quinta-feira

You Gotta Pump It Up!


Três dias seguidos com dores de cabeça horríveis, latejantes, acompanhadas de vómitos, vista turva, intolerância à luz e a qualquer movimento brusco. Estômago frágil, frágil, arrepios de frio e verdadeiros acessos de calor. Noites mal dormidas.
Isto depois de uma semana com faringite e entupimentos vários.

Foram assim os últimos dez dias. Uma beleza.
Depois de me lamentar, de ter muita peninha de mim e de chorar sonora e silenciosamente, consoante a ocasião (!), comecei a achar que o meu corpo me estava a querer dizer qualquer coisa.
Do tipo: descansa mais, dorme mais, come melhor, VAI À PORRA DO GINÁSIO!
MUTLEY, DO SOMETHING!

E pronto, chegou o momento.



Ontem dormi mais horas, comi bem o dia todo, não trabalhei e fui ao ginásio fazer uma aula que não fazia há bem mais de um ano (se calhar dois), porque a certa altura comecei a achar que me massacrava os músculos de que mais preciso - os braços.
Fui fazer Pump e amei, como sempre, porque sempre foi uma das minhas modalidades favoritas.
Fiz tudo com imenso cuidado, estive a aula toda atenta à posição dos pulsos, usei pesos de menina (!!), fiz as flexões com os joelhos no chão, não fiz tudo o que podia, mas fiz o que devia numa primeira aula ao fim de tanto tempo de interregno. E fiquei tão, mas tão feliz, tão satisfeita comigo, com a aula, com aquela sensação que já não sentia (passo o pleonasmo!) há tanto tempo!
Sorri durante quase toda a aula (também houve alturas em que a minha expressão era de pura dor, mas dor boa, o que no fim faz sorrir e pensar - porra, fui capaz de chegar ao fim) e voltei a lembrar-me como gosto daquilo.

Hoje estou completamente dorida, partida, esfrangalhada, o que lhe quiserem chamar!
Mas é uma dor boa.
Preciso de reforçar os músculos; deixá-los sossegadinhos com as contraturas que o trabalho me provoca não é a solução, porque quanto mais fracos estiverem, quanto menos os trabalhar, mais facilmente os magoo durante as intermináveis horas que aqui passo, agarrada ao computador.
Por isso, sim, hoje dói-me tudo, amanhã também vai doer, mas daqui a um mês sei que vou estar mais forte, mais resistente, mais definida e muito mais contente. O Pump tem esta vantagem, os efeitos notam-se ao fim de pouco tempo e é uma modalidade altamente viciante. Duas aulas por semana é o ideal para mim.
Só tenho é de ter sempre cuidado e ser muito minha amiga (voltamos sempre ao mesmo) para não me magoar.
Afinal preciso dos braços para trabalhar!

Mas hoje é um dia bom, pareço uma velha a levantar-me e a sentar-me porque as coxas me gritam MAIS DEVAGAR!!, mas hoje é um dia muito
bom!

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terça-feira

Ideias

Ohh, nice!


Acho que todo o tradutor que se preze devia ter alguns negócios em paralelo, produtos que usa muito e que podia ajudar a desenvolver, recebendo depois uma percentagem dos lucros (assim um pouco ao jeito dos bloggers que metem as mãos no fogo pelo creme A ou B e depois recebem um fornecimento de cremes vitalício ou dinheiro, ou ambos, que é o mais certo).

Eu, que sou tradutora estou muitíssimo disponível para participar na concepção de um teclado que não me leve à falência,
com teclas molinhas, planas, largas e silenciosas, que reajam ao toque de uma pena e não precisem portanto de força para imprimirem os caracteres nas imaculadas páginas brancas com que começo os meus dias.
É que não têm conta os teclados que já me passaram pelas mãos e o dinheiro que já gastei. Agora tenho um com cerca de dois meses, mas que faz muito barulho, as teclas insistem em mudar de lugar, por isso é frequente que me apareça pai quando quero escrever pão, ou mão quando quero escrever não. É chato. Pressinto-lhe uma reforma antecipada...

Da mesma forma, ofereço-me para estudos ergonómicos da cadeira ideal, que não seja muito inclinada e que permita outra postura que não a do Quasímodo, que tenha um assento fofinho e que não faça doer o cóccix ao fim de 3 horas, nem as pernas ao fim de 6. Pode ter rodas mas daquelas que não andam sozinhas, obrigando-me a estar constantemente a puxar a dita para a frente, porque o movimento ao fim de algum tempo afeta-me a lombar.

Mas mais importante do que isto, e até fazia esta colaboração pro bono, era uma porra de um software de reconhecimento de voz que funcionasse mesmo, que não me confundisse o ponto de ponto de ebulição com o ponto de ponto final. Que soubesse colocar o til nas nasais. Isso é que era qualidade de vida! Os meus dedinhos, pulsos e demais articulações agradeciam, embora as cordas vocais talvez se queixassem, mas enfim, não se pode agradar a toda a gente, não é?

Portanto, senhores dos teclados, das cadeiras e dos softwares, se me estiverem a ler, não deixem passar esta oportunidade. É que eu tenho ideias mesmo muito boas!
Agradecida!

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sexta-feira

Happy days!



Andei aqui um dia e meio a estremecer, (qual estremecer, a tremer como varas verdes) porque na quarta recebi um prefácio de economia, escrito por um notável jornalista da nossa praça, para traduzir para inglês. Para sexta.
Oi?
Economia? Para inglês?
Ai, que não sou capaz e vou fazer uma merda de trabalho! Ai que me dói tanto a barriga!

Pois bem, gostava de ser sempre assim; com medo de não conseguir acabar agarrei-me ao trabalho como gente grande e pumbas, consegui acabar antes do prazo chegar ao fim!

No fundo, isto ensina-me uma ou duas coisas: 1 - que quando saio da minha zona de conforto, daquilo que faço normalmente, ainda fico insegura e por isso dedico-me muito mais ao trabalho; e 2 - se tiver a cabeça no lugar, se me dedicar, se começar a trabalhar sem muitas considerações teóricas, consigo fazer TUDO! E bem!
Esta sensação é impagável.
Hoje estou de bem com o mundo, de bem comigo!
E está sol!!

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quinta-feira

Isto enquanto tento acabar um livro...



Eram cinco e meia da manhã.
Cinco e meia, mais coisa menos coisa quando o Nuno acordou e lhe disse: Ainda não dormi...
Adormeci um bocadinho depois, até me tocarem à campainha para fazerem a contagem do gás.

Não estava aborrecida, preocupada, chateada, agitada, nada.
Só não dormia.

E hoje ando outra vez a pisar nuvens...

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quarta-feira

Tá quase

Acontece-me sempre a mesma coisa, quando estou prestes a acabar um livro, a minha concentração fica abaixo de zero e disperso-me entre a ânsia de acabar e os planos para o que vou fazer nos três ou quatro dias que tenho antes de começar o trabalho seguinte.
Os dedos ficam lentos, a cabeça viaja com o mais pequeno som, com um passarito que passa pela janela, com o gato que mia, com a máquina da loiça que apita... tudo serve para me distrair.
E chego sempre à mesma conclusão: planeio tanta coisa para os tais dias de "descanso" que depois não tenho tempo para fazer metade das coisas, que transitam para o próximo descanso e me enchem a cabeça. E a lista, que inclui coisas como pintar a parede do quarto, acabar de ler o livro do momento, tratar dos vasos da salsa e da hortelã ou fazer bolachas, vai crescendo e crescendo!

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segunda-feira

:)



Este ano não resisti e fiquei a ver os Oscares até quase, quase ao fim, até ser vencida pelo sono!
Sabem quando já estamos com tanto sono que começamos a fechar um olho de cada vez para ir descansando e vemos televisão só com o outro olho? Pois, assim estava eu.
Nem o discurso emocionado do Alfonso Cuarón me espicaçou, mas também, para mim, o ponto alto da noite foi logo o primeiro Oscar entregue a Jared Leto para melhor actor secundário em Dallas Buyers Club. O que dizer? Adoro-o! Adoro-o em versão músico e em versão actor! Adorei o discurso dele e achei maravilhosa a homenagem que fez à mãe e ao irmão no discurso de aceitação. Tão lindinho, pá!

Há quantos anos não ficava acordada a ver os Oscares!
Soube-me bem!
E agora... a trabajar!

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