sexta-feira

Duas constatações e uma dúvida inquietante

Poster Collectives by med ness, via Behance:



Duas constatações:
Vivo em Braga.
Em Braga chove durante 250 dias por ano (num ano bom!)

Uma dúvida inquietante:
Por que raio andam sempre as velhotas a lavar a estrada à mangueirada?

...

Sou pessoa de poupar recursos. Gosto de poupar eletricidade, gás, água. Cá em casa não há luzes acesas desnecessariamente, a temperatura do esquentador está regulada e nem sequer os dentes lavo com água corrente. Lavo a cara e as mãos com água fria porque (o frio conserva e) a água quente demora demasiado tempo a chegar às torneiras e é um desperdício deixar a torneira a correr enquanto espero pelo quentinho. 
É uma mania cá minha, pronto!

Por isso, fico piurça, quase com urticária, às vezes chegam a rebentar-me umas bolhinhas nas meninges quando me cruzo com as velhotas de mangueira em punho a lavar o passeio em frente ao portão de casa, a lavar o próprio do alcatrão, a calçada, as paredes ou os muros do jardim!
Ele é estrada, são paredes, estores, azulejos, VAI TUDO A EITO!!
Porquê, meu deus, porquê?! 

Eu bem olho para elas com a  minha expressão mais fulminante, furiosa e outras coisas começadas por F, mas parece que não intimido ninguém! 
Não percebo!

Não à lavagem desenfreada das estradas e muros da cidade! 
Tarda nada vai chover! Não é preciso.
A sério que não!

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terça-feira

Booklion!

"I think books are like people, in the sense that they'll turn up in your life when you most need them." Truth!:



Hoje estive a atualizar o meu currículo. Tenho a sorte de poder acrescentar de vez em quando mais alguns títulos à lista de livros traduzidos.
Este último ano e meio foi tempo de retemperar forças, de abrandar um pouco o passo, de dar espaço ao corpo e à cuca. Fiz menos livros do que nos anos anteriores, mas para dizer a verdade acho que se não tivesse abrandado teria dado o berro muito em breve. Acho que nos primeiros anos de trabalho exclusivamente dedicado à tradução fiz mais do que devia, não soube dizer não algumas vezes e devia ter dito, achei que podia abusar do corpo, da cabeça e que podia com tudo "Venham eles que dou conta do recado". E dei. Mas esgotei-me um bocadinho. 
Precisei de abrandar e de cuidar também de mim. 
Agora já cuidei, já abrandei, já aprendi a gerir e a respeitar o meu esforço e o tempo. 
Agora estou pronta!
Amo o meu trabalho, nem sei explicar o que sinto quando começo e acabo um livro novo! No meio queixo-me e choramingo como toda a gente, mas o momento em que escrevo na minha folhinha Word as palavras "Capítulo UM" e depois, semanas mais tarde "FIM", invade-me uma sensação de felicidade tão idiota que às vezes até choro. (Coisa que quem me conhece não estranhará, que eu choro com os anúncios do Skip, mas enfim!) 
Vivo para estes dois momentos, para o início e para o fim das minhas traduções. Vivo para os livros.

E há pouco, quando estava atualizar o currículo, contei com o indicador, para não me enganar, os 74 maravilhosos títulos (uns mais maravilhosos do que outros, é certo) que me enchem já três páginas. 
74 livros.
Tantas palavras, tantos capítulos, tantas lágrimas, tantas gargalhadas.
Tanta felicidade!

Bolas!

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quarta-feira

sexta-feira

Tempestades e monções!

Amazing Lightning:

Então, desde que me lembro de ser gente que tenho medo de trovões. Gosto imenso de tempestades, de relâmpagos (pelo menos quando estou abrigada e quentinha em casa), mas os trovões assustam-me. Não me sinto confortável com o ribombar, acho sempre que são mais violentos do que os relâmpagos, só porque fazem mais barulho.
Acho que já comentei que como ando muito farta de calor estou a ouvir alguns álbuns de sons da natureza, nomeadamente de chuvas e monções. (Um pequeno aparte: claro que enquanto estou a ouvir a chuva a cair copiosamente me imagino numa maravilhosa casa de pedra e troncos de madeira, com folhagem tropical a toda a volta, o mar lá ao fundo, uma piscina de pedra natural no jardim, vidraças imensas viradas para a paisagem e, do lado de dentro, uma casa quentinha, uma lareira gigante, como a da minha avó, os gatitos ao colo, chão de madeira e o frigorífico cheio de comidinha reconfortante. Não pensavam que me imaginava a trabalhar, pois não?!)

Pois, como eu dizia, agora que ando a ouvir as tempestades tropicais, os trovões são uma presença constante. E não é que não me faz impressão?
Até lhes acho um certo ritmo, alguma graça?
Isto é muito giro, muito bom.
E abafa as vozes todas, os telefonemas, enfim a vida laboral que me rodeia.
O que também não é mau.

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quarta-feira

Sem ser totó


Do No Harm (But Take No Shit) Decal, Decal Quote, Buddhist Decor, Wall Quotes…:



Acho que há alturas na vida em que conseguimos finalmente olhar para dentro de nós e ver quem somos, sem filtros nem desculpas. Vemos coisas de que gostamos, outras nem por isso. Mas é bom alcançar esta espécie de «clareza». 
É neste ponto que sinto que me encontro agora. Vejo claramente quem sou e o que quero ser. Vejo-me em relação a mim e aos outros. Sei que sou de uma forma quando estou só comigo (ou com o Nuno, que para mim não é pessoa!), e de outra diferente quando estou com os outros.
Sei que tenho muitos defeitos, nenhum extraordinariamente grave ou vergonhoso, mas tenho, são meus e procuro aceitar os que posso e remediar os outros. (Acrescento que não escrevo isto para os meus amigos me virem dizer - Oh, não tens nada, és um amor e nós gostamos de ti assim! Sou de facto um amor, também gosto de mim assim, mas tenho cá as minhas merdas que preferia não ter!)

Agora, partindo deste princípio de que todos são como eu, com os seus defeitos e também com virtudes, que todos somos humanos, todos falhamos (muitas vezes sem querermos falhar), que todos gostávamos de ter uma máquina de viajar no tempo e fazer algumas coisas de forma diferente, o que tenho tentado interiorizar, o que tenho tentado implementar - muitas vezes com um esforço tremendo e um afinco proporcional - é ser bondosa, compreensiva, justa. 
Tenho-me esforçado muito por não fazer juízos de valor, por não «atribuir» sentenças, por não alimentar preconceitos, mesmo que seja apenas dentro de mim, mesmo que não verbalize nada disto. 
Porque se conseguir ser sempre mais bondosa do que é esperado de mim, se conseguir ser sempre mais compreensiva e justa, não só trato melhor os outros como me trato melhor a mim. Sei lá, gosto de dormir descansada sabendo que só não fiz o que não pude. Em todos os aspetos.

Mas às vezes isto tem um custo e aprendi recentemente que preciso também de saber onde é o meu ponto de equilíbrio. Não quero ser velhaca, mas também não quero ser totó.

É esta a minha grande tarefa para os próximos anos: Ser mais bondosa (sem ser totó), ser mais compreensiva (sem ser totó), ser mais justa (já perceberam, sem ser totó). 

Voltamos ao meu mantra preferido: Do no harm, but take no shit.

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terça-feira

Tudo passa


Resultado de imagem para this too shall pass

Ultimamente tenho tido muitas chatices nos músculos. Não só nos músculos, mas também nos tendões e um bocadinho nas articulações.
Não tenho nenhuma doença, não treino como uma maluca (e o que treino é sempre com o maior respeito e consciência corporal), não ando a fazer nada de especial a não ser... trabalhar. A um ritmo moderado.
Já o disse muitas vezes e continuarei a dizer: amo o meu trabalho, quis muito desde muito nova fazer exatamente o que faço hoje e quando me imaginava a traduzir livros nem sequer sabia que seria tão bonito, emocionante e recompensador. Porque é. 
Em termos intelectuais este trabalho preenche-me por completo. Todos os livros são diferentes (mesmo quando são do mesmo autor), viajo sem sair da cadeira e às vezes até parece que não estou a trabalhar. 
Não quero fazer mais nada da vida (além de ser estupidamente rica! Se fosse escandalosamente rica era capaz de deixar de traduzir, mas como não sou, continuo a fazer o que tanto adoro!). 
Mas em termos físicos, os últimos 12 anos estão a começar a sentir-se. 12 anos a trabalhar a um ritmo um bocadinho parvo, nem sempre com a moderação que tenho tido nos últimos tempos, decididamente não com o respeito pelo corpo que tenho agora. 

Pareço uma velha a falar, a queixar-se das maleitas, mas não é exatamente isso que quero fazer. Quero racionalizar os avisos que o corpo me tem dado; quero reconhecer que as dores existem, que vão existir sempre, mas que posso aprender a viver com elas e quem sabe não as levar tanto a peito. 
Quero aprender a trabalhar de forma mais eficiente; num mundo ideal trabalharia menos horas, mas produziria o mesmo (e já que é para pedir, ganharia melhor!)

As queixinhas podem parecer contraditórias porque a ideia geral é que um freelancer escolhe quando quer trabalhar, quantas horas trabalha por dia, quantas paragens faz durante um dia de trabalho. E não deixa de ser verdade. Existe essa liberdade que a maior parte dos trabalhadores não tem. Mas existem também prazos, ritmos que nem sempre se podem quebrar sob pena de não se conseguir apanhar o comboio durante o resto do dia. Existe o medo de se ficar sem trabalho, se não estivermos sempre disponíveis, se não pudermos respeitar os prazos, se o corpo pedir para parar. 
Há casas para pagar, batatas e cebolas para comprar.

Por isso vamos continuando. Vamos trabalhando devagarinho quando podemos, um pouco mais depressa quando é preciso. Vamos descansando quando tem mesmo de ser.
Vamos pedindo que o trabalho continue a chegar, que depois logo se vê!
E vamos acreditando que tudo passa. Tudo se resolve.

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Tudo passa



Ultimamente tenho tido muitas chatices nos músculos. Não só nos músculos, mas também nos tendões e um bocadinho nas articulações.
Não tenho nenhuma doença, não treino como uma maluca (e o que treino é sempre com o maior respeito e consciência corporal), não ando a fazer nada de especial a não ser... trabalhar. A um ritmo moderado.
Já o disse muitas vezes e continuarei a dizer: amo o meu trabalho, quis muito desde muito nova fazer exatamente o que faço hoje e quando me imaginava a traduzir livros nem sequer sabia que seria tão bonito, emocionante e recompensador. Porque é. 
Em termos intelectuais este trabalho preenche-me por completo. Todos os livros são diferentes (mesmo quando são do mesmo autor), viajo sem sair da cadeira e às vezes até parece que não estou a trabalhar. 
Não quero fazer mais nada da vida (além de ser estupidamente rica! Se fosse escandalosamente rica era capaz de deixar de traduzir, mas como não sou, continuo a fazer o que tanto adoro!). 
Mas em termos físicos, os últimos 12 anos estão a começar a sentir-se. 12 anos a trabalhar a um ritmo um bocadinho parvo, nem sempre com a moderação que tenho tido nos últimos tempos, decididamente não com o respeito pelo corpo que tenho agora. 

Pareço uma velha a falar, a queixar-se das maleitas, mas não é exatamente isso que quero fazer!! Quero racionalizar os avisos que o corpo me tem dado; quero reconhecer que as dores existem, que vão existir sempre, mas que posso aprender a viver com elas e quem sabe não as levar tanto a peito.
Quero aprender a ter menos medo.
Quero aprender a trabalhar de forma mais eficiente; num mundo ideal trabalharia menos horas, mas produziria o mesmo (e já que é para pedir, ganharia melhor!)

As queixinhas podem parecer contraditórias porque a ideia geral é que um freelancer escolhe quando quer trabalhar, quantas horas trabalha por dia, quantas paragens faz durante um dia de trabalho. E não deixa de ser verdade. Existe essa liberdade que a maior parte dos trabalhadores não tem. Mas existem também prazos, ritmos que nem sempre se podem quebrar sob pena de não se conseguir apanhar o comboio durante o resto do dia. Existe o medo de se ficar sem trabalho, se não estivermos sempre disponíveis, se não pudermos respeitar os prazos, se o corpo pedir para parar. 
Há casas para pagar, batatas e cebolas para comprar.

Por isso vamos continuando. Vamos trabalhando devagarinho quando podemos, um pouco mais depressa quando é preciso. Vamos descansando quando tem mesmo de ser.
Vamos pedindo que o trabalho continue a chegar, que depois logo se vê!
E vamos acreditando que tudo passa. Tudo se resolve.

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segunda-feira

Os sons da natureza, ou como não endoidecer com este calor.

Rain Watercolor Wall Decals:


O calor não tem som. 

Como estou um bocadinho (grande) cansada de calor, de dias abafados e basicamente de verão passado longe da praia, a minha banda sonora de hoje é um álbum de chuvas e monções! 
Neste momento estou com chuvas tropicais na Selva Amazónica. 
É maravilhoso! Até já me estou a imaginar de manta nas pernas e pantufas, cachecol ao pescoço e chá quentinho ao lado.

Daqui a seis meses queixo-me de que não para de chover nesta terra abandonada por deus, mas por enquanto, chuva!
Amanhã sou gaja para experimentar os sons do oceano!

Ahh, a natureza! 

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