sexta-feira

Do Pouco ao Muito



Nunca tive grandes problemas com o peso.
Aliás, quando era miúda a minha maior preocupação (e grande frustração) era ser magrinha, magrinha, daquelas miúdas que parece que não podem com uma gata pelo rabo e que são obrigadas a tomar óleo de fígado de bacalhau para abrir o apetite e engordar uns graminhas.
Pois, tenho a dizer que os litros do detestável xarope estão a fazer efeito agora!
Só me apetece comer e nunca estive tão pesada. Não estou gordinha, nem ando lá perto, mas para quem tem 1.61 de altura, quaisquer três quilos se notam.
E sim, desculpe-me quem se debate para perder quantidades substanciais de peso, mas três quilos, a mim, incomodam-me bastante.
Não ajuda estar sempre sentada a trabalhar e andar a baldar-me vergonhosamente ao ginásio!

Levo isto com grande descontração e uma boa dose de estupidez natural - se assim não fosse, não tinha feito, desde domingo, dois bolos de iogurte e uma tarde folhada de maçã...
O que vale é que já é sexta-feira!

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quarta-feira

Positivismo?...



Quando as mudanças das pessoas com quem trabalhamos pairam no horizonte, pode ser bom para todos, ou desastroso.
Quero acreditar que vai ser bom.
A ver vamos.

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terça-feira

O Que Queremos vs O que Podemos Fazer




Para onde quer que olhe, vejo pessoas sem emprego.
Nos amigos, na família, no Facebook, nas notícias - em todo o lado.
Também não sei onde desencantar oportunidades de emprego para toda a gente, e deus* me livre de ter de passar também por este flagelo, mas se é verdade que se impõe uma mudança na organização da nossa sociedade e do país, também é verdade que a mentalidade das pessoas tem de começar a mudar para se conseguir fazer face às dificuldades.
Compreendo que quando alguém estuda, quando se tira um curso, seja superior ou não, é porque se gosta de determinada área de formação ou se quer apostar em determinada carreira. Nada contra - aliás, foi isso que fiz ao mudar de curso e voltar para o primeiro ano: tinha encontrado aquilo que queria fazer e achei que valia a pena o retrocesso.
Também sei que quem estuda investe muito tempo, esforço e dinheiro e fá-lo com o objectivo de capitalizar mais tarde sobre todo este investimento.
Mas numa altura em que os empregos não abundam e as pessoas têm de procurar dentro de si maneiras de ultrapassar a crise, custa-me entender aqueles que se recusam a procurar trabalho fora da sua área de formação. Sei que o nosso emprego, a nossa vocação ajuda a definir-nos enquanto indivíduos, que o ideal seria que todos trabalhassem naquilo que mais lhes dá prazer e na área em que são mais capacitados.
Eu destestaria ter de fazer outra coisa que não tradução, que é o que amo fazer, aquilo em que sou boa, mas quando decidi mudar de curso e recomeçar do zero, arregacei as mangas e fui trabalhar para a caixa de um supermercado. Não vou dizer que amei, que foi o emprego da minha vida, que me preenchia intelectualmente. Nada disso. Mas foi o que me permitiu estudar, ter a minha primeira casa com o Nuno e cumprir com as minhas responsabilidades. Apesar de tudo, foi uma fase tão boa! Os meus dias começavam bem cedo com as aulas e às seis e meia, muitas vezes depois de sete ou oito horas de aulas, ia trabalhar até às onze e meia da noite. Foi muito difícil manter este ritmo durante quatro anos, mas de certa forma, acho que me preparou para as dificuldades.
Já sei que eu sou apenas eu, não pretendo ser um exemplo para ninguém, mas gostava de passar a mensagem de que nem tudo nos cai no colo, que é preciso fazer sacrifícios, concessões e por vezes engolir um pouco o orgulho.
Tudo em prol de um futuro menos cinzento.


*Que rica coisa para sair da boca (dos dedos) de uma agnóstica!

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segunda-feira

As Pessoas Mudam

Sempre fui uma pessoa de verão.

Nasci no verão e tenho as melhores memórias dos longos dias de calor passados na praia ou no tanque da vizinha! Gosto da fruta que se come no verão, gosto do cheiro da minha terra no verão, cheira a urzes e a eucalipto, e sempre gostei da leveza e descontração dos serões passados nos degraus do jardim a conversar com os vizinhos e, numa fase posterior, nas esplanadas com os amigos.

Mas depois comecei a trabalhar e o meu escritório apanha sol durante todo o dia.
É óptimo no inverno, mas quando está calor é um forno. Os braços colam-se à secretária, as pernas à cadeira e o cabelo cola-se ao pescoço.
O calor deixa-me molengona, mais preguiçosa do que o habitual e de cabeça a andar à roda.
Será que com a idade também mudam as nossas preferências pelas estações do ano? É que sempre achei que o outono e o inverno eram as estações favoritas dos velhotes, porque são mais dadas ao aconchego, à mantinha nas pernas.

Ora, se agora sou eu a desejar um tempo mais fresco, a ter saudades dos meus cachecóis e a pensar como é reconfortante ter uma mantinha no colo e o termo do chá em cima da mesa, será que estou aproximar-me do fim do meu verão, age wise?

É capaz. As pessoas mudam.

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sexta-feira

Queria Ser Rebelde



Paguei ontem a Segurança Social. Sim, pago sempre no último dia.
Dói-me pagar aquilo. Sei que é uma obrigação minha, mas pago muito.

- Ah, se pagas muito é porque recebes muito - dirão alguns.

Não recebo assim tanto e a verdade é que trabalho que me farto.
Aliás, trabalho desproporcionalmente em relação ao que ganho, porque se há actividade que cada vez é menos bem paga é a tradução literária. Os preços desceram, minha gente, e diz que a culpa é do mercado e da crise. (E ainda assim continuo a rezar para que o trabalho continue.)

Custa-me andar a pagar sem saber para onde vai a minha contibuição mensal. Sei que não vai chegar à minha reforma, e mata-me pensar que está a ser canalizada para a pensão/reforma de algum administrador barrigudo. Ou para o RSI dos parasitas da sociedade que não fazem nada para o merecer.

Queria armar-me em rebelde e não pagar, pronto!
Mas depois o que acontecia? Penhoravam-me a casa (que não é minha)? Ia presa?
E se todos deixássemos de pagar? A SS falia ainda mais depressa? Acabava-se de vez a garantia de reforma e subsídio de desemprego?

Continuamos a pagar, é o que é...

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quinta-feira

Pronto, vejam lá se não tenho razão!!

Eu Sabia!



Como acontece no fim de todos os verões, fui cortar o cabelo. 
As pontas ficam mais secas com o sol e com a água salgada e como o cabelo me cresce que é uma coisa parva, corto-o mais ou menos de 3 em 3 meses, sendo que o corte de fim de verão é sacramental.

Vou há alguns anos à mesma cabeleireira. Foi difícil encontrar alguém que me conseguisse escadear o cabelo sem que ficasse a parecer que tinha um capacete no cimo da cabeça e três ou quatro cabelitos por baixo! Tenho muito cabelo, é grosso e bastante indisciplinado.
Desta vez, a boa da cabeleireira, uma rapariga mais ou menos da minha idade, toda despachada e que diz nunca ter visto uma mulher de 38 anos que nunca pintou o cabelo na vida,quis fazer-me uma "franjinha"...
Disse-lhe que não valia a pena, porque o remoinho que tenho na testa ia levantar a franja e lá se ia o corte.
- Não, não, vai ver que fica bem - insistiu.
Ora, como a bem dizer era ela que estava de tesoura e naifa na mão, disse-lhe que sim senhora, faça lá a franja.

Como explicá-lo? Tenho uma meia dúzia de cabelos cortados por cima das sobrancelhas, que quando esticadinhos pelas mãos experientes da Anabela formaram uma franjinha toda catita.
Agora, depois de lavado e seco por mim, o cabelo está mais ao meu jeito, gosto mais. Mas a franja... Bem, a franja faz inveja ao próprio Tintin! 

terça-feira

Do Contra



Eu sou um bocadinho resistente às modas.

Quando toda a gente fala do mesmo filme, não me apetece vê-lo na altura. Quando toda a gente lê o mesmo livro, prefiro deixar para depois. Isto porque gosto de avaliar as coisas pela minha cabeça, sem me deixar influenciar pela opinião dos outros e, quer queiramos, quer não, quando toda a gente diz que o filme X é imperdível, já vamos para o cinema condicionados.

Foi o que me aconteceu quase há 20 anos, quando saiu A Lista de Schindler. Na altura, ainda estava a tirar Inglês-Alemão e o filme foi um verdadeiro advento para o pessoal do curso. Todos amavam, todos diziam que era o melhor filme de sempre; todo o país andava maravilhado com o filme.
Fui vê-lo ao cinema nessa altura. E posso dizer que gostei. Mas não amei. Não achei que fosse motivo para gerar tanto burburinho.
Agora estou com vontade de o rever; porque sou outra, o mundo é outro e já não me sinto condicionada. Além de que, um dos meus actores favoritos da actualidade é precisamento o Liam Neeson.

Passei recentemente pelo mesmo tipo de renitência em relação ao Zafón.
As minhas amigas andavam (andam) todas malucas com os livros do nuestro hermano e, apesar de ter começado a ler o Marina, emprestei-o sem o acabar, por isso não conhecia a obra dele.

Sem querer influenciar ninguém (!!), tenho agora de dizer que A Sombra do Vento foi sem dúvida um dos melhores livros que já li. (Embora ainda não queira ter um filho dele, tá Mel?!!)

Desta vez, as opiniões não eram infundadas nem a minha expectativa saiu defraudada.

O que mais terei andado a perder por causa da mania de ser diferente?!




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segunda-feira

O Primeiro Dia

de trabalho do Nuno é logo para rebentar com qualquer um.
Vai trabalhar cerca de 20 horas seguidas. Sim, escrevi 20 (vinte, para os desconfiados).
Porquê?
São coisas...

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Back to Life, Back to Reality...



Não, não é o título daquela música pirosa dos anos 90!
As férias acabaram ontem. E nem sei bem por onde começar.

Durante duas semanas, deixámos o trabalho para trás, repusemos energias, curámos as dores e esquecemos a vida real. Na última semana, estivémos mergulhados na mais abençoada ignorância (nisso e numa água quentinha, quentinha da qual já tenho saudades!) e chegaram-nos apenas breves migalhas do que se passava no país.
Agora chegados e de mangas arregaçadas para recomeçar, constato que as pessoas estão fartas, tristes, desmoralizadas e a depositarem esperança em manifestações que todos esperamos que sirvam para alguma coisa.
Não sei o suficiente sobre política externa para mandar bitaites sobre a melhor forma de combater o défice e de pagar dívidas, mas sei o suficiente para perceber que não é a empobrecer as pessoas que lá vamos.
No mesmo dia em que fui comprar o mealheiro para as férias do ano que vem (??), a minha melhor amiga disse-me que no dia do anúncio das novas medidas de austeridade teve vontade de se fechar em casa, deitar-se na cama, adormecer e só acordar daqui a dez anos.
Uma senhora que estava no cabeleireiro onde fui cortar as pontas disse que teve de sair de casa e passar algum tempo com as cabeleireiras (suas amigas de infância) porque já não aguenta estar em casa sem fazer nada. Tem 40 anos, perdeu o emprego em Março, um mês depois de o marido  - que esteve desempregado um ano e meio - ter conseguido arranjar emprego. Diz que nem tiveram oportunidade de respirar de alívio. Começou a chorar quando lhe desejei boa sorte e lhe disse que tudo havia de se resolver.

Não quero estar triste, não quero pensar no dinheiro que me vão roubar, não quero pensar que o mealheiro que fui comprar hoje (aquelas latas baratas do chinês) pode ficar cheio de ar.
Quero trabalhar com calma e cabeça, quero respeitar os meus deveres de cidadã, quero pagar o que tenho de pagar e receber o que tenho de receber.
Não quero mais ser roubada: entrego quase um quarto do meu trabalho a um estado que não só não me dá garantias nenhumas de futuro como se prepara para me exigir mais "um esforço". A sensação de que me estão a assaltar vilmente é impossível de afastar.

O que podemos fazer? Que força temos? Onde está a solução? A sério O QUE PODEMOS FAZER?
Estou cansada de olhar para o lado e ver gente a lutar por sobreviver. Como vi numa fotografia da manifestação de sábado, nós não somos plantas, somos pessoas. Não nos basta sobreviver, temos o direito de viver. E com dignidade.

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sábado

Nada Que Umas Boas Noites de Sono Não Curem




Ontem passei literalmente o dia com as lágrimas nos olhos.
Não estou doente, não tenho nada de mal a não ser cansaço, falta de horas de sono e uma certa irritação em relação ao trabalho (o mesmo que desejei vigorosamente aqui há umas semanas, lembram-se? Sim, sei que sou um poço de contradições, sempre soube e sempre o aceitei como fazendo parte de mim. Adiante)
Mas o que mais me comoveu durante o dia de ontem, e o que me fez choramingar tanto, foram as muitas demonstrações de carinho, de preocupação por parte das pessoas que me rodeiam.

Entre outras pessoas, o meu tio - o borracho da foto -  (que está sempre no gozo comigo, que me chama feia, chata, e tudo o mais, que me desdenha porque me adora) ligou-me para me dar um beijinho, para dizer que estava quase e que do lado de lá estavam solidários com a minha labuta! Disse isto tudo de enxurrada, como já é costume, ainda antes do "Olá, tudo bem?"
... (silêncio)
A pergunta seguinte foi:
-Estás constipada?
E a resposta?...
- Não, estou a chorar!

Tadinho, ficou ele todo comovido do lado de lá e eu pieguinhas do lado de cá.
Mas é assim, os gestos de carinho, de ternura comovem-me mais que qualquer outra coisa num dia normal, quanto fará num dia em que ando a lutar contra o cansaço.

A ver se lhe ligo mais logo, para mandar umas postas de pescada e devolver o equilíbrio ao mundo!

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