segunda-feira

Todos iguais


"A book is a device to ignite the imagination." Alan Bennett:


Ontem foi o dia mundial do Livro, que é um dia que me aquece sempre um bocadinho o coração, já que grande parte dele está cheio de livros!
Desde muito nova que leio compulsivamente. Leio tudo o que me aparece à frente, de todos os géneros, todos os segmentos, todos os autores (menos dois ou três cujos primeiros livros que li me causaram frenicoques de tão maus). Leio em três línguas diferentes com a mesma facilidade e além de me dar um prazer enorme ajuda-me muito no meu trabalho, que é: traduzir literatura!
Ontem vi muitas manifestações de amor aos livros e fiquei muito contente. Parece que a leitura está outra vez na moda, que as pessoas se interessam mais, que cada vez gostam mais de ler. 
Mas há uma «onda» de leitores snobes que me enerva: os que apregoam que lêem exclusivamente em papel; os que se dão ao trabalho de publicar quadrinhos e imagens a desdenhar dos e-readers; os que enaltecem o «cheiro do papel» como a mais autêntica característica da literatura; os que acham que ler em suporte digital é menos cool do que ler em papel. 
Eu, que sou tradutora literária leio quase sempre em suporte digital. Compro alguns livros em papel, mas apenas quando não há em e-book.
E o motivo é muito simles:
Gosto de histórias. Gosto DAS histórias. 
Do momento de leitura. Das asas que os livros me dão, do tanto que me ensinam.
Para mim, os livros são um bocadinho como as pessoas: é o conteúdo que interessa, não a forma.
E o cheiro do papel só me provoca espirros. Os livros de 700 páginas ou mais que gosto tanto de ler, dão-me cabo dos braços (braços esses que são essenciais para trabalhar, como acontece com toda a gente!). 
Ah, e tal, estás a ajudar a acabar com a indústria que te alimenta. Não estou. O meu trabalho não se esgota em papel, os livros que forem editados em suporte digital também precisam de tradução! 
Não sei porque é que uns têm de ser melhores do que os outros, se por dentro são todos iguais. 
Os livros que nos ficam no coração são eternos dentro de nós; não importa o formato.

Ler, para mim, é mergulhar em aventuras, em realidades que não são a minha, em sonhos que não são os meus. Ler é apaixonar-me por personagens que existem só na imaginação de quem escreveu e de quem lê. Ler é viver vidas que se estendem para lá da nossa.
E isso vale para vidas em papel ou em digital. 

A biblioteca da vizinha não é melhor do que a minha. Pode ser só diferente.

Importa é ler!

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