segunda-feira

O sorriso é contagioso!






É sabida a minha paixão pelo Pinterest, aquele poço sem fundo de imagens com brancos equilibrados onde tudo é possível, exequível e perfeito.
Pois bem...
Quando os dias amanhecem assim um bocadito a dar para o manhoso; quando o café demora a entrar no sistema e só apetece voltar para a cama (ou partir a loiça toda); quando a cabeça dói e não apetece ver gente, trabalhar nem pensar na vida (que naquele momento é a mais desgraçada do mundo), há um exercício maravilhoso que resulta sempre, mas SEMPRE.
Ir ao Pinterest e escrever no campo de pesquisa Smile.
Só isto.
Não há como continuar zangado com o mundo!

Não têm de quê!


*
*



sexta-feira

Tão giro!

°•ºø°•Lenny•°øº•°




Como não conduzo, ando muitas vezes de autocarro. Em 15 minutos estou no centro da cidade e o autocarro que apanho - o 9 - está sempre cheio de velhinhos, que Nogueira é uma freguesia antiga de Braga e desconfio que tem tantos idosos como miúdos.
Apesar de não conhecer ninguém, fico sempre a par das novidades, dos mexericos - quem morreu, quem está doente, quem se divorciou, o que se vai construir naquele descampado e outros que tais - observo com um misto de espanto e ternura os senhores que tiram os chapéus e bonés quando passam pela igreja, e assisto muitas vezes a conversas interessantíssimas.
No outro dia acabei por pegar no telefone e registar esta conversa, sob pena de me esquecer dela quando chegasse a casa. Era boa de mais!

Duas senhoras, sentadas lado a lado em amena cavaqueira, quando toca o telefone:
- Tôu, filho? Então, vistes muntos? ... A que horas saístes? E aleijou-te, a filha da mãe?... Pronto, até logo, sim... beijinhos.
(para a outra senhora):
- É o meu filho. Tá a fazer fizóterapia. Ele mete os ombros ó pa dentro... É assim a puta da bida! Até quarta!
- Até quarta!

*
*



terça-feira

Quando menos é mais





Ando a reformular a minha presença e atividade nas plataformas sociais.
Sempre encarei estas coisas com um misto de adoração e aversão; se por um lado é interessante acompanhar o dia a dia das pessoas que por um motivo ou outro nos dizem alguma coisa, por outro pode ser extremamente irritante. Com o tempo, e com as ligações que fui estabelecendo com pessoas dos mais diversos meios, comecei a fazer uma separação quase inconsciente entre aquelas que me fazem rir ou pensar, que partilham coisas interessantes, que têm uma boa postura e uma boa conversa e as outras, as fundamentalistas, as que fazem trinta por uma linha para chamar a atenção, para ganhar "likes".
Não tenho paciência para gente que só diz que está gorda para virem as ovelhas todas dizer que "não, estás ótima, quem me dera a mim", ou para quem só come alface e ervilhas polvilhadas com chia. Não tenho paciência para os "runners" (a atividade chama-se corrida, senhores, logo são corredores) que fazem questão de nos mostrar todos os resultados e médias, todos os dias, como se isso interessasse a mais alguém a não ser aos próprios, e tenho menos paciência ainda para os que têm dúvidas existenciais sobre se aquela bola de berlim vai pôr em risco todo o bem que a alface e as ervilhas polvilhadas com chia lhes trouxeram ao longo do ano.
Tenho-me deparado com algumas pessoas que são hostis, belicosas e que não sabem estar neste tipo de plataformas virtuais. Lá porque não estão diretamente em frente às pessoas, não quer dizer que possam ser deselegantes e que digam barbaridades camufladas com smilies e emojis.

Depois, para ser coerente com a minha decisão de não pôr a vida toda ao sol, porque ninguém precisa de saber tanto como eu, decidi partilhar menos, escrever menos, guardar e viver mais.
E assim está bem.
Eu não ando à caça de "likes", não corro, não estou gorda e como todas as bolas de berlim que me apetecer.

*
*