sábado

Rebanhos e Outros Que Tais...




Detesto pessoas que se comportam como ovelhas e andam umas atrás das outras, aos rebanhos, sem pensarem de facto no que estão a fazer, a dizer ou a desejar.

Custa-me aceitar aquelas pessoas que não são capazes de pensar pela própria cabeça, de ter ideias autónomas e de escolher o que recheia as suas vidas.

E quando ouço alguém dizer(mulher, leia-se): "Até nem gosto muito de botins, mas agora usa-se...", bem, fico possuída! Que falta de identidade colossal. Que pobreza de espírito.

Já sei que não sou ninguém para julgar os outros, mas os meus pensamentos sempre foram e serão meus, saídinhos da minha cabeça, sejam eles correctos ou não- de acordo com o padrão que alguém se lembrou de instituir nesta sociedade louca e cheia de contradições em que vivemos.

Nada define melhor a minha sede de autonomia intelectual como este poema que gostaria de ter sido eu a escrever (felizmente o Régio antecipou-se!):


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "Vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

José Régio, "Poemas de Deus e do Diabo"

Gargalhadas!

Imagem tirada da Net



O riso sempre me pareceu ser a forma mais civilizada de música do Universo.

Peter Ustinov


É por isso que ouvir falar uma tagarela que eu cá conheço, é música para os meus ouvidos!

O dia pode estar a correr mal, posso ter mil coisas para fazer e andar com a cabeça freneticamente ocupada, mas os minutos que passo a ouvir a Cláudia, chegam para recarregar baterias e esquecer o mundo!
Mesmo quando por entre gargalhadas surgem os assuntos mais sérios...

Nem sei explicar, mas o seu riso quebrado, rápido, com uma alegria inesperada, a gargalhada inconfundível que não ouvi durante tanto tempo, mas que ao entrar novamente de rompante na minha vida estava exactamente igual, deixa-me leve, faz-me sentir em casa!

Faz-me lembrar quando tínhamos quinze anos e fomos comprar os poemas da Florbela Espanca...
Era tudo tão simples e ao mesmo tempo tão complicado! Como só os quinze anos conseguem ser!
Mas mesmo assim, ríamos como se não existisse tristeza nem agrura que nos afectasse.

Entretanto, nos quinze anos seguintes algumas coisas mudaram, mas o essencial de nós e a gargalhada intemporal da Cláudia continuam aqui!

E ainda bem!
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terça-feira

Pingo...


Já não bastava o trabalho para me encher os dias, agora tenho também uma valente constipação!
Desta vez chegou a todo o lado: nariz, ouvidos, garganta e cordas vocais.
Não só tenho um pingo contínuo, daqueles irritantes que teimam em cair, como não consigo falar!
Ainda por cima fiquei meia surda!
Já para não falar da tosse! Parece que fumo dois maços de tabaco por dia, tal é o catarro!!

Chiça!

E continuo com a esperança de que melhores dias virão!
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quinta-feira

A Paz e Outras Pieguices...


Ontem estive a ver um programa americano a que normalmente não ligo muito, não por ser americano, mas porque por vezes me parece demasiado moralista e pedante...
Era uma entrevista a um actor de Hollywood, na sua casa nas montanhas, e só já apanhei os cinco minutos do fim.
Mas valeu a pena.

Depois de subir até ao cimo de uma colina, de onde se viam os picos nevados de uma cordilheira imensa, a apresentadora/entrevistadora disse ao actor em questão:

"I wish you the peace of this mountain."

Juro que fiquei com as lágrimas nos olhos. Chiça, que piegas!

É isto que quero desejar às poucas pessoas que sei que ficam felizes com o meu sucesso, que torcem por mim e que estão sempre por perto quando preciso delas.

Porque a paz, a tranquilidade, a serenidade é o melhor que se pode desejar a um amigo.
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terça-feira

O Frank é Que a Sabia Toda!

Imagem tirada da Net

Uma Vida Minimamente Normal...

Imagem tirada da Net



Em todos os livros, passo sempre pelas mesmas fases.

Quando pego neles fico entusiasmada por ter mais trabalho, ansiosa para saber que surpresas e desafios me reservam e de um modo geral feliz por poder fazer aquilo que gosto, a única coisa em que me imagino a trabalhar.

Algumas fases depois, quando faltam cerca de cem ou cento e vinte páginas para acabar, começo a ficar impaciente com as personagens, desejosa que descubram o que fazer para acabar depressa a história, ansiosa por acabar o trabalho e entregar o livro.
Até sonho com a história, com o autor, com as personagens, com a capa...

Neste momento estou nesta fase saturada. Queria pegar hoje nas cento e poucas páginas e acabá-las de uma vez, para me poder dedicar ao livro seguinte... e recomeçar o ciclo!

Trabalho porque gosto, porque preciso e porque me dá um gozo incomensurável chegar ao fim de um livro, voltar a lê-lo e dizer:
"Chiça que isto está bom! Consegui mais uma vez!"

Vou voltar às minhas páginas, para ver se daqui a uns dias sinto o coração repleto de orgulho ao olhar para mais um trabalho acabado.

E para ver se consigo voltar a ter uma vida minimamente normal!
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quarta-feira

Quem Me Dera...


Quem me dera que não me estivesse a doer outra vez o ombro!

Tenho doze dias para acabar este livro e não me dava jeito ficar outra vez com o ombro "ao peito"!

Vá lá fazer uma forcinha para isto não avançar!
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terça-feira

Aos Sapos Encantados Deste Mundo




Eu sempre achei uma injustiça terrível a velha fábula do sapo que se transforma em Príncipe Encantado depois de receber um casto beijo de uma princesa desesperada (e a caminhar para tia).

Supostamente o sapo foi usado na história porque é mais ou menos aceite que é um animal feiinho e algo viscoso, sendo por isso o contraposto perfeito em relação ao príncipe - que manda a tradição que seja Encantado, louro, alto, de físico bem "sarado" e de olhos azuis, sob pena de, se não cumprir algum destes requisitos tão específicos, já não poder ser Encantado, mantendo apenas o título nobiliárquico.

Neste ponto aproveito também para deixar registado que não tenho nada, nadinha mesmo, contra homens louros, altos, de físicos bem "sarados" e de olhos azuis, (nem contra os morenos, altos, de físico bem "sarado" e de olhos verdes, castanhos, pretos ou assim-assim) e contra os Príncipes Encantados muito menos.

A mim o que me chateia é a injustiça em relação aos adoráveis batráquios.

Porque não evocar uma lampreia, um leão marinho ou uma hiena como o fiel receptor da maldição da bruxa das verrugas? Esses sim, são animais pouco abençoados pela beleza.(Nesta categoria também se inclui a bruxa!)

Agora um sapinho?!

Náááá.
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sábado

É de Leão!




Se conseguires passar uma tarde perfeitamente inútil
de uma forma perfeitamente inútil, aprendeste a viver.

Lin Yutang

Pois, foi isto mesmo que tentei fazer hoje.

Os últimos dias têm sido tão cheios de surpresas que não tenho conseguido saborear o sol, o céu azul e os sorrisos.
Parece que as pessoas que me rodeiam têm nuvens negras a ensombrar-lhes os dias e questiono-me se a tristeza naqueles que mais amamos não nos castiga mais do que a nossa própria angústia.

Os que melhor me conhecem sabem que consigo encontrar um lado positivo em tudo. Acredito piamente que por grande que seja o percalço, há sempre um aspecto redentor, alguma coisa a aprender, uma lição valiosa a retirar. Se o dia de hoje não foi grande coisa, amanhã será certamente melhor. O positivismo é quase uma religião para mim.
E funciona! Tenho provas.
Ninguém me convence do contrário, que eu sou Leão e por isso muito obstinada (que é a maneira elegante de dizer: teimosa como uma mula!).

Por isso, enquanto tiver esta capacidade de acreditar que o meu sol vai brilhar amanhã com mais intensidade ainda, que amanhã vou ser ainda mais feliz e que todas as coisas boas que me acontecerem amanhã são inteiramente merecidas, fico feliz e dou a tarde por bem empregue!

Alguns podem dizer que sou egoísta. Verdade. Mas quanto mais feliz EU estiver, mais felicidade posso oferecer àqueles que me rodeiam. O verdadeiro Leão também é um mãos largas!

Posto isto, vou tentar aprender a viver mais um bocadinho.

A seguir a uma tarde passada de forma perfeitamente inútil, o que é que vem mesmo a calhar?
Uma noite igualmente inútil!

And guess what?
Tenho um Cadbury de caramelo a gritar por mim! Já o oiço daqui:
-Anda, anda comer-me! Preciso de uma trinca!*




*Ambas as exclamações davam pano para mangas noutros contextos! Talvez um destes dias regresse a elas!
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