quarta-feira

Work in progress


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O ser humano não é perfeito, nenhum de nós é uma obra acabada e gosto de pensar que sou um trabalho em progresso, alguém sempre disposto a aprender, a ser melhor, a fazer melhor. Tenho normalmente muita pena daquelas pessoas que acham que já não precisam de aprender nada, de melhorar nada, que chegaram a um ponto da vida em que estagnaram simplesmente e ainda acham que isso é bom. Porque dá menos trabalho. Pode dar, mas também deve ser cá um tédio!
Todos os anos vou procurando estabelecer alguns objetivos, metas que quero atingir - não necessariamente no espaço de um ano, que por norma sou ambiciosa e as coisas a que me disponho demoram o seu tempo (menos no caso do objetivo de aprender a gostar de manga, que demorou aí um mês a alcançar, e que foi lindo de se ver!).
Ultimamente tenho pensado - e sentido - que gostava de me ver livre desta imensa e absurda insegurança que me assalta em tantos aspetos da minha vida. 
Sei o que sou, do que sou capaz, gosto muito de mim. (Estou como o outro, Eu amo-me, adoro-me, já não posso mais viver sem mim!) Mas mesmo assim, às vezes, muitas vezes, demasiadas vazes, sinto-me engolida por uma insegurança que não sei bem de onde vem, que me faz pensar em problemas que não existem, sentir um aperto no peito que não precisa de estar lá e duvidar de tudo o que tenho de bom e valioso. Questiono tudo, o meu valor enquanto pessoa, mulher, enquanto filha, profissional e amiga; tudo, vai tudo na mesma enxurrada. 
E quero que isto mude.

Num dos primeiros livros que traduzi, li uma frase cuja noção me ficou cravada na memória e que dizia que o mundo acredita naquilo que lhe dizemos, no que transmitimos; as pessoas vêem-nos pela forma como nos mostramos. 
Sou alegre, descontraída e bondosa, um bocadinho idiota e leve, simples, de convivência fácil. Acredito muito nos outros, sempre, na bondade das pessoas, na beleza da natureza humana e isso faz de mim um bocadinho ingénua também. E acho que é assim que o mundo me vê. Ou pelo menos quem me conhece melhor. É capaz de haver também quem me ache chata, convencida, mimada ou egoísta, mas não é isso que me incomoda. 
Não é nada disto que quero mudar.
Quero mudar, quero resolver as vozes fininhas que estão por baixo da alegria, da patetice, da boa disposição, que me fazem questionar tudo, que cá no fundo me dizem tantas vezes «Estavas bem era quieta e calada». 

Preciso de afinar os detalhes, de pensar muito (às vezes também acho que penso de mais, mas isso fica para outro ano!), preciso de ver como resolver isto, como me aceitar melhor, como me sentir mais segura e principalmente, como me borrifar para o que os outros pensam.

Porque nesta altura da vida, já não devia ter importância. 

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sábado

O Labirinto dos Espíritos

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Desde miúda que tenho livros. 
Um dos primeiros livros de que me lembro era um livro da selva, daqueles desdobráveis, com patilhas que se puxavam para os animais abrirem a boca ou os olhos, com ramos de árvores que abriam quando virávamos a página, com muitas cores e um mundo de aventuras. Depois tive um do Peter Pan que era do mesmo estilo e que me lembro de folhear até as páginas ficarem quebradas.

Entretanto, comecei a ler livros «a sério», sem bonecos, com 12 anos. Faço anos em pleno verão e a minha tia deu-me dois livros de uma série de mistério e aventura (para crianças, evidentemente, que não comecei logo pela Agatha Christie!) e julgo que ela deve ter achado que aqueles dois livros me davam para o resto do verão. Acho que me duraram duas semanas!
Lembro-me muito bem desse verão porque foi quando me apercebi que ler livros é viajar sem sair do sítio, viver vidas que não são nossas e sonhar quando se está acordado. 

Nos anos seguintes, devorei todos os livros das minhas vizinhas - até aquelas xaropadas da Júlia, da Bianca e da Cassandra, ou seja, todos os romances de cordel a que consegui deitar a unha - da biblioteca itinerante aos empréstimos de amigos, li tudo o que me aparecia à frente. Os da Enid Blyton? Não me escapou um!

Comecei a ler e nunca mais parei.
Agora sim, Agatha Christie, Konsalik, Camilo Castelo Branco, Arthur Conan Doyle, Morris West, lia tudo o que encontrava, até os contos do Reader's Digest! 
Tentei ler Saramago, mas não consegui. Tentei Garcia Marques, mas não gostei (um dia destes volto a tentar, porque acredito mesmo que nem sempre estamos preparados para os livros que encontramos). Li O Nome da Rosa, de Humberto Eco, e senti que me ia dar um abafo de emoção. Que livro perfeito! 
Lia também tudo o que havia na lista de livros de Português, na escola, e li o Amor de Perdição duas vezes, com uma semana de intervalo tal foi a paixão assolapada que aquele livro me fez sentir! 

Às vezes tinha vergonha de dizer que o meu passatempo favorito era ler, que passava os fins de semana inteirinhos agarrada aos livros, que a minha mãe ralhava comigo porque não fazia literalmente mais nada a não ser ler! Haviam de pensar que era uma mosca morta que não sabia fazer mais nada! (Uma pessoa quando é novinha preocupa-se com o que os outros pensam de nós, o que querem?!) Saber, sabia, só tinha era coisas mais importantes para fazer! Ler.

Depois vim para a universidade e comecei a ler Tolkien, e coisas de gente crescida (mas não só, porque li toda a saga do Harry Potter com tanto fervor que a partir do segundo volume comecei a ler em inglês, porque não conseguia esperar pela tradução!).

Daí a Ken Follett, Stieg Larsson, Haruki Murakami, Jonathan Franzen, Camilla Lackberg, John Green e muitos, muitos outros foi um tirinho. 

Como também trabalho com literatura (o que mais poderia ser na vida senão tradutora literária?!) de vez em quando descubro pérolas que tenho a imensa honra de tirar da concha, para as oferecer aos leitores portugueses! Habituei-me desde muito cedo a ler em inglês, mas também trabalho em castelhano e já li muitos livros no original espanhol.

Depois, corria o ano do Senhor de 2012, conheci o meu amor maior, o meu literary crush! 
Carlos Ruiz Zafón.
Seguidinho de perto pelo Murakami e pelo Follett, é o meu autor favorito.

Li A Sombra do Vento num misto de espanto e emoção, com alguma incredulidade, porque não sabia que era possível escrever um livro tão perfeito. E a tradução! Acabei de o ler quando estava em Palma de Maiorca e fiquei feita parola na areia, a choramingar porque aquele livro era perfeito e estava imaculadamente traduzido! Disse ao Nuno que o meu sonho era saber traduzir assim! E ainda é.
Por isso, quando saíram os dois livros seguintes, voltei a comprar a edição portuguesa e fiz o mesmo hoje, ao comprar o último volume da tetralogia de O Cemitério dos Livros Esquecidos. 

Ainda não o li (francamente, não sei como é que me aguentei a tarde toda) porque estou a traduzir um livro maravilhoso que quero entregar no início da semana e que merece todo o meu tempo, atenção e dedicação. Não quero ler duas páginas de Zafón e depois estar a pensar nele quando estiver a traduzir! Porque já sei que é isso que vai acontecer.
Quando li A Queda dos Gigantes, do Ken Follett, tive de «meter uns dias de férias» porque não conseguia pensar em mais nada! E o meu trabalho não merece isso, porque, lá está, o meu trabalho são os livros! Mais vale parar dois ou três dias, ler e depois seguir com a vida! (São as vantagens de se ser freelance!) 

Por enquanto, O Labirinto dos Espíritos vai funcionar como a minha cenoura, a meta que quero atingir. Quando puder finalmente sentar-me a ler, significa que já acabei este livro em que estou a trabalhar, que me tem aquecido o coração, que me tem feito rir e chorar como nunca e que não sendo um Zafón é uma história linda de morrer, cheia de emoção e ternura.

Vamos lá então a despachar! 
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sexta-feira

Já escrevi sobre isto

Living in the moment truly does create happiness and contentment. Got to remember this since it seems I live for Friday.:

Isto deve ser uma coisa cá minha, porque não tenho horários tradicionais como a maior parte das pessoas e às vezes o meu fim de semana é a quarta e à quinta, mas não sei explicar bem o que sinto quando vejo as pessoas (quase) todas a glorificarem a sexta feira como se fosse o único dia da semana por que vale a pena esperar, como se não valesse a pena viver nenhum dos desgraçados quatro que estão entre o domingo e a sexta, como se o vinho, a comida, as pessoas e a vida só soubessem bem à sexta, não porque é sexta que ainda é dia de trabalho, mas porque é véspera de sábado. Ou seja, nem é pela pobre da sexta que as pessoas esperam, é pelo que ela representa, pela antecipação do fim de semana, que tenho cá para mim que deixa de ser bom e agradável a partir do almoço de domingo, não porque o almoço não seja bom, mas porque - horror dos horrores - no dia seguinte é segunda, esse demónio em forma de dia. 
Tenho pena que não se consiga viver os dias todos com a mesma alegria, com a consciência de que também há vida a uma segunda feira e pode ser muito boa. Ir para o trabalho a uma segunda parece uma maldição, quando na verdade é uma bênção, porque aposto que há muita gente que queria sair de manhã para ir trabalhar e não tem onde.
Parece que durante o resto da semana tudo é mau, negro e desgraçado, ninguém gosta de ninguém, ninguém tem paciência para nada, toda a gente respira em piloto automático para depois chegar a sexta feira e - Ahhh, até se ouvem os violinos a tocar. O céu fica mais azul, mesmo que esteja a chover, a comida tem outro sabor, mesmo que seja o resto do jantar de quinta e a vida volta a ser (temporariamente) bela. Acho triste que se espere sempre por determinadas alturas, dias ou épocas e se sobreviva simplesmente durante os tempos de espera. São oportunidades perdidas. São bênçãos ignoradas, desdenhadas. 
Não me importava de ter mais fins de semana livres, seria mais fácil acompanhar amigos e família, mas também não me importo de ter um ritmo diferente, que me faz adorar as segundas feiras, esperar com ansiedade pela terça e quarta em que estaremos de folga, porque assim acolho todos os dias com a mesma alegria e esperança, com a possibilidade que todos trazem, como o milagre que verdadeiramente são. Não ponho em suspenso a vida durante um punhado de dias para quase renascer só porque é sexta feira. 
É muito redutor. 
Prefiro acreditar que vou retirando o melhor de todos os dias. Mesmo das segundas!


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quinta-feira

Dias bons!


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E depois às vezes chove lá fora, o dia está escuro, triste e taciturno e tenho umas dores de cabeça e de barriga estranhas, mas porque estou tão feliz que o corpo nem sabe bem como reagir.

Deve ser assim que os planetas se alinham. Com solavancos, recuos e saltos para a frente.

A felicidade também dói.
É é uma dor boa!

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terça-feira

Lovely Autumn

View from the Bom Jesus do Monte #Church #Braga #Portugal:

Sendo que não sou muito uma pessoa de manhãs, é muito giro vir placidamente para o trabalho quando está sol e as ervas ainda estão cheias de geada da noite. Tenho panca pelas gotas de orvalho, são como pequenos mundos líquidos, cheios de brilho e luz! Gosto de ver as folhas geladas a derreter à medida que o sol as alcança. Gosto de ver os pedaços nas sombras, ainda cobertos de gelo.
Gosto de frio.
Demoro 12/13 minutos a chegar de casa ao cowork e aproveito esse tempo para respirar fundo e acordar de vez. Cruzo-me com as velhotas a varrer os quintais e os passeios, os velhotes a passear os canitos e as mães mais jovens que vão levar os meninos à escola. 
Hoje cruzei-me com a carrinha de um padeiro e voltei à infância, àquelas manhãs de frio em que ia para a escola a pé enquanto o mundo acordava.

Esta terra é muito gira quando não chove!

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segunda-feira

Por tudo e mais alguma coisa.




Enfim, não vale muito a pena falar dos porquês, dos porque sim, dos porque não, não vale a pena debater.
Tenho de tomar uma atitude de uma vez por todas.
Tenho de ser crescidinha e corajosa. 
Tenho de fazer o que é mais difícil, sob pena de vir a arcar com as consequências: agora e no futuro.
Vai ser difícil, vai ser tortuoso e não digo que nunca vou fraquejar. Certamente vou.
Vou ceder, vou capitular, vou deixar-me vencer.
E também não pode ser nada demasiado radical, senão enlouqueço. 
Ando nisto há muitos anos, já se tornou parte de mim e também não o consigo arrancar de mim assim, de um dia para o outro.

Mas não vale a pena mascarar a verdade. 
Não vale a pena ignorar os sinais.
Já chega.
Já me fez mal suficiente; continua a fazer.

Por isso chegou a hora.
Por muito que me custe, e custa, vou ter de deixar de comer doces.
(Inserir mega suspiro - de ar, não de suspiro, suspiro!!)

Vou tentar comer um docinho só ao fim de semana, se tiver de ser, mas não posso comer gelados, bolos, mousses, mais bolos, mais pudins, mais gelados, mais bolachas, mais chocolates,. mais sei lá o quê TODOS OS DIAS!

Fico mal disposta, enjoada, fico com dores de cabeça, enfartada, e diz que até faz mal às articulações.
As minhas articulações já estão mal o suficiente sem as estar a entupir de açúcares vários!

Estou farta de andar mal por ser gulosa, por ser caprichosa com os doces.
A sério.

Desejem-me sorte.
Bem vou precisar. 

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sábado

As we are

10 Inspiring Quotes That Will Make You Want To Travel The World (Part IV) - 99TravelTips99TravelTips:

Li há tempos um texto muito interessante sobre como ultrapassar a tristeza e enterrar acontecimentos passados que causaram mágoa, para que não nos atormentassem o presente nem hipotecassem o futuro.
Pode parecer uma leitura triste e desalentada, mas não, era um texto cheio de esperança, sem julgamentos de valor, que reconhecia que por vezes é difícil esquecer as coisas que nos magoaram, mesmo quando queremos muito, muito, avançar com a vida.
Já não me lembro de tudo, mas havia uma parte que me tocou particularmente porque dizia que as pessoas muitas vezes se iludem ao pensar que para esquecer as coisas não devem pensar muito nelas, que não devem dar-lhes importância, que o melhor é enterrar a cabeça na areia e fazer de conta que não se vê nada.
Só que quando se faz isso, a mágoa em vez de ser canalizada cá para fora ganha raízes dentro das pessoas, o que é ainda pior. Demora mais tempo a resolver. 
Por isso, o melhor caminho é reconhecer as coisas que nos magoaram, pensar nelas, interpretá-las, colocá-las em perspetiva. 
Quando já não houver nada de novo para analisar, quando já andarmos à roda das mesmas coisas, aí sim, começa a fase de arrumar as ideias, os sentimentos (que entretanto saberemos categorizar e racionalizar) e avançar com a vida, sabendo que neste mundo ninguém é perfeito e todos temos as nossas particularidades. 
O texto também falava sobre como interpretamos os acontecimentos de acordo com aquilo que somos e numa das imagens que ilustrava o artigo havia um quadrinho que dizia: We don't see things as they are, we see things as we are. 
E isto ficou-me na cabeça.

Não vemos as coisas como elas são, vemo-las de acordo com o somos... 


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terça-feira

Oblivion*

~The Kings Road, Ireland~ - I think of yea though I walk through the valley of the shadow of death, I shall fear no evil, for thou art with me:


Às vezes há pontos de viragem na vida das pessoas. 
Não sei bem como fundamentar esta crença porque é uma coisa que vem cá de dentro e que não consigo explicar de outra forma, mas imagino que a vida - todos os aspetos da vida - são como um círculo, uma roda. Não existe necessariamente um início e um fim, mas um contínuo, um círculo infinito - parece uma coisa saída daqueles programas de grandes questões do universo do Discovery Chanel, mas é assim que o imagino. 
Os dias avançam, as coisas mudam, os acontecimentos sucedem-se, mas acho que há alturas em que algum grão de pó entra nas engrenagens e muda o rumo e o ritmo das coisas. 

Acho que por vezes somos nós que sopramos o grão de pó para o mecanismo, outras alguém sopra por nós. 
Por vezes sabemos exatamente o que perturbou o girar eterno das rodas, outras assistimos incrédulos e ignorantes ao movimento - ou contra movimento.
Era bom sabermos sempre como reagir, como encarar e aceitar as mudanças; pensar se vale a pena. Colocar tudo em perspetiva.

Mas somos tão pequeninos, sabemos tão pouco. 
Podemos contar com pouco mais do que a nossa vontade, com o poder das nossas ações, com o desejo e a esperança que nos enchem a alma. 

Alguém dizia que a ignorância era a maior das bênçãos. Não concordo nem um pouco.





* Uma das minhas palavras favoritas de sempre, de todas as línguas que conheço.
Oblivion (ə-blĭv′ē-ən) -  The act or an instance of forgetting; total forgetfulness: She sought the great oblivion of sleep.

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