sexta-feira

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Just breathe.  Cystic Fibrosis Awareness



Isto vai ser sempre assim.
Uma vez, um dos ortopedistas (uma senhora) que consultei disse-me que enquanto tivesse esta profissão, ia ter sempre estas dores, estas "crises", por culpa do desgaste, dos movimentos repetidos, das posturas que nem sempre são as mais corretas.
Perguntou-me se ponderava mudar de atividade profissional. E eu perguntei-lhe se ela podia deixar de ser médica.
É que esforcei-me tanto para estar aqui, para poder fazer isto com competência e propriedade, que me recuso a ponderar o que quer que seja.
Trabalho sem parar há dez anos. Com férias pelo meio, obviamente.
Sou uma sortuda, faço o que sempre desejei fazer. Trabalho com o que mais amo, que são os livros, as histórias, as viagens sem sair da cadeira! Mas são dez anos a escrever, por vezes a um ritmo absurdo, frenético, que massacra o corpo. Eu fazia páginas inteiras em nove minutos! 250/300 palavras em nove minutos!
No more.
Agora demoro 20 minutos para fazer o mesmo, com metade da frescura nos pulsos e no resto do corpo.
O mais difícil é aceitar que este é o meu ritmo; saber que os prazos têm de ser calculados de outra forma; e fazer muita força para que este novo compasso seja "aceitável" para os meus empregadores.
Tenho de aprender a gerir tudo outra vez. Emoções incluídas.

Com calma.

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segunda-feira

Glorificar o que não está bem


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Como quase todas as mulheres que conheço, há coisas no meu corpo que gostaria que fossem diferentes. Maiores, mais pequenas, mais ou menos pronunciadas, enfim, se pudesse refazer-me, mudava muita coisa. Tenho em relação a isto sentimentos bastante contraditórios, porque se por um lado acredito que devemos aceitar como somos e abraçar a nossa individualidade, por outro lado não tenho nada contra em tentarmos ser cada vez melhores versões de nós mesmas, mais conscientes, mais corretas, mais saudáveis e mais bonitas, para quem a beleza importar - e para mim importa.
Procuro comer bem, alimentos com tanta qualidade quanta o meu orçamento me permite comprar, faço um esforço incomensurável para não comer doces a toda a hora, faço desporto porque sei que me faz bem à cabeça, mas também ao corpo. Procuro vestir-me bem - seguindo a mesma lógica orçamental! - com gosto e com peças que me favoreçam e procuro cada vez mais acolher a ideia de que não somos todas feitas a partir de um único molde e que não devíamos ser avaliadas como tal.
Mas uma coisa é aceitar aquilo que somos e aprender a gostar de nós assim, outra coisa é glorificar aspetos que não são assim tão bonitos.
Anda para aí um movimento - ainda discreto - em que as mulheres são encorajadas a fotografar as estrias e as cicatrizes das cesarianas, assim como os seios descaídos porque diz que são marcas lindas da história da mulher... Que são testemunhos do que é "ser mulher"...

Eu peço desculpa pela insensibilidade, mas estrias, celulite e seios descaídos podem de facto contar uma história bonita, podem remeter para um dos aspetos mais fascinantes da vida de uma mulher, mas não são marcas bonitas no corpo de ninguém.
Todas temos direito a sentir-nos bonitas, plenas, realizadas e em paz com o corpo que temos. É talvez das coisas que mais escapa à indústria cosmética e da moda: todas as mulheres têm o direito de estar bem com aquilo que são, viver bem no corpo que têm.
Mas ainda estou para conhecer quem goste de ter estrias nas coxas, na barriga ou nas costas... ou cicatrizes e peles descaídas. Não conheço ninguém que, dada a oportunidade, não trocasse estes pequenos sinais do tempo e das circunstâncias por uma pele lisinha e seios empertigados.

Como disse, acho que todas devíamos amar o corpo que temos, até porque não vamos ter mais nenhum, mas amar o corpo passa por cuidar dele, por ser mais saudável, por fazer mais por nós.
Eu jamais vou dizer que gosto da minha barriga ou que adoro os papos que tenho nos olhos porque não gosto: detesto-os e dentro do razoável faria tudo para me livrar deles.
Aceito estas características como fazendo parte de mim, mas não vou fazer de conta que as amo e dizer: Muito bem, então daqui para a frente vamos lá tentar convencer o pessoal que bonito, bonito, é ter um pneu na barriga e papos nos olhos... Não. Vou continuar a tentar comer melhor, a dormir melhor e a fazer desporto; vou continuar a cuidar de mim o melhor que souber e puder.
Mas tentar "glamourizar" o que não está bem?
Não me parece...


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terça-feira

Não há mesmo palavras.

Há coisas que nem sei como se escrevem.
São tão absurdas, tão difíceis de conceber, tão inacreditáveis que as palavras não são realmente suficientes. Não se inventaram ainda palavras para justificar a morte. Seja a morte de uma criança, que para mim é das coisas mais atrozes que posso imaginar, seja a morte de um casal. Um casal divertido, novo, com dois filhos finalmente criados. Ainda que saiba muito pouco, fui acompanhando através da minha tia o percurso de um casal modesto que se esforçou imenso para conseguir criar dois filhos, dar-lhes uma boa educação, dar-lhes bases para uma vida boa. Agora que os filhos estavam prestes a começar a trabalhar, os pais iam poder finalmente gozar um pouco mais a vida, aproveitar os anos dourados.
Morreram ontem num acidente de carro em Espanha. E a filha, que ia com eles e que começaria a trabalhar num emprego de sonho em outubro está internada em estado grave.
Eram os melhores amigos dos meus tios, família.
Ele era meu compadre.

E estou para aqui com o coração do tamanho de uma ervilha, com uma vela acesa para a filha ficar bem e o filho aguentar o choque de ter ficado sem pai e mãe num piscar de olhos.
É absurdo.

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quinta-feira

O País Envelhece

I would give anything to have a picture like this for my child......I miss you Mimi & Helen.....





Tirando uma ou outra notícia quando não há desgraças mais interessantes a relatar, ninguém fala com seriedade do facto de o nosso país ter cada vez menos jovens, cada vez menos bebés.
Ainda há quem tenha filhos, quem queira queira uma família, mas os dados não mentem. Sem ter grandes números presentes, a verdade é que estamos a envelhecer enquanto país, a renovação das gerações não se faz como antigamente, quando havia menos dinheiro, menos distrações, menos tudo, mas mais necessidade de braços para trabalhar.
Pela parte que me compete, também sou responsável por esta falta de renovação; não tenho filhos, não vou ter. Nunca achei que devia deixar descendência porque "é o que as pessoas costumam fazer", porque é essa "a ordem natural das coisas". É uma opção consciente, que não me retira o direito de ter uma velhice acompanhada e digna.
Mas se hoje trabalho para que a minha contribuição sirva para pagar (justamente) a quem já trabalhou ou a quem mais precisa, também é verdade que a segurança social já não funciona em estilo mealheiro - em que uma pessoa paga o que tem a pagar mas sabe que quando chegar a hora de se reformar terá apoio, uma compensação pelo tanto que trabalhou.
Sem gente nova para continuar a trabalhar, para manter este país vivo e ativo, quando chegar a minha hora de receber uma fração daquilo que paguei a vida toda, não vou ter um tostão.

O país não vai ter suficiente sangue novo, ideias novas.
Ficamos com quê?

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segunda-feira

O Caminho é Longo




Então lá chegou o dia dos 40 anos.
Apesar de tudo o que correu bem - e foi a maior parte - não foi um dia perfeito, não recebi apenas mensagens e telefonemas perfeitos, mas começo a chegar à conclusão de que a perfeição, além de sobrevalorizada, é extremamente entediante. Estive fisicamente rodeada de poucas pessoas, mas senti-me maravilhosamente acompanhada.
Passei um fim de semana fantástico num dos locais de que mais gosto; pude descansar um pouco o corpo, mas também pensei muito em coisas que gostaria de mudar em mim.
Se as datas servem para alguma coisa será para isto mesmo, para marcar pontos de viragem. Queria melhorar em tantos aspetos. Queria ser mais corajosa, mais dedicada, menos dispersa. Saber melhor qual é o caminho. Separar o essencial do acessório.

Não mudei em nada desde a semana passada para esta, não me sinto diferente, mas quero fazer diferente.

Tenho uma lista de itens na cabeça.
Está na hora. 

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quarta-feira

#vaicorrerbem

Há dias em que não há volta a dar-lhes, começam com apertos no peito, com uma névoa que tolda tudo.
Hoje tenho pelo menos três motivos para acender velas, para pensar positivo e para desejar com todas as minhas forças que tudo corra bem nos três.
Curiosamente, são todos diferentes mas todos implicam uma forma de vida, presente ou futura. E embora diferentes, fiquei com (pelo menos) três nós cegos na barriga.
A ti, menina das bochechas lindas, só digo: a História nem sempre se repete.


A vida às vezes é tão cheia.

#vaicorrerbem

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segunda-feira

A meio?

Sim, sim, é esta a ideia!



Daqui a uns dias faço 40 anos.
Não estou muito (nada) preocupada com o número, porque há mais de dez anos que digo que a idade se sente no espírito e no coração, não nos algarismos. Claro que isto é conversa de quem está a envelhecer, de quem sente que os números importam para os outros mesmo que não importem para nós, de quem ficava eternamente nos 28 se pudesse, porque é um número bonitinho e redondinho.
O que me preocupa nos 40 anos é pensar que já devo ter chegado ao meio e embora não ache necessariamente que daqui para a frente é sempre a descer, a verdade é que se este for o meu meio, começa agora uma estranha contagem decrescente.
É verdade que me sinto bem, que sou muito melhor agora do que há 20 anos, isso é absolutamente indiscutível, e não gostava de voltar a ter 15 anos, ou 18 - fiz tanta parvoíce, tanta burrice, era tão totó, tão fraquinha que confesso que não guardo grande amor pela adolescente que fui. Toda a gente tem adolescências (mais ou menos) estranhas e a minha não foi exceção. Acho que só comecei a viver verdadeiramente, a tornar-me na pessoa que sou hoje depois de ter saído de casa. Vir estudar para uma terra desconhecida, ter de recomeçar tudo de raiz, fazer amigos, estabelecer rotinas, aprender a gerir dinheiro (ainda que muito mal!!), ter a responsabilidade de me alimentar, de me manter em segurança e de saber como e quando me podia divertir, foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu não seria eu se tivesse ficado na minha terra. Podia ser outra, se calhar melhor ainda do que sou hoje, mas não era esta eu, de quem aprendi a gostar tanto.
Não fiz este percurso sozinha. Tive amigos ao longo do caminho, e tive o Nuno quase desde que cheguei a Braga. Metade do que sou hoje é obra dele, mas isso fica para outras crónicas!

A poucos dias de fazer 40 anos tenho tantos objetivos, tantos sonhos, tantas coisas que ainda quero fazer, lugares que quero visitar, que às vezes acho que mais 40 anos não chegam.
E tenho muito para aprender. Quando era miúda, achava que se chegava à idade adulta a saber tudo o que havia para saber. Que mal se fazia, sei lá, 30 anos, não havia mais surpresas, mais novidades, que era uma questão de gerir o tempo e a sabedoria. Achava eu que se com 16 ou 17 anos já sabia tanta coisa, certamente não havia muito mais a aprender.

Eu bem digo que era uma adolescente parvinha!

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sexta-feira

Suspend Your Disbelief

"Spiderman, Spiderman, does whatever a spider can!"...

Não, não venho falar do aranhiço, embora me tenha sentido como um e pouco me tivesse faltado para ver se me saíam cenas dos pulsos!!

Ontem fui experimentar uma modalidade nova no ginásio, onde se fazem coisas deste tipo:


AG Web Monkey




E deste:

p2



Chama-se Anti-gravity e se já consegui fazer a posição da primeira fotografia sem dificuldade, confesso que esta invertida (que tantos problemas me causou no yoga, porque ao ser feita no chão me deu cabo do pescoço e dos ombros) me assusta um bocadinho. E se me desequilibro e bato com a pinha no chão? Ui... 
Um dos princípios básicos do AG é a confiança. Ora aí está uma coisa boa de se trabalhar!
Adoro experimentar coisas novas, quanto mais desafiantes melhor e já me inscrevi num curso de três meses! 
A aula experimental foi fantástica, adorei a sensação de leveza, adorei os movimentos, embora hoje não esteja a adorar lá muito as dores de adutores, fáscias, bíceps e braquiais. Mas acho que é bom sinal, não é?!

Esta parte, a do relaxamento é absolutamente deliciosa. Acho que pela primeira vez e depois de tantos anos a tentar "ausentar-me", fiquei ali embrulhadinha, a sentir a seda, o movimento e a pensar em mais nada! Não pensei no trabalho que tinha para fazer, nas contas que tinha para pagar, no que ia fazer para o jantar ou na roupa que devia estar lavada e não está! Não pensei em nada! Senti, só. Existi. Saí da minha cabeça, suspendi os pensamentos! E isso para mim não tem preço. 

AntiGravity Fundamentals Principles




Tirado do site da AG:

Benefits:

Decompress tight joints
Core strengthening and lengethening
Increased muscular strength & flexibility
Relieving pressure while aligning the vertebrae
Increased kinesthetic awareness
Fine-tuning balance & increased proprioception
Low impact cardio-vascular conditioning
Perform advanced yoga & postural inversions without neck or back compression
Hold challenging yoga postures longer and in correct alignment
Stretch further with less strain
Muscular tension release through self-massage techniques
Adds an entirely new dimension to your Yoga/Fitness practice
Create better body awareness while increasing overall agility
Self-esteem enhancement through conquering fears
Refreshes the lymphatic, digestive & circulatory systems
Releases “happy hormones” i.e. serotonin, endorphins, oxytocin, dopamine
Increases the Neuroplasticity of the brain (one’s ability to learn)



Um dos lemas é "Suspend your disbelief".
É o que vou fazer!

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