quinta-feira

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Cada dia que passa tenho menos paciência.
Cada dia que passa estou menos tolerante.
Para comigo e para com os outros.
A minha capacidade de engolir sapos e fazer fretes está nos limites históricos. E às vezes apetece-me mesmo desatar a falar sem filtro. Ia perder muita gente, ia arranjar muita chatice, mas se calhar ficava mais leve.

Vou trabalhar.

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quarta-feira

E pronto,

Uns dias são cinzentos e chunguinhas, outros são mais ensolarados e recompensadores.
Diz que é a vida!

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terça-feira

E nem vale a pena falar do que isto faz à motivação de uma pessoa...



Uma das coisas que mais me custa neste momento de aperto que o país atravessa é a desvalorização do trabalho das pessoas. O empenho e qualidade do trabalho continuam a ser os mesmos, a vontade de trabalhar também, mas fazer o mesmo por menos é coisa para me deixar à beira da loucura...

Juro que entendo que haverá situações em que não é possível pagar X e se opta por pagar X-1, mas isto vai tudo dar ao mesmo. Se me baixam o rendimento, como é que querem que gaste mais, que invista na economia, que compre coisas, que visite lugares, que coma em restaurantes, que viva fora da minha casa?
Quando me baixam o valor que me pagam, estão a obrigar-me a baixar o valor que retribuo à economia nacional. Porque o preço das coisas não só não se mantém como aumenta, os impostos e contribuições que me obrigam a pagar seguem o mesmo caminho e é preciso pensar na vida, é preciso ponderar o gasto de cada tostão, tentar planear e precaver o futuro...

Eu não sou licenciada em economia, mas menos dinheiro significa menos investimento.
Cada vez há menos dinheiro nos nossos bolsos.
Não é este o caminho.
Será assim tão difícil de entender?

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O que se há-de fazer?



É oficial.
Entrei na fase da lágrima.
Tudo, mas mesmo tudo, até a recordação do que senti da primeira vez que entrei no Museu Britânico, me faz ficar com as lágrimas nos olhos!
Ontem estava a ver a Bíblia do estilo - para quem não sabe, o programa What Not to Wear - e fiquei toda comovida porque a menina era tão insegura que nem sabia que era bonita.
Uma mensagem, um abraço, um beijo, um gesto mais meigo e lá estou eu, com um nó do tamanho de um elefante entalado na garganta.

E hoje o rímel não é waterproof...

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segunda-feira

Humph...

Decidi que não vou queixar-me mais por estar cansada, por me doerem os pulsos ou por andar permanentemente num estado de sonolência que já nem o café resolve.
Por isso, aqui estou a comunicar a minha decisão, abstraindo-me de dizer que o parágrafo anterior é a mais pura realidade - e será durante os próximos... muitos dias!
Portanto, all is well, não estou cansada, não me doem os pulsos e não ando a cair de sono. Não!

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quarta-feira

Be Kind

Acredito mesmo que quando fazemos alguma coisa por alguém sem esperar nada em troca, quando tratamos alguém ou alguma coisa apenas com simpatia e bondade, o que fazemos regressa a nós, se não multiplicado por dez, pelo menos na mesma medida.
Sempre pensei assim.
Continuo a ter razões para pensar assim.




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sexta-feira

So hard...

Isto hoje não está difícil... está muito difícil.
A minha concentração (ou falta dela) está nos mínimos históricos e dou por mim a olhar para frases absolutamente banais e a pensar, mas o que diabo quer isto dizer...

Anda por cima fiquei tristinha com a possibilidade de as férias irem com os porcos...
Sniff, sniff.
A Falta de Concentração ligou à sua amiga, a Falta de Vontade e está aqui um caldinho que nem vos digo nem vos conto.

Vá lá, só mais um bocadinho!
Isto não é fácil, nem difícil, muito pelo contrário!
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Cecília




Se já é uma atrocidade uma criança ter de lutar contra uma doença que nem gente grande devia atacar, imaginem o que é ter um dador de medula pronto para o transplante e NÃO HAVER VAGA no hospital público para o fazer! Cabe na cabeça de alguém?

A família da Cecília - onde se inclui a minha amiga Melissa Lyra - está a juntar dinheiro para fazer o transplante num hospital privado, o mais depressa possível.
Se cada um puder ajudar com um euro que seja, muitos poucos fazem muito...

Isto não é um conto do vigário, não é a afilhada da sobrinha do vizinho. É a história de uma miúda que já podia estar boa e ainda não está.
Aqui vai o NIB da Melissa, que pode fazer a transferência gratuitamente, evitando custos acrescidos:
0010 0000 3677 1660 0019 8

Obrigada, people do bem!


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quinta-feira

Told You!







Eu nem consigo imaginar o que ela sente neste momento.
Depois de tanta dúvida, de tanta boca menos católica, de tanto questionar o próprio talento, ver que o livro que lhe saiu das entranhas está no Top Ten de (praticamente) todas as grandes superfícies livreiras (e não só), deve ser coisa para causar um calafrio espinha abaixo! Ou acima!

E só tenho uma coisa para lhe dizer:
Aqueles que duvidaram de ti, aqueles que escarneceram do sucesso tão merecido, merecem levar com uma bela esfregadela destes dados na tromba - com perdão pelo vernáculo!

Estou orgulhosíssima de ti, gaja! Mesmo!

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Love Is Everywhere



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quarta-feira

Boa Notícia... para mim!

Não sei se se recordam de dizer mal da minha vida porque os vizinhos aqui de trás tinham duas criancinhas que choravam e choravam e choravam, enquanto a mãe gritava e gritava e gritava?...
Há algum tempo que o pai andava, todos os dias à hora de almoço, para cima e para baixo com uns garrafões de água que enchia na torneira do condomínio, que fica na garagem. Mas não eram dois ou três, eram mais de dez, porque o homem fazia duas viagens e em cada mão levava três garrafões de cada vez...

Tudo neles cheirava a esturro.

Pois, os senhores foram-se embora! O que quer dizer que as criancinhas que choravam e choravam e choravam também se foram!
Agora só ouço o canto dos passarinhos!
E já não há ninguém a roubar água do prédio.
Entretanto, viemos a saber que os senhores deixaram três meses de renda por pagar, não tinham água porque a companhia cortou o fornecimento e desapareceram sem deixar sequer a chave ao senhorio...

Isto era a plaquinha que tinham colada na porta:



Não estou certa que o Cristo deles lhes ande a prestar grande serviço!... 

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Hummm: Agora estremeço só de pensar quem será o inquilino que se segue! Nunca vi um apartamento com uma rotação tão veloz de ocupantes! E já merecia uns vizinhos decentes...

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segunda-feira

Era o que faltava!



Acho cá uma piada a esta coisa de termos de ser nós, os contribuintes/consumidores, a inserir no portal das finanças as faturas que somos obrigados a pedir nos estabelecimentos!
Ora se temos de as pedir com número de contribuinte e os estabelecimentos têm o programinha que as finanças os obrigaram a comprar, por que diabo os nossos dados não são automaticamente transferidos para o banco de dados de faturação?
Acharão os senhores das finanças que o meu tempo é pouco valioso, para o desperdiçar a inserir faturas?
Não terão eles noção que esta transferência de obrigações é absolutamente idiota?
Se querem fiscalizar os estabelecimentos para ver se declaram tudo o que vendem ou não, é dar emprego a tanta gente que não o tem e pô-los a verificar estas cenas, em vez de despedir os funcionários públicos (outra medida maravilhosa para diminuir os encargos do estado, aumentando o desemprego e os subsídios a pagar, enfim...).
Agora, pedirem-me a mim, que já trabalho como uma mula e entrego um quarto de tudo o que ganho, para fazer o trabalho deles, ah, isso desculpem lá, mas não, não mesmo!

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domingo

Ugly Duckling

Quando andava na universidade, havia uma miúda de outro curso - que partilhava o anfiteatro com o meu para as aulas teóricas de Economia - que sempre me chamou a atenção. Não por alguma razão interessante mas porque a achava realmente feiinha... feia, pronto.
Mesmo feia. Tinha o cabelo encarapinhado, era baixinha, tinha o peito demasiado grande para o corpo e umas feições estranhas, olhos demasiado rasgados e uma boca daquelas que vira para baixo mesmo quando está a sorrir.
Quando olhava para ela sentia uma espécie de constrangimento por a achar tão feia.

Anos depois, voltei a vê-la no ginásio.
Não sei se foi o meu sentido estético que mudou, se foi ela que mudou (embora me pareça absolutamente na mesma).
A verdade é que aquela rapariga é sem sombra de dúvida uma das mulheres mais sensuais que alguma vez me passou pela frente. No outro dia fizemos a mesma aula de Balance. Não sei explicar o que lhe aconteceu, mas ela mexe-se com uma languidez, com uma delicadeza, que me impressionou.
Continua com as mesmas feições, a boca continua curvada para baixo, o nariz continua achatado, o cabelo está agora muito, muito curto, num corte quase militar e o peito continua grande (e estranhamente arrebitado!). No entanto, tudo o que antes achava estranho nela, agora achei exótico, intrigante quase. Definitivamente sexy.
É daquelas mulheres que veste o conjunto de lingerie completo e não um sutiã de um país e umas cuecas de outro! Usa meias de liga com lacinhos e folhinhos por baixo das calças, mas em vez de ficar piroso (como me ficaria a mim) fica sensual!

Por isso, quando olhei para ela pensei: Bolas, como é que uma rapariga feiinha se transforma num mulherão destes?


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