segunda-feira

Can't Find a Better Man!




She lies and says she's in love with him, can't find a better man...
She dreams in color, she dreams in red, can't find a better man...
Can't find a better man



Ora bem, comecei a ver o Ídolos há umas semanitas, porque a Andreia me disse que aquilo fazia rir, que havia lá uns cromos jeitosos.
Era verdade! (Mas sobre isso prefiro não me pronunciar, porque todos temos um cromo dentro de nós, sendo que algumas pessoas têm toda a caderneta e outras ainda o super poster!! Mas adiante.)

Lá fui ouvindo os programas enquanto lia ou dava cabo da cabeça com o Sudoku (que eu não sou gaja para fazer só uma coisa de cada vez) e confesso que ainda dei umas valentes gargalhadas com alguns dos (pobres) aspirantes a ídolos e "ídolas"! (Eu gostava de ser uma ídola porque...!!)

Mas assim que me chegou aos ouvidos a voz daquele menino de olhos verdes e ar desorientado, que canta quase tão bem como o Eddie Vedder, fiquei rendida!

Que voz, que olhar atormentado... ai caramba!!
Parece o Eddie dos tempos do Ten, no século passado, por alturas de 1991/92...

Foi com agrado que ontem à noite "colei" em frente à televisão e vi que o menino dos olhos verdes passou à fase final do concurso. E eu que nem planeava ver, agora não tenho outro remédio.

É que sempre tive uma paixão completamente assolapada pelo vocalista dos Pearl Jam e dizer que alguém canta quase tão bem como ele é um tremendo elogio.

A ver se o puto está à altura!!

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domingo

Não Faças Hoje o Que Podes Guardar Para Amanhã!

Imagem tirada da Net



A relação entre aquilo que sei que TENHO de fazer e aquilo que FAÇO de facto, é para mim completamente caótica.
Não há relação mais desequilibrada, viciada, parcial e desorganizada que aquela que estabeleço entre o Dever e o Fazer.

Mesmo quando sei que devia estar a fazer qualquer coisa (seja trabalhar ou, por exemplo, passar a ferro - coisa que abomino!!), não sei que criatura toma conta de mim e me faz ignorar a inexorabilidade dos factos reais.
Senão vejamos: as quinhentas páginas de há um mês e meio atrás continuam a ser quinhentas páginas hoje... a minha vontade de as atacar sem dó nem piedade é também hoje a mesma de há mês e meio atrás... ou seja: nenhuma.
O monte de roupa que há anos se acumula lentamente no armário é um fenómeno interessante, porque cresce e diminui quase como se tivesse vontade própria. Hoje sai uma camisola, amanhã entra um par de calças. É mais ou menos como se fosse uma conta corrente, hoje sai a prestação da casa, amanhã entra o salário! É uma never ending story!!

Assim sendo, o progresso é lento e um tanto doloroso. Mas vai chegar uma altura (e não está muito longe) em que vou ter de pegar o touro pelos cornos, fazer das tripas coração e acabar com isto de uma vez por todas (pelo menos no que diz respeito às quinhentas páginas, a roupa logo se vê!!).
Neste momento o importante é acabar o livro e passar para o próximo, que é fabuloso.

Isto é o que TENHO de fazer, mas não é o que me APETECE fazer.

Já sabia que esta semana ia ser muito exigente a vários níveis, mas acabei por deixar que isso influenciasse a motivação que devia dedicar ao trabalho. E let's face it, quando o trabalho que temos em mãos não é o que mais nos agrada, todas as desculpas são boas para adiar mais um bocadinho.

E se há coisa em que sou realmente boa é em adiar coisas!
Depois tenho também o reverso da medalha que consiste em meter o turbo e acabar tudo o que tenho para fazer enquanto o diabo esfrega um olho. (E sim, aqui também se inclui a fina arte da engomadoria!!) E não sei explicar porquê. Porque para ser completamente verdadeira, a sensação de dever cumprido é das melhores sensações que já experimentei. Nem sei explicar o que senti quando, há alguns meses, acabei aquele que foi o meu maior desafio profissional até à data. Andei dois meses a morrer para o acabar, a sofrer e definhar um bocadinho todos os dias... mas de repente passou-me uma coisinha ruim pela cabeça, meti os nitros e quando voltei a pestanejar... estava acabado. E senti-me inundada de uma satisfação incomensurável, uma coisa que não tem explicação. Quase tão boa como um orgasmo valente!!
Assim mais ou menos aquela sensação que experimento quando olho para o armário e vejo uma fileira de camisas sem um único vinco, as calças todas alinhadinhas e a prateleira das camisolas organizada por cores!!

Por isso fica a questão: se a recompensa é tão boa, porquê adiar?

E agora sim, apetece-me ir trabalhar!
Mas passar a ferro fica para amanhã!!

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quarta-feira

Sem Planear Nada...


Tecnicamente, fez esta noite 16 anos que aquele primeiro beijo começou, paulatinamente, a mudar a minha vida!

Caramba, parece que foi na semana passada!

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segunda-feira

Frases Soltas ou de Como Alguém Pode Estar Mais Chato e Contraditório Que Nunca...



Advertência: Queridos leitores, ficam avisados que este texto não tem ponta por onde se lhe pegue, assim como é completamente desprovido de interesse (à semelhança de tantos outros textos já publicados e que nem sequer tiveram direito a advertência). É da vossa inteira responsabilidade os segundos que despenderem a lê-lo, porque hoje, aqui, não se aproveita nada.
Desculpem qualquer coisinha.
Melhores dias virão.

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Esta semana vai ser em grande.

Vamos ter desafios físicos, profissionais, nutricionais e emocionais...

Às vezes pergunto-me se existirá um lugar onde as pessoas possam simplesmente viver rodeadas daqueles que mais amam, onde não têm de trabalhar e precisam apenas de fazer aquilo que lhes apetecer, se lhes apetecer fazer alguma coisa!

Se pelo menos soubesse escrever decentemente e não me enganasse tanto na merda das teclas, produzia muito mais por dia e não acabava com esta frustração de não conseguir escrever sem trocar os "o" e os "i"...

Às vezes fico aborrecida comigo mesma por me queixar sem ter qualquer motivo para isso.
E no entanto, continuo a queixar-me.
É como quando estou esparramada no sofá a ver televisão e sei que devia estar a trabalhar, mas... continuo a ver tv e o trabalho continua a amontoar-se...

Hoje estou tão chata que mal tenho paciência para me aturar.

E cada vez que ouço o elevador sinto um aperto no estômago... mas não, ainda não...

Daqui a nada abro os olhos... e já passou!


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sábado

É Por Estas e Por Outras!


Noite para lá de boa!
Com amigos do melhor que há.
Não estávamos todos, mas quem estava fez a festa!
E das boas. Com direito a rosas e mistério!!

Se eu podia viver sem os meus amigos?...
...


...

Nunca, jamais, em tempo algum!



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sexta-feira

Tempus Fugit?


É raro considerar que o tempo é perdido em alguma coisa.
Normalmente encaro o passar do tempo como um investimento, uma concessão.
Quando passo tempo numa fila, se tiver um livro para ler, uma revista para folhear, não estou a perder tempo, estou a aproveitá-lo para pôr a leitura em dia. Enquanto espero pela minha vez.

Gosto de fazer embrulhos diferentes nos presentes que ofereço. E na época do Natal normalmente tiro um dia para escolher os papéis ou tecidos, as fitas, as decorações, as etiquetas e outro dia para os embrulhar. Todos diferentes, o mais personalizados possível, todos lindos!
Pois já ouvi: "Por que perdes tempo com isso? É para rasgar!"

Passo a explicar:

Eu não perco tempo.
Primeiro porque estou a fazer uma coisa que me dá um incomensurável prazer, depois porque gosto dos sorrisos que os meus embrulhos suscitam.
Logo, estou a investir tempo por dois motivos válidos.

Outra pergunta que me intriga:
- "Duas horas no ginásio? Tanto tempo?"

Resposta:
Para quem trabalha todo o dia sozinha, como eu, para quem fala com os gatos só para poder ter a sensação de que está menos só, duas horas no ginásio ou em qualquer outro lugar onde se veja GENTE são antes de mais um investimento a bem da minha sanidade mental; se ao mesmo tempo posso ir melhorando a minha condição física, tanto melhor.

A única coisa que me faz perder tempo são pessoas e situações idiotas.

O tempo passa-nos por entre os dedos, às vezes parece que se esfumou, é certo, mas se for aplicado em coisas válidas - mesmo que seja passar uma tarde inteira esticada no sofá; se me dá prazer já valeu a pena - o tempo transforma-se em alegria, em satisfação, em sensação de dever cumprido.

Às vezes parece que não temos pura e simplesmente tempo para fazer tudo o que gostaríamos. É verdade. Às vezes sentimos que os nossos dias deviam ter 48 horas. Às vezes na nossa ânsia de viver sentimos que somos imortais.

Não somos, porque bem ou mal aplicado, o tempo passa. Inexoravelmente.
Por isso, mais vale tirar o melhor partido possível dos segundos que nos restam.
E viver bem. Sem contratempos.

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quarta-feira

Carneirada Insuportável

Sim, estes carneirinhos são lindos! Different is beautiful!!
Imagem tirada da Net.




A mim enerva-me um bocado o síndroma da carneirada.

Mais ainda quando se verifica entre desconhecidos, ou conhecidos apenas da blogosfera.

Podem dizer-se as maiores alarvidades que haverá sempre uma dúzia de pessoas que, para impressionar, para "dar graxa" ou simplesmente porque não têm dois dedos de testa para pensar por elas próprias, concordam em absoluto com o emissor da opinião.
Neste caso em concreto, falo obviamente de alguém cujas opiniões são com frequência contrárias às minhas.
Como entendo que isto é um mundo livre e que as opiniões são como as vaginas - cada uma tem a sua - nunca me manifestei.
Mas faz-me um bocadinho de impressão que as pessoas digam Ámen a todas as opiniões expressas por determinada pessoa.

"Isto é preto. - Claro que é! - É preto e lindo! - Nunca vi nada tão preto na minha vida! - Que extraordinária sensibilidade a tua!"
"Afinal enganei-me e é branco. - Oh, pois é! - É branco e lindo! - Branco mais branco não há! - Que extraordinária sensibilidade a tua!"

Bahhhhh! (Ruído de profunda náusea.)

Nossa, que falta de personalidade que por aí grassa.

Acho que para o ego deve fazer bem ter tanta gente a baixar a cabeça ao som daquilo que dizemos - ou escrevemos - mas deve ser um tanto enjoativo, não?


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terça-feira

Quando Elas Controlam a Nossa Vida

Imagem tirada da Net


Parece impossível que o nosso corpo, tão forte para umas coisas, seja tão susceptível a outras.

Como é que uns comprimidinhos quase do tamanho de uma cabeça de alfinete controlam o que se passa dentro do meu metro e sessenta e UM? É que basta deixar de os tomar para passar por uma miríade de sensações - de absorção ou não! - todas muito próximas do desconforto...

Dores de cabeça, de barriga, vómitos.
Irritabilidade, apatia, melancolia.
Fome.
Fastio.
Mais dores de barriga.

Detesto servir de cobaia e aquela coisa do "vamos ver como se comporta nestes três meses" já me está a deixar sem paciência. Eu sei como o meu corpo se vai comportar.
Já se está a ver.

Voltem, queridos comprimidos!
Estão perdoados!

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segunda-feira

O Porquê das Coisas



Está uma chuva medonha lá fora? - Sim.

Está frio? - Sim.

Estou quentinha aqui em casa, de pantufas e fato de treino? - Sim.

Apetece-me ir ao ginásio? - Não.

E vou? - Sim.

Porquê? - God only knows.

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sábado

Adenda à Adenda Anterior!


Imagem tirada da Net



Ginguba, peço desculpa pela confusão de género!
(Na verdade estava na dúvida, mas não tinha como confirmar!!)

Mas não fiques triste que há quem te defenda e restaure a tua honra: Melissinha no seu melhor!

E agora um beijo para as duas!
Ou um para cada uma, para não se zangarem!

Obrigada Mel, sempre a contar contigo!

;)

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sexta-feira

O Dr 90210 da Leopoldina e da Popota...

Ó pá, desculpem lá, mas por que carga de água é que a Leopoldina agora tem pernas, braços e mamas?


Deixou de ser o Indiana Jones para passar a ser a Lara Croft!




E quando é que a Popota se tornou numa sex bomb, a bambolear o traseiro vestida com um sari?






Reconheço que as imagens são bonitas e as bichinhas mais atraentes, mas isto não é publicidade para os miúdos, é para os pais.

Os putos deviam saber que as avestruzes têm o pescoço alto, asas em vez de braços, um traseiro grande e penas! Por sua vez, os rinocerontes** são quadrúpedes, gostam de águas lamacentas e não são estrelas de Bollywood!

O mundo anda doido!
E eu hoje acordei assim, quadradona!

**Adenda!!
Como o querido leitor Ginguba muito bem corrigiu, a Popota é um hipopótamo, não um rinoceronte!! Está feita a rectificação, mas mesmo assim não justifica a metamorfose!! (Vá lá que este ano não há dueto com o Tony Carreira! Do mal o menos!!)


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quinta-feira

Mais Um Pontapé!!

Imagem tirada da Net!



Bom, bom é estar a ver televisão e ouvir pérolas como esta:

Elas fizeram o pedido, mas não obteram resposta!

Nem me vou dar ao trabalho de conjugar o verbo obter, porque sei que os meus prezados e corajosos leitores são pessoas inteligentes e a esta altura já se estão a rir, como eu!

Palavras para quê? São artistas portugueses!


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quarta-feira

Foi o Que Se Pôde Arranjar...

Viver a vida pela metade...




Sinto sempre alguma tristeza quando me deparo, directa ou indirectamente, com alguém cuja vida decorre segundo o lema do "foi o que se pôde arranjar".

É certo que todos temos sonhos, ambições, projectos, desejos.
Mais ou menos arrojados, mais ou menos exequíveis, depende da pessoa. E das circunstâncias.

Mas alcançá-los ou não, lutar por eles ou deixá-los cair, depende em grande medida da maneira como nos dedicamos aos nossos objectivos, do quanto investimos na sua concretização, da vontade pura que temos para os realizar e da garra com que nos agarramos à vida que QUEREMOS.

Por isso, custa-me ver que há pessoas que constroem uma relação que não era bem a desejada, mas foi o que se pôde arranjar. Que têm um emprego de que na verdade nem gostam muito, mas era o único que havia. Que vivem meio enterrados no reino das possibilidades. É claro que alguma coisa é melhor que coisa nenhuma (e no que diz respeito a empregos então, nem sempre se pode escolher), mas é triste viver sempre com the next best thing.

Parece uma vida só mais ou menos. Com uma relação mais ou menos. Com mais ou menos felicidade, com mais ou menos satisfação pessoal, com menos ambição e com mais sonhos por realizar.

Assim, uma pessoa corre o risco de, quando a maior parte dos dias já tiverem passado, olhar para trás e constatar que viveu benzinho, não viveu mal, houve algum amor, alguma satisfação, alguma conquista, mas nunca, nunca passou um dia sem pensar como teria sido se não se tivesse deixado acomodar com aquilo que se pôde arranjar...

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segunda-feira

Nem Sempre Sou da Minha Opinião*

Pôr-do-sol em Braga, num lugar especial...

Ultimamente dou por mim a ter pensamentos absolutamente contraditórios sobre coisas que a certa altura considerei indiscutíveis.
Penso não só no presente mas também no futuro. Cada vez mais.
Questiono tudo e mais alguma coisa. Todas as convenções, todos os princípios, todas as decisões.

E não sei se um dia mais tarde me vou arrepender de fazer ou não fazer.


* Vi esta afirmação algures na Net e senti imediatamente que me definia.

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sábado

Acabar Com Chave de Ouro!




Fica só um cheirinho do concerto dos Skunk Anansie...


Numa semana em que já andava cansada, nada como incluir:

a) uma coça descomunal na aula de PowerPlate na terça (não me lembro de alguma vez ter puxado tanto pelo corpinho!!)

b) um concerto na quarta (onde por não conseguir gritar mais, tentei assobiar mas como não sou grande artista do assobio, anda lá - esforça lá a garganta! Já agora, o concerto foi realmente bom, boa música, boa energia e a Skin tem uma voz arrepiante...)

c) uma aula de MIB na sexta, com dois quilos em cada perna!! - Ai, ai... arde!!!!

d) um jantar só de mulheres, realmente bom, que veio salvar a honra do convento, com muitas gargalhadas, surpresas, comida boa e tudo e tudo!

Depois alguma dança, algum Safari e alguns empurrões por parte de dançarinos mais inflamados. Para fechar a semana em beleza, fica a frase da noite, que ainda não decidi se me aborrece ou se me diverte...

"Olha, estas vão buscar os filhos!"

Que ninguém tem!! (imaginar suspiro enquanto quatro pares de olhos se reviram em direcção ao tecto, porque das cinco, só uma é que tem a certeza que quer ter filhos - e de qualquer maneira o comentário também não foi para ela!!)


E hoje que é sábado, o que vou fazer?... Acabar de ler o livro, que segunda feira começo mais um desafio deste fascinante mundo que é a tradução!

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sexta-feira

Do Bruxedo ou de Como O Mundo Vai Acabar!

Imagem tirada da Net
Era mau, era... ó p'ra elas à nossa espera!



Alguém já ouviu falar daquela coisa de que o mundo vai acabar no dia 11 deste mês?!
Agora que os bruxos estão tão na moda e dão tanto jeito para justificar lesões de jogadores, diz que alguns estão convencidos que o mundo não passa de dia onze. Ou de um dia (já não sei qual) de 2012!

Caros senhores bruxos, se possível, gostava de dados mais concretos sobre este assunto. É que a confirmar-se, paro já de trabalhar e vou para as Maldivas. Pelo menos acaba-se-me o mundo num sítio quentinho, com sol, areias claras e águas cristalinas.

Parece que já me estou a ver, de flute de champanhe na mão, deitada numa espreguiçadeira, com os pés de molho, ao lado do Nuno à espera que o mundo acabasse! (Isto claro está, depois de dias integralmente passados a comer e beber coisas boas e a fazer O amor!)

Sim, que eu até posso ir desta para melhor, mas dêem-me tempo para ir refastelada!

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quinta-feira

A Perfeição Não Existe...


Eu tenho as melhores condições de trabalho do mundo.
Trabalho em casa, confortavelmente, tenho total liberdade de horários e se quiser até posso trabalhar de pijama!
Não é frequente!!

Às vezes tenho mais tempo para determinado livro, outras vezes menos.
Os prazos são normalmente fixados por mim, de acordo com o que tenho em mãos nos meses mais próximos.
Mas há ocasiões em que é preciso dar um bocadinho mais ao dedo, porque reservei pouco tempo para este ou aquele trabalho, porque avaliei mal o livro e afinal vou precisar de mais dias do que os que lhe tinha destinado ou então porque a editora precisa dele em determinada data e não há muita margem de manobra.

Trabalho bem sobre pressão.
Quando preciso mesmo, trabalho à velocidade da luz. Fico super concentrada, mais desperta, raciocino melhor, encontro soluções mais facilmente e faço quantidades absurdas de páginas por dia!
Mas escrevo muito mal à pressa. Não dou erros ortográficos, mas troco imensas teclas (tenho até trocas crónicas), esqueço-me de "s" nos plurais, coloco vírgulas a torto e a direito... enfim, um desastre.
É por isso que preciso sempre de dois ou três dias para uma última leitura que apanhe estas gralhas todas.
Quando não tenho tempo para esta leitura... fico doente.
Porque sei que há coisas que escapam quando se escreve à pressa e sei que se a tradução não for revista, da primeira vez que abrir o livro, normalmente no meio de uma Fnac, os olhos caem imediatamente em cima de um "s" a mais ou a menos, um espaçamento duplo, um pá em vez de pé (falha muito comum, que o corrector obviamente não assinala) ou outra gralha qualquer.

E nessa altura, o sentimento de orgulho por ter um livro que me passou pelas mãos já publicado, todo lindinho, de capa lustrosa e sei lá mais o quê, é substituído por uma tristeza imensa e uma quase vergonha por ter deixado escapar aquelas gralhas e por não ter entretanto existido uma revisão decente que desse com elas.

Quase há seis anos atrás, quando vi a revisão do primeiro livro que traduzi, fiquei indignadíssima! Tinha tantas correcções, tantas substituições a vermelho!
Precisei de um tempo para entender que o livro não era meu, que uma publicação não é somente da responsabilidade do tradutor. É um trabalho conjunto entre tradutor, revisor, paginador, coordenador editorial e sei lá mais quanta gente que se mata a trabalhar para as coisas saírem como deve ser.

E quando não saem, principalmente devido a questões comerciais, fico de cabeça perdida e demoro muito tempo a "engolir o sapo" e a desilusão.

Tanto que só agora, um ano depois, consigo falar disto.


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quarta-feira

Obrigação vs Prazer


Este cantinho esquizofrénico foi criado maioritariamente porque me apetecia escrever sem ser em pedacinhos de papel e cadernos de páginas amareladas.

Escrevo porque gosto, porque me faz bem e tenho os ritmos que me apetece ter.
Isto não é uma obrigação, é um prazer. E por isso, não sigo uma linha editorial(!!) religiosa em termos de conteúdo nem em termos de ritmo de publicação. Às vezes escrevo quatro textos no mesmo dia, outras vezes estou uma semana sem escrever.

Gosto que me leiam, que comentem, porque me faz sentir um pouco mais acompanhada. E porque gosto de partilhar ideias.
Mas não gosto que me peçam para explicar uma ou outra frase, um ou outro texto. Não gosto de ser obrigada a justificar-me.
Até porque na maior parte das vezes escrevo para mim, para memória futura e não para uma ou outra pessoa em particular.
Como agora. Este texto é uma auto-lembrança para que não ceda à intrusão alheia.

Eu nem sempre sou transparente ou constante.

E por vezes, o que escrevo também não é.

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terça-feira

Barulho


Imagem tirada da Net



Não há relaxamento ou técnica de descontracção que me valha.

A minha cabeça está, como sempre esteve, inundada de ruído, pensamentos, ideias, gritos, alarmes, buzinas.
Não tenho um minuto de descanso.
Desde que me lembro de ser gente que me deito a pensar, num suposto silêncio, em tudo e em nada, em coisas úteis ou nem por isso. Mas nunca consigo estar em silêncio.
Habituei-me a conviver com várias buzinas, sirenes, apitos, o que lhe quiserem chamar, permanentemente instalados dentro da minha cabeça.
Não param. Aumentam e diminuem de intensidade consoante o meu cansaço, consoante o vazio de ideias e deixam-me louca.
Há dias que nem dou por elas.
Outros em que soam todas tão alto, umas mais agudas outras mais graves, que mal me ouço a pensar e tenho verdadeira dificuldade em ouvir o que me rodeia.
Já fui ao otorrino, já fiz trinta por uma linha e fisicamente não tenho nada que justifique estas buzinas... Diz ele que tenho a audição de um jovem de vinte anos! Excuse me?
Os zumbidos são normais e não têm causa patológica.
É só o barulho que vive na minha cabeça...

E que me deixa doida.

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domingo

Prisão Interior




"I thought how unpleasant it is to be locked out;
and I thought how it is worse, perhaps, to be locked in."

Virginia Woolf (1882-1941)


Feminismos à parte, esta senhora tinha razão sobre muita coisa.

É difícil deixar sair o que está guardado dentro de nós, tão profundamente encarcerado que por vezes até parece que já faz parte de quem somos. Assim como é difícil arranjar coragem para fazer o que é necessário, deixar o cómodo e partir para o desconhecido. Arregaçar as mangas e meter mãos ao trabalho.


Quando é que a minha vida interior se tornou tão complexa?

"Quando começaste a pensar nela", disse-me uma amiga iluminada.

Está um dia cinzento de mais para sair; frio de mais para estar sozinha em casa... e já não tenho bolo de chocolate...