhar para o espelho e observar/retificar a postura enquanto se faz exercício. Muitas lesões surgem precisamente devido a posturas incorretas e parece-me lindamente que a malta avalie a curvatura da lombar e se os joelhos estão ou não a 90 graus!
Nas aulas de Body Balance, o espelho é útil por estes motivos também, além de que ajuda ao equilíbrio, essa parte fundamental quando se tem dois dedos e pouco mais assentes no chão!
Numa das aulas de Balance que fiz na semana passada não pude deixar de observar uma miúda que estava ao meu lado, porque passou a aula toda a admirar-se, a virar a cabeça para ver o perfil, a consertar o cabelo, a puxar a alça do top mais para cima ou mais para baixo, a virar a anca para olhar para o rabo, a espreitar para todos os ângulos e cantos e a borrifar-se para a curvatura dos ombros, para o ângulo das pernas ou se estava ou não com o pescoço em tensão!
(Eu própria quase fiquei com um torcicolo só de olhar para ela!)
Qual alinhamento de postura, qual carapuça, importa é saber que lado a favorece ou se na próxima selfie que tirar com um sorriso - absolutamente genuíno - nos lábios o melhor será virar o rosto para o outro lado. E fazer beicinho.
Ou empinar o rabo. 
Ou levantar os braços para as mamas parecerem maiores e mais juntinhas. 
Ou todas as anteriores!

Há quem lhe chame narcisismo, eu cá chamo-lhe amor próprio, daquele que vem anunciado tantas vezes nas frases inspiradoras.
Ame-se, mime-se, adore-se.

Ou então vaidade, também pode ser só vaidade.


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segunda-feira

Humm...

Resultado de imagem para a amiga genial

Tenho amigas estupidamente cultas em termos gerais mas mais cultas ainda em termos literários.
A literatura traz muitas coisas boas à vida das pessoas, sendo que uma dessas coisas é aproximar aqueles que gostam de partilhar histórias e de falar delas. Somos os tais ratinhos de biblioteca, que devoram livros como se fossem ar, ou chocolate!

Por isso, quando comecei a ouvir estas minhas enciclopédias ambulantes a falar do livro A Amiga Genial da Elena Ferrante, tomei nota do título mentalmente para lhe deitar a mão assim que fosse possível.
Foi possível na sexta-feira passada, mas li 40 páginas e não voltei a pegar nele...
Sei que ainda é muito pouco, mas não gostei das personagens (que são mais do que as mães) e nestas poucas páginas apeteceu-me ir às ventas à tal da Lila uma meia dúzia de vezes.

Aconteceu-me o mesmo com o Liberdade do Jonathan Franzen. Detestei aquela gente toda e custou-me a ultrapassar este facto e a concentrar-me na escrita, que é maravilhosa.
Depois cheguei ao fim e gostei bastante do livro como um todo.
Gosto de gente imperfeita, tanto nos livros como na vida real e no Liberdade esta imperfeição está perfeitamente retratada.

Neste da Elena Ferrante ainda não sei. Mas é muito estranho em mim ler 40 páginas de um livro e depois nem me lembrar mais dele. Esquecer-me efetivamente que o comprei.

Mas os meus ratinhos de biblioteca não se costumam enganar. 
Vamos ver!

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terça-feira

Idiotas e sarcásticos.


Funny Ecard: I just rolled my eyes so hard I think I saw my brain.:


Há uma cena que acho que preciso de fazer, mas como leva tempo e exige muita dedicação, tenho primeiro de pensar bastante sobre o assunto, sobre a metodologia e sobre a execução.
Embora na maior parte das vezes não exteriorize nem me manifeste, as pessoas irritam-me.
Assim, na generalidade. As pessoas enquanto substantivo coletivo, sendo que consigo isolar algumas individualmente, passe a redundância.

Irritam-me as pessoas que tratam toda a gente por tu nas publicações inspiradoras que partilham nas redes sociais: Vai, porque tu consegues! Quando sentes que a vida está a ir com os porcos, levanta os braços e vai à luta! Tu consegues! Levanta o rabo do sofá e faz-te à vida! Tu consegues!!

Irritam-me as pessoas que estão sempre a fazer choradinhos e a colocar a casca de ovo do Calimero na cabeça: Ohh! A minha vida é tão difícil. Ohh! Tenho tantas dores de coração. Ohh! Ainda estou  tão longe do meu objetivo. Ohh, não consegui correr um quilómetro em 30 segundos! Ohh! Ninguém está para me aturar. Ah, pois não!

No seguimento desta irritação, irritam-me as ovelhas estão para as aturar, que vêm passar a mão pelo pelo e que respondem cegamente ao choradinho: Ohh, mas tu és uma guerreira, lutas pela vida! Ohh, quem me dera ter a tua força e dedicação! Ohh, quem me dera poder treinar/comer/beber como tu! Ohh, mas vais ver que o teu príncipe vai chegar e o coração vai melhorar! Ohh, mas já estás uma brasa; estás tão magra; estás linda; quem me dera a mim! És uma guerreira! Ohh, estou cá eu para te ouvir sempre que precisares! Ohh, és uma guerreira! (Esta irrita-me particularmente, não sei se dá para ver.)

Irritam-me as pessoas que insistem em partilhar os dados - números, estatísticas, tempos - dos treinos, como se isso interessasse a mais alguém que não aos próprios. Ouçam, ninguém quer saber! Ninguém está a olhar para quantas calorias queimaram, nem quantos minutos levaram a fazer um quilómetro! 

Irritam-me as pessoas que continuam a partilhar fotografias de copos de skyr, como se encontrar a porra do iogurte fosse por si só um ato de valentia. É iogurte, não é nenhum troféu e garanto-vos que ninguém vai ficar subitamente magro e fit por comer iogurte! É iogurte!!
Neste campo da comida, nem vou entrar no que me irritam os pequenos almoços fit, só com claras de ovos e pós milagrosos, porque tenho um livro para acabar e o tempo escasseia!

Além disto, irrita-me a sobrevalorização da sexta feira e a desvalorização da segunda. Coitadinha da segunda, que é um dia tão fixe e útil como os outros anda sempre com uma nuvem cinzenta atrás. 

Enfim, estas são apenas algumas das (muitas) coisas que me fazem comichão nas meninges. Também sei que todas as minhas irritações são absurdas, coisa que por si só me irrita! Por isso, urge fazer alguma coisa, porque ando farta de revirar os olhos e parecendo que não, isso mexe com a vista.

Tenho de fazer as pazes com a humanidade. Com as pessoas.
Tenho de ver as coisas pelo que elas são: maioritariamente pedidos de atenção, de mimo, de validação. E pensar no que está por trás. Pensar se posso fazer alguma coisa para ajudar em vez de julgar.

Tenho de fazer o que quero que façam comigo, que é deixarem-me em paz na minha vidinha e que se borrifem para mim quando partilhar, disser ou fizer alguma coisa que possa irritar os outros. 

Tipo escrever textos idiotas.


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segunda-feira

É só um texto...


Funny Pictures Of The Day – 36 Pics:


Às vezes a vida é sacana, as coisas não são como gostaríamos, como achamos que merecemos, como seriam se fôssemos só nós a mandar na chafarica.
Passo por várias fases quando as coisas não me correm de feição. Irritação, incredulidade, esperança de que tudo se resolva, absoluta fé de que sou capaz. E novamente irritação, incredulidade e mais irritação quando afinal percebo que não, as coisas não vão mudar, por muito que esperneie ou tente encontrar uma forma de contornar os problemas. 
Esta fase de aceitação custa-me muito. É uma espécie de derrota. Meter a viola no saco e vergar-me à situação magoa-me as meninges. 
Mas depois também penso que faz parte da vida aceitar o fracasso, porque apura a resiliência, faz-nos crescer enquanto pessoas e constrói o carater. 
Faz parte, enfim.
E então lá vou, fazendo o que posso, o melhor que posso, com aquilo que tenho disponível.
Na maior parte das vezes acabo por me safar bastante bem.
Outras fico com a pulga atrás da orelha até a coisa chegar ao fim - ou até me passar, o que nem sempre é a mesma coisa.
Mas acabo sempre por conseguir lidar com os caprichos da vida.
E acabo a sentir-me mais forte, mais resistente, com um carater fortíssimo!

É o que espero que me aconteça desta vez também.

Porque por muitas voltas que dê ao sacana do ficheiro, não lhe consigo tirar a marca de água nem que a vaca tussa! Já me passou a irritação, já me passou a confiança e a fé, já esgotei todas as possibilidades de o manipular e tirar a porra das letras de cima do texto, por isso que remédio tenho eu senão trabalhar com ele assim!
:)

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Isto de se ser pessoa é um trabalho que nunca está acabado.
Ainda há pouco o disse e é o que sinto: todos os dias me esforço por ser um pouco melhor; por ser mais atenciosa, mais bondosa, mais solidária, mais compreensiva com os outros, mantendo sempre a minha originalidade e coerência.
Acho que estou a fazer um bom trabalho. Faço um bom esforço por melhorar e orgulho-me disso.
Gosto de fazer com que as pessoas que se cruzam comigo se sintam bem, gosto que se sintam apreciadas, ouvidas, elogiadas, compreendidas.
Agora só me falta pôr isto tudo em prática comigo também.
Não é uma ideia nova, não é revolucionária nem muda nada além da minha própria vida, da perceção e apreço que tenho (ou que preciso de ter) por mim.

Tenho a teoria toda, dedico muitas horas a pensar nestas coisas (normalmente quando devia estar a dormir...), sei que tenho de ser tão boa para mim como tento ser para os outros.

Com o tempo chego lá.

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