quinta-feira

Se funciona...


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Não é que me tenha virado de repente para as questões místicas ou esotéricas, nada disso, mas como boa menina de educação católica que a certa altura começou a questionar a existência do deus das igrejas, comecei a sentir necessidade de acreditar num ser superior, numa força que me comanda e numa justificação para aquelas cenas da vida que não quero/posso controlar e/ou admitir. 
Acho que faz parte da natureza humana. Somos pequeninos, insignificantes grãos de areia num deserto imenso e dá jeito pensar que há algo maior do que nós, seja um deus, um redentor, santos, vibrações, planetas ou constelações e ciclos solares. 
Ao mesmo tempo, tenho vindo a fazer um caminho interior muito interessante e conheço-me melhor agora do que há uns meros 12 meses. Confio mais em mim, sinto mais segurança e estou a borrifar-me para o que a generalidade do mundo possa pensar!
Preocupo-me mais comigo e já consigo pôr-me muitas vezes em primeiro lugar. Sou mais honesta.
Este ano, esperei pelas alturas certas para arrumar gavetas, para olhar para o espelho e pôr tudo preto no branco, dizer o que não podia dizer a mais ninguém, assumir o que não queria assumir, castigar-me e recompensar-me por isso.
Não virei mística, mas estou atenta às vibrações que me rodeiam, ao instinto, ao momento certo para cada atitude. À maneira de pensar e imaginar o futuro.

Sei o que quero ser, sei o que quero fazer e sei como lá chegar.
Mas também sei que com ajuda chego lá mais depressa!
A questão de mentalização, do pensamento positivo, da manifestação clara do que quero é uma ajuda preciosa para mim, que racionalizo e desconstruo mesmo o que não precisa de ser racionalizado ou desconstruído, mas funciono assim, foi o que fiz durante todo este ano que acaba agora e não me saí mal!
Na verdade, nunca me senti tão bem!

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sexta-feira

Esperança

Even after everything that ive been through the only thing that cant afford to lose is hope, hope in a better future. Hope that someday God will give me some sort of happily ever after....:

Não sou muito de alimentar dores desnecessárias, de sofrer quando não posso fazer nada para acabar com o sofrimento, nem me dou a histerias coletivas ou àquelas ondas que periodicamente avassalam as redes sociais. 
Não vejo vídeos de animais a serem maltratados, não vejo vídeos a puxar ao sentimento, seja sobre as mães, sobre as crianças, sobre os velhinhos, sobre o que for. Não partilho imagens desesperadas de catástrofes naturais nem imagens de guerra. De pessoas em sofrimento então, recuso-me terminantemente a partilhar. A maior parte das vezes essas imagens deixam as pessoas cheias de piedade, de pena, mas não resolvem o que é preciso resolver.
Chamem-me avestruz, acusem-me de enterrar a cabeça na areia e digo-vos que sim, sou pois. Recuso-me a sujeitar a minha alma, o meu coração a desgraças contra as quais não posso fazer nada; recuso-me a ficar em sofrimento. Chamem-lhe cobardia, eu chamo-lhe autopreservação.
Mas sou sensível (talvez até em demasia) ao que se passa no mundo. Choca-me ver imagens de guerra, de desgraças, de tristeza. Fico triste para lá do que é razoável. E na maior parte das vezes não posso mesmo fazer nada. 
Hoje partilhei no Facebook e no Instagram uma imagem de Aleppo completamente destruída. Onde antes existiam prédios, casas de pessoas como eu, agora há apenas montes de tijolos, cinzas e pó. Partilhei a imagem de uma cidade destroçada, mas sei que por baixo de tantos destroços devem estar muitas pessoas. E fiquei também eu em frangalhos. 
O que posso fazer? Eu, euzinha, pequena e insignificante?
Assino as petições que me parecem relevantes e já contribuí várias vezes para campanhas de angariação de fundos, sempre na modesta medida das minhas posses. Mas o que posso fazer mais? A assistência e ajuda internacional não chegam à Síria, as pessoas não conseguem receber ajuda. Os governos que podiam ajudar a resolver isto não o fazem, e imagino porquê. Se Aleppo estivesse sobre imensas reservas de petróleo, a ver se a ajuda não chegava. A ver se as grandes nações não se mobilizavam.
Mas ali não há petróleo, só há pessoas.
Quem pode não faz nada e eu, o que posso fazer?
Não sei mesmo.
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O que não posso fazer é parar a minha vida, deixar de sentir uma gratidão imensa pela paz que temos aqui no nosso pequeno canto. Não posso deixar que esta tristeza continue a instalar-se no coração, que esta dor de alma alastre. 
Não posso deixar de procurar maneiras de ajudar. Mas como?

A única coisa que posso fazer é ter esperança.

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segunda-feira

Ternura

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Podia dizer que sou emotiva, que é uma palavra bonita, mas a verdade é que sou piegas, muito piegas. Sou de lágrima fácil, qualquer coisa me comove. Uma música, uma frase, um poema, um filme, até os anúncios do Skip, valha-me Deus. 
Mas nada, nada neste mundo me comove mais do que a ternura, as demonstrações de ternura. 
Estremeço de emoção quando vejo a bondade e generosidade dos gestos de ternura.
Há poucos sentimentos mais nobres e mais completos do que a ternura.
Às vezes basta um «Anda cá», um «Vai passar» ou um abraço mudo. 

Até a palavra é bonita: ternura.

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